- Professor Seráfico

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Bilionário, Luciano Huck usou retórica arrogante, habitual para quem acha que sabe tudo, para criticar o Bolsa Família, principal programa social do governo Lula. Num evento público, Huck disse que o pobre cria “atalhos” para continuar dependendo do dinheiro do Estado, “ad aeternun” (sua expressão).
Para quem financiou um jato com recursos do BNDES ($ 17,7 milhões, a juros subsidiados, 3% ao ano, pelo banco público), e ganha fortunas viciando milhões de pessoas em jogos on-line, soa hipócrita, no mínimo, falar que pessoas em situação de miséria querem continuar o resto da vida na pobreza, recebendo $ 600,00 por família.
Mas não foi só petulância e determinação de golpear Lula, que marcaram a fala errática de Huck, foi ignorância. Apanhou tanto nas redes sociais, que tentou se corrigir, no Instagram, explicando que não disse o que disse. Primeiro, que estava num evento fechado, o que não minimiza a crítica descabida. Ainda assim, era mentira. Havia no local mais de 100 pessoas. Segundo, que não defende o fim da Bolsa Família, mas sua constante avaliação. Huck nem sabe o que diz.
O Bolsa Família é permanentemente avaliado pelo FMI, Banco Mundial, FGV, IPEA, e os Ministérios envolvidos no programa. Cada R$ 1,00 investido pelo Bolsa Família gera R$ 1,78 no PIB. Cerca de 60% das famílias beneficiadas em 2014 saíram do programa até 2025. Essa é a realidade. Quem haveria de querer permanecer na miséria para ganhar $600 por família?
Ao destilar seu veneno eleitoral, Huck ignorou que, em 2024, o Brasil saiu do mapa da fome, meta chancelada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. A fome severa no Brasil caiu ao menor patamar, 2,5% da nossa população. Ainda assim, a fome atinge hoje um número preocupante de pessoas em situação de extrema pobreza, 6,5 milhões de brasileiros.
Luciano Huck tem fortuna avaliada em R$ 1 bilhão, salário de R$ 4 milhões ao mês, fora investimentos, publicidades e sociedades empresariais, inclusive ou principalmente o mercado de jogos online. Não gosta do Bolsa Familia, mas ama Bets. Vende sem vergonha para as famílias de baixa renda (os ricos jogam em outros ambientes). Ao estimular apostadores, deixa claro quanto está preocupado com o presente ou o futuro dessas pessoas.
Já se sabe que jogos geram prática descontrolada de apostas, criam dependência química semelhante à de drogas, destroem orçamentos familiares, causam graves prejuízos financeiros. Isso, quando se tem dinheiro.
Mas o problema é o Bolsa Familia.
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*Mirian Guaraciaba, jornalista, editada no blogue do Noblat, portal Metrópoles.


