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...o dia já vem raiando, meu bem/e eu tenho que ir embora. Esse é trecho da interessante letra de uma canção criada pelo mexicano Quirino Mendoza y Cortés, em 1882, e popularizada por seu compatrício Pedro Infante. Chama-se Cielito Lindo e se torna sugestiva, mais uma vez. Já não apenas cantando a despedida de um casal de enamorados, como tantas outras que conhecemos, neste país de tantos e belos ritmos e canções. O Trem das Onze, de Adoniran Barbosa trata da mesma desventura, a do abandono e da ausência. Agora, os brasileiros parecemos mais próximos de conhecer a hipocrisia condutora de nossa política. Tudo indica que o aventureiro Daniel Vorcaro, devidamente posto na prisão, onde se espera passe muitos anos mais, concluído o devido processo legal, dará nome aos bois, vacas e assemelhados com os quais se acumpliciou. Não ficarão de fora - espera-se - os que patrocinaram sua entrada nos caminhos da delinquência, estimularam suas atividades criminosas, tentaram ou conseguiam proteger seus sujos negócios, tanto quanto aqueles que dele receberam os benefícios ainda por apurar em toda a sua extensão. E valor, óbvio! No passado recente, ainda não se havia completado o juízo que acompanha a prática dos banqueiros (os verdadeiros e os presumidos), os únicos profissionais dos quais se dispensa um centavo próprio, para montar seu negócio. Quando a atividade depende das autoridades públicas, dos meios de comunicação e da cobertura parlamentar, esses usurários não medem esforços. De seus bem abarrotados cofres provém a dinheirama que leva os aventureiros à vida nababesca e perdulária, além de agressiva e marginal. Tudo aquilo que Deus, pátria e família, deveriam condenar e coibir. No entanto, o lema é aplicado no sentido inverso ao que pretende incutir na mente dos desavisados. Se as galinhas mencionadas por Teori Zavasky já não vêm em seguida a mais uma pena arrancada, nem mesmo os avestruzes são capazes de dar a dimensão dos crimes. Talvez pterodáctilos passem a ser vistos no Planalto e arredores que podem medir mais de 8.000km quadrados. Jurássicos, podem fazer das penitenciárias seu ambiente quase natural...

 
 
 

Marcelo Seráfico e José Alcimar*

 

  Nós pedimos com insistência: Não digam nunca: isso é natural!

Diante dos acontecimentos de cada dia. 

Numa época em que reina a confusão,

Em que corre sangue,

Em que se ordena a desordem, 

Em que o arbítrio tem força de lei, 

Em que a humanidade se desumaniza,  Não digam nunca: isso é natural! (Bertolt Brecht).

 

               Não é incomum que interpretações da realidade feitas a partir de perspectivas teóricas distintas, cheguem a conclusões muito semelhantes, sobretudo quando estamos diante de inteligências que se movem por caminhos dialéticos e pensam o mundo e suas contradições cientes de que a produção de conceitos jamais pode ser presidida pelo ideal positivista de reduplicação mecânica dos objetos, sejam estes oriundos do mundo objetivo das coisas, do mundo subjetivo dos indivíduos ou do mundo das relações sociais.   Um desses casos é o problema que levou as geniais inteligências de Karl Marx e Max Weber a entender a “gênese do capitalismo”, isto é, a explicação e compreensão do modo pelo qual se generalizaram as relações sociais de produção capitalistas e a ação social racional com relação ao fim de lucrar, respectivamente.   

               Pretendemos, aqui, chamar a atenção apenas para um aspecto das conclusões decorrentes da complexa interpretação proposta por esses intelectuais, aquele atinente ao que poderíamos qualificar como “extravio da ação consciente do indivíduo”, processo através do qual a racionalidade de toda a ação se desvia de qualquer sentido subjetivo e se converte em mera realização de um fim objetivo – a geração de lucros – alheio aos interesses e às possibilidades reais de o indivíduo se realizar nele. Hegel, guiado pela ideia de que a história é, em última instância, conduzida pelo espírito absoluto, e que razão e revolução inerentemente se implicam – o que concorreria para levar a humanidade ao patamar de uma sociedade civil forjada pela eticidade do Estado – jamais imaginaria que sob as relações sociais capitalistas é a contrarrevolução que passa a definir a teleologia da razão. Por vias distintas, Marx e Weber mostram que o espírito absoluto da racionalidade hegeliana foi devidamente enjaulado pela ordem da razão instrumental e pela burocracia produzidas pelo sistema do capital.           

               A partir de diferentes modos de objetivação da produção capitalista Marx e Weber jogam luzes, críticas e dialéticas, sobre a dominação (objetiva e subjetiva) inaugurada pela racionalidade do valor de troca. Assim é que Marx falava da alienação dos indivíduos como um processo de duplo sentido, material e espiritual. Para ele, a exploração cujo resultado era a apropriação pelos proprietários dos meios de produção da mais-valia produzida pelos trabalhadores, tinha como contraponto uma falsa consciência dos explorados sobre as causas de sua condição social. Privados dos meios para a reflexão crítica e bombardeados pela ideologia da classe dominante, os trabalhadores não podiam entender racionalmente as relações sociais que produziam o mundo em que viviam e a particularidade de sua própria condição nele. 

