


O tempo de vida tem me proporcionado alegria e tristeza. É assim com todo mundo. Tem dia de sorriso e tem dia de choro. Às vezes, o choro é de alegria, mas nesse mundo de violência, ele se tornou um parceiro de superação da tristeza.
Se choro, fico bem. Seja de alegria ou de tristeza. As lagrimas são companheiras presentes na vida.
Hoje, ouvi relato de dor de uma amiga. Chorei de indignação. Uma lágrima discreta, porque ainda guardo, lá no fundo, aquela história de que homem não chora. Tenho vergonha de falar isso, no entanto, teria mais vergonha de não falar.
Choro quase todos os dias. Choro com os crimes bárbaros contra as mulheres. Choro com o cãozinho resgatado por gente boa que se dedica a isso. Choro pelo reconhecimento do professor pelos alunos.
Meu choro com a violência é um choro de indignação. Soluço. Sozinho no quarto, vivo a revolta com a miséria humana.
Tem dia que fico pensando na sorte que tive com minhas filhas. São mulheres de bem. Mas quando imagino a possibilidade delas serem agredidas na rua porque são mulheres, choro. Isso acontece quando vejo a violência de gênero explodir no dia a dia.
Viver não é fácil. Quando a gente constrói sensibilidade a vida fica mais difícil. Não sei se seria legal a alienação, se ignorar a realidade seria um caminho de autoproteção. Poderia até ser, mas se um dia eu descobrisse que fugi, nem imagino o horror que seria na minha consciência.
A verdade é que a realidade tem nos massacrado. Mas temos que enfrentá-la, recriá-la, construir uma outra realidade, com amor e tolerância. Precisamos edificar um mundo sem violência.
É um sonho? Claro que sim. Quem não sonha com o amor tá ferrado.
Sei que você está achando desse texto um relato de desespero e tristeza. É isso mesmo. Estou desesperado. A realidade tem me causado dor. Só não causa mais dor porque luto. Não me resigno ao descaso. Grito.
Vamos juntos enfrentar esse horror que o ser humano tem se imergido. A gente pode fazer a primavera chegar.
Como não se desesperar com o rosto desfigurado de uma mulher pelo marido ricaço da Faria Lima? Não seria a miséria a causa da violência?
Não. Não é a miséria a causa. Ela é consequência e a violência do ricaço é a matriz de todo horror que vivemos. Esse é meu desespero. É um desespero contra essa realidade.
*Lúcio Carril
Sociólogo
28 de agosto de 2026
Esperar que o candidato a capitão-do mato ontem entrevistado pela Globo dissesse algo diferente do que disse, na entrevista a Renata Vasconcelos e César Tralli, seria admitir que de fezes humanas se faço néam pratos deliciosos. Afinal, insumos, por mais processados e elaborados que sejam, não se desligaram totalmente do que deles resulta. Como ninguém dá o que não tem, o zero-hum-á-esquerda não tinha - como não tem - o mínimo conhecimento de qualquer dos mais importantes e recorrentes problemas com que convive a maioria da população brasileira. Em suma, até nisso a limitação de conhecimentos e as péssimas intenções de que é portador justificam a expressão nem sempre fiel filho de peixe, peixinho é. No caso dele, vê-lo chegar ao Senado só faz sentido se observada a chegada à Presidência, em 2018, de uma pessoa (?) que teria recebido mais que o próprio mérito autorizaria, se guindado ao cargo de chefe de segurança do mais reles e infecto prostíbulo do meretrício. Há, porém uma só novidade a registrar: desta vez, o candidato a capitão-do-mato não desmaiou.
