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Em "Sete Breves Notas sobre Inteligência Artificial e Buracos Cognitivos", José Alcimar de Oliveira — professor de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e teólogo heterodoxo — propõe uma leitura crítica e filosófica da Inteligência Artificial, questionando a ideia de que o progresso técnico equivale, por si só, a avanço social. Partindo da expressão "buracos de cognição", cunhada pelo professor Paulo Blikstein, o autor articula Sócrates, Nicolau de Cusa, Francis Bacon, Hegel e Marx para argumentar que a IA, sob a gramática do capital, não é neutra: antes produz e universaliza a ignorância em escala industrial. O texto culmina na imagem de uma "Babel reversa", em que a diversidade das línguas e culturas humanas é reconformada pelos códigos dos algoritmos — um convite a pensar, contra a heteronomia digital, os caminhos da práxis e do materialismo histórico-dialético.
Em "Sete Breves Notas sobre Inteligência Artificial e Buracos Cognitivos", José Alcimar de Oliveira — professor de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas e teólogo heterodoxo — propõe uma leitura crítica e filosófica da Inteligência Artificial, questionando a ideia de que o progresso técnico equivale, por si só, a avanço social. Partindo da expressão "buracos de cognição", cunhada pelo professor Paulo Blikstein, o autor articula Sócrates, Nicolau de Cusa, Francis Bacon, Hegel e Marx para argumentar que a IA, sob a gramática do capital, não é neutra: antes produz e universaliza a ignorância em escala industrial. O texto culmina na imagem de uma "Babel reversa", em que a diversidade das línguas e culturas humanas é reconformada pelos códigos dos algoritmos — um convite a pensar, contra a heteronomia digital, os caminhos da práxis e do materialismo histórico-dialético.

“O meu povo perece por falta de conhecimento” (Os 4,6).


 
 
 

Lula escolheu lançar sua candidatura ao quarto mandato de presidente na Vila Euclides, no estádio 1⁰ de maio, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde liderou as grandes greves do final dos anos 70.

Tem muito mais que simbolismo nessa escolha.


Lula resolveu mandar um recado para a esquerda brasileira. Uma mensagem ampla e profunda sobre luta de classes, coerência histórica e compromisso social com a classe trabalhadora e com todo proletariado.

A esquerda brasileira vem num processo de elitização sem precedente na história do Brasil. Claro, a esquerda nunca teve muito espaço para se organizar e disputar poder, mas mantinha nos partidos comunistas um referencial ideológico de classe e de coerência histórica.

Depois da queda do Muro de Berlim e da desintegração da experiência socialista do leste europeu, a esquerda perdeu a quilha. Não sei noutros países, mas aqui no Brasil ela passou a pensar como classe média, ou seja, como uma excrescência histórica e social, já que não tem identidade, sequer cultural.

As centrais sindicais caíram na burocracia, os sindicatos viraram abrigos familiares, a teologia da libertação foi banida da igreja católica e os partidos de esquerda resolveram abandonar a luta social para disputar o poder dentro das regras da classe dominante e do Estado.


O Partido dos Trabalhadores, como maior referência política desse campo, não sabe se acende de dia uma vela para o capital e à noite para o povo necessitado. Não tem mais claro o seu objetivo de fundação e existência. Há mais de duas décadas resolveu abandonar a organização revolucionária para abraçar o "eleitoralismo".


É disso que Lula está falando. É esse o recado para o PT e para toda esquerda. É preciso retomar o caminho da luta social e revolucionária. É preciso organizar a militância para disputar discurso e mostrar para a classe trabalhadora que patrão e empregado são classes sociais antagônicas.


Lula está falando em criar um novo bloco de hegemonia. Ele viu que Congresso Nacional, classe patronal e políticos fisiológicos compõem um bloco de poder da classe burguesa e a classe trabalhadora estará sempre vulnerável enquanto não se construir como poder alternativo e histórico.


O PT não pode seguir o caminho do pensamento pequeno-burguês, como criticava Lênin na formação do POSDR. As lideranças populares não podem ser excluídas e discriminadas pelo elitismo cultural que tenta dar o caminho no partido. É preciso retomar a história de classe e da luta social. O campo da disputa é o histórico, onde eleições são um momento da luta e nunca um fim.


Lula vem criticando esse distanciamento do PT e aproveitou o lançamento da sua candidatura para trazer à memória da militância as lutas operárias que contribuíram para a queda da ditadura militar e para melhoria de vida dos trabalhadores.


Não era de se esperar outra coisa de Lula.


Essa eleição será um momento muito importante para o Brasil, mas é necessário pensá-la como parte de um processo em contrução e não como fim. Se Lula ganhar, será seu último governo e os movimentos sociais precisam aproveitar estrategicamente essa etapa para se reorganizarem, voltando para o meio do povo e sair desse blá blá blá elitizado, que só fala para o próprio umbigo.


Enquanto a sociedade civil não estiver organizada e fortalecida para garantir direitos sociais e políticos, a democracia estará sob ameaça e o retrocesso social uma realidade. O Estado é burguês e nunca irá assegurar os avanços da luta proletária.


Lula percebe tudo isso e está dando o caminho a ser seguido. Vila Euclides é, novamente, palco das grandes decisões.


Lúcio Carril

Sociólogo

 
 
 
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