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Atualizado: há 3 dias

Embora toda repetição histórica seja nada mais que uma farsa, as circunstâncias, sempre novas, é que fazem a diferença. O noticiário desperta em mim a sensação de um déja vu atualizado. Neste caso, a memória ajuda-me a apreciar os fatos de hoje, comparando-os com o passado. Em 1950 (o comentarista tinha apenas 8 anos de idade), preparavam-se as eleições que poriam no Catete o substituto do general Eurico Gaspar Dutra. O militar matogrossense, que fora ministro de Getúlio, desejava ver-se sucedido pelo político mineiro Cristiano Machado. Um e outro eram filiados ao Partido Social Democrático, o PSD imaginado pelo próprio Vargas e dirigido por Amaral Peixoto. Este, nada menos que genro do líder gaúcho, casado com a - tem-se dito - eminência parda do chefe do governo que Dutra sucedeu. Cristiano contava atrair os eleitores de Vargas, à altura em que o caudilho dos Pampas já entrava na disputa. E se preparava para limpar a imagem ditatorial cultivada pela direita de então. A rigor, não era o autoritarismo de Getúlio que incomodava seus adversários. As concessões, conquistas algumas, aos trabalhadores e aos pobres do País, como hoje, não podiam conviver com a intolerância e a exploração do trabalho alheio. O resultado da eleição, com a debandada dos eleitores pessedistas para o lado do líder trabalhista, devolveu a este sua sala no Palácio do Catete. Eduardo Gomes e seu vice Odilon Braga ficaram em segundo. Ao experimentado político mineiro nascido em Sabará restou a terceira posição. E a ocupação do posto de embaixador brasileiro, no Vaticano. Nenhum lugar seria mais adequado, depois da cristianização do candidato. Lá, onde tem sede a Igreja de Cristo, o representante brasileiro morreu, em 1953.


 
 
 

O chamado Polo Industrial de Manaus bateu recorde de faturamento este ano. De janeiro a outubro, alcançou a soma de 189,53 bilhões de reais ou 33,93

bilhões de dólares, gerando 131,227 empregos, entre efetivos, temporários e terceirizados. Até o fim do ano, o faturamento deverá passar dos 200 bilhões de reais.

A Suframa comemora. Os empresários comemoram, o governo do estado comemora. O prefeito de Manaus, que adora fazer festa com o dinheiro alheio, comemora no Caribe.

Manaus não tem muito o que comemorar.

A média salarial do Distrito Industrial é de pouco mais de dois salários mínimos (R$ 3.685,68). 58,51% dos contratados diretamente pelas empresas do PIM recebem até dois salários mínimos, ou seja, 3.036 reais. Essa massa cresceu este ano, em relação a 2024. Foi de 56,51% para 58,51%, segundo a Suframa.

O Polo Industrial de Manaus gasta entre 4% a 7% do seu faturamento com salários dos trabalhadores. Os recordes de ganhos das empresas não representam nada de melhoria salarial para aqueles que produzem a riqueza.

Nesse quadro de profunda exploração, Manaus aparece como a concubina espoliada pelo rufião que chegou no zepelim gigante.

Manaus tem o pior rendimento familiar per capita entre todas as capitais do Brasil (R$ 1.502) Esse indicador revela a média de renda por pessoa e o seu poder de compra. Tem o segundo menor rendimento médio do trabalho. Caiu de R$ 2.904 em 2023 para R$ 2.684 em 2024. A taxa de desocupação é de 10,3%, maior do que a nacional.

Os números são da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE.

A nossa vilipendiada Manaus, onde as multinacionais faturam mais de 200 bilhões de reais por ano, tem a quarta maior favela do Brasil, a Cidade de Deus, com mais de 55 mil habitantes.

A taxa de pobreza aqui é de 62,3%.

Das 400 mil moradias em favelas, 55.692 não têm ligação de água. 40,1% dos moradores dessas comunidades se declararam pretos, 35,5% brancos e 37,1% pardos.

Defender o modelo zona franca de Manaus sem debater essas desigualdades é jogar o problema para debaixo do tapete. É cínico. Não é possível tratar empregos como migalhas, enquanto uma elite se refestela na grana às custas do trabalho alheio.

0 modelo não passa das 130 mil vagas de trabalho, mas seus lucros exorbitam todo ano, enquanto o povo manauara sofre com insegurança alimentar, morando em locais insalubres ou pendurados em barrancos, morrendo a cada chuva.

Já passou da hora de dar mais responsabilidade social para as empresas do distrito industrial. Com a palavra o futuro governador do estado, pois o atual não tem condições morais e nem compromisso para defender a nossa gente.


Lúcio Carril

Sociologo

 
 
 

Aluno da psicóloga Riva Bauzer, dela ouvi, faz quase 60 anos, que a pessoa não vale pelo que sabe, mas pelo que faz com o que sabe. Quando nada sabe, o que se pode esperar dela? Dá até para achar que, mantido sem liberdade, dormindo e comendo às custas de nosso tributo, ao insciente terá sido dado um prêmio. As carapuças foram lançadas! Apanhem-nas os mais habilitados!

 
 
 
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