               Isso que para Marx aparece como alienação, em Weber é visto como racionalização, como uma lógica de organização da vida social encerrada na métrica da eficiência atrelada a um fim. Quando o sentido da ação social, isto é, da ação de uns indivíduos em relação aos outros, se guia pelo fim da lucratividade, que é o que predomina nas sociedades capitalistas, um mesmo "espírito" guia todos, convertendo todos em capitalistas, ainda que poucos sejam os proprietários dos meios de produção. Esse espírito se converte em uma jaula de ferro! expressão do próprio Weber. Os indivíduos e grupos vivem e organizam suas vidas de acordo com uma lógica formalmente adequada ao fim da economia capitalista, de acordo com a dinâmica da oferta e da procura no mercado, mas substantivamente desconectada dos outros fins norteadores de nossa ação. 

               Daí que, das duas uma, modifica-se o fim econômico ou modificam-se os fins das outras esferas da vida (afetiva, religiosa, acadêmica, artística etc.). A opção B predomina... e se revela inadequada, como revelam todos, absolutamente todos os indicadores que se queira considerar, para promover uma sociedade assentada nos ideais burgueses da igualdade, da liberdade e da fraternidade. Weber chamou de burocracia ao tipo de dominação típico das relações sociais capitalistas.  

               Ocupados de decifrar as vias pelas quais da revolução seria parida uma nova ordem, Lenin e Trotsky tinham plena consciência de que a dominação burocrática não era um fenômeno estritamente capitalista. Com suas hierarquias, formas de distribuição de status e poder, portanto, a burocracia, juntamente com a propriedade feudal, era um entrave a qualquer projeto de democratização e de socialismo democrático.

               Daí se porem o problema de como organizar democraticamente uma sociedade pós-revolucionária que herdara um Estado constituído em bases feudais. Passado o período revolucionário, Stálin deu as cartas e burocratizou o partido por dentro do Estado. Quando Orwell escreveu 1984, fez uma crítica à burocracia que serve, até hoje, como referência para pensar o socialismo real e o capitalismo real, quisesse ele ou não. Cabe perguntar: mantida a dominação burocrática é possível vivermos numa sociedade democrática? É possível fazer com que a burocracia aja com fins democráticos? Como? É possível haver democracia em sociedades capitalistas? É possível haver democracia em sociedades socialistas, tais quais as conhecemos?   

               Quando autores dos séculos XVIII e XIX falavam de socialismo, faziam-no pensando em mudar as formas de dominação e exploração do trabalho; uma mudança que incluía a vida material e espiritual dos indivíduos, considerando as conquistas passadas. Ou seja, como a nova sociedade, a síntese entre o passado e o presente poderia ser traduzida num futuro que rompia com as travas à existência de uma sociedade igualitária, livre e fraterna?  

               Esse problema permanece, mas ainda não fomos capazes de, entendendo o passado e o presente, semear o futuro. Continuamos a nos guiar por métodos anacrônicos. Mas se temos clareza do problema, já temos meio caminho andado para a resposta. O hábito, segundo Hegel, é um agir sem oposição. Presos à jaula de ferro da crítica weberiana, submetidos à vida calculada e ao poder abrangente da burocracia, os indivíduos tendem a naturalizar a dominação e sucumbir à ordem do existente. Não haverá saída da jaula weberiana sem o método marxiano da luta de classes. O risco de não dar materialidade à resposta que nos cabe pensar e organizar é o de não haver mais tempo. Afinal, que futuro espreita pessoas adoecidas, entorpecidas, cansadas ou mortas?   

 

* Professores dos Departamentos de Ciências Sociais e de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas. Em Manaus, AM, março de 2026.   

 
 
 

À humanidade inteira, às mães do mundo, aos médicos sem fronteiras, aos jornalistas com dignidade, aos governos que ainda acreditam na justiça: Meu nome é milhões. Não tenho apelidos conhecidos nem acusações importantes. Eu sou uma cubana comum. Uma filha, uma irmã, uma patriota. E eu escrevo isto com a alma rasgada e as mãos tremendo, porque o que meu povo vive hoje não é uma crise. É um assassinato lento, calculado e friamente executado a partir de Washington. E o mundo olha para o outro lado.

DENÚNCIA PELOS MEUS AVÓS: Denuncio que em Cuba há idosos que morrem cedo porque o bloqueio impede que cheguem medicamentos para o coração, pressão, diabetes. Não é falta de recursos. É proibição deliberada. Empresas que querem vender a Cuba são multadas, perseguidas, ameaçadas. Seus governos estão calados. E enquanto isso, um avô cubano aperta o peito e espera. A morte não avisa. O bloqueio sim. DENÚNCIA PELOS MEUS FILHOS: Denuncio que há incubadoras em Cuba que devem ter sido desligadas por falta de combustível. Que há recém-nascidos lutando pela sua vida enquanto o governo dos EUA decide quais países podem nos vender petróleo e quais não podem. Que há mães cubanas que viram a vida dos seus filhos