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  Samuel Hanan**



É preciso dizer com todas as letras: os três poderes da República e suas mais importantes instituições sucumbiram. Não se trata de discurso eleitoral ou indignação seletiva, mas da grave realidade de uma nação à deriva e atolada na lama da corrupção. Honra, ética, respeito ao dinheiro público e à democracia foram abandonados. A transparência foi sufocada pela blindagem das mais altas autoridades do país, investigadas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Supremo Tribunal Federal (STF).

 Os escândalos acumulam-se e revelam uma degradação moral sem precedentes, atingindo agora o Poder Judiciário. Ninguém escapa: nem idosos, deficientes, pensionistas ou beneficiários do INSS que sobrevivem com um mísero salário-mínimo. A crueldade não encontra limites.

 O mais recente escândalo, o do Banco Master, escancara o envolvimento da elite política e institucional em um rombo recorde de R$ 85 bilhões. O esquema lesou fundos de pensão e bancos estaduais, articulado por um único banqueiro que cooptou governadores, ministros, membros do Banco Central, congressistas e o topo do Ministério Público Federal. Uma rede regada a luxos e contratos milionários que lembra a célebre frase de Ulysses Guimarães: o cadáver foi aberto e está fedendo.

 Diante disso, o que esperam as forças vivas da sociedade — OAB, entidades intelectuais, sindicatos, empresários e a imprensa? A corrupção atingiu um nível insuportável de impunidade. É preciso estancar a sangria e punir todos os responsáveis com o rigor da lei, independentemente do cargo. Este não pode continuar sendo o país dos intocáveis.

 É urgente enfrentar as causas desse colapso, a começar pelo instituto da reeleição no Executivo. A reeleição mostrou-se desastrosa: o governante assume pensando no próximo mandato, substituindo o governo de coalizão por governos de cooptação, onde o "toma-lá-dá-cá" virou moeda corrente.

 Enquanto isso, a conta é paga por mais de 100 milhões de brasileiros empobrecidos. São 60 milhões sofrendo com a corrosão inflacionária do Bolsa Família e a mudança na fórmula do salário-mínimo, sob o pretexto de uma austeridade fiscal fictícia diante de um déficit de R$ 1 trilhão ao ano. O dinheiro da corrupção engorda o patrimônio dos corruptos enquanto a desigualdade social se aprofunda.

 O Brasil não merece esse destino e ninguém pode se omitir. Ao cidadão comum cabe mais do que rezar: nas urnas, o poder de cada voto é rigorosamente igual ao dos intocáveis. Os cidadãos de bem somam mais de 200 milhões — e a mudança está em suas mãos.

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 *O autor do texto nem precisou dar nome aos bois. O mais ousado deles apresenta-se no trecho em que Hanan trata do caso Vorcaro. Mais lamentável, porém, é o aliado do suposto dono do Mundo aspirar à Presidência. Como Joaquim Silvério dos Reis e cabo Anselmo, o xerimbabo de Trump foi longe demais...

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**Samuel Hanan é engenheiro com especialização nas áreas de macroeconomia, administração de empresas e finanças, empresário, e foi vice-governador do Amazonas (1999-2002). Autor dos livros “Brasil, um país à deriva”, “Caminhos para um país sem rumo” e “Amazônia Brasileira, preservar para viver, responsabilidade mundial”

 
 
 
há 4 dias
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É direito de qualquer cidadão, como o é de organizações não-criminosas (quem sabe até de outras) participar ou não de atividades que lhes são propostas. Tanto quanto, de suspendê-las. Dos membros do Poder Judiciário, mais que direito, é dever funcional o de responder à prestação jurisdicional que a Constituição lhes atribui. Qualquer tentativa de ignorar ou menosprezar essas circunstâncias enseja supor hostilidade proposital contra a ordem jurídica. Invalida, portanto, o suposto interesse pela tão proclamada insegurança jurídica.

 
 
 
há 4 dias
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Se a eleição do Papa despertasse tanto o interesse dos cidadãos brasileiros, dificilmente seria maior que a transformação de um fenômeno, de político para religioso. A tal ponto, que evangélico posa com imagem de santa no colo, tentando impor o cinza que esconde a realidade.

 
 
 
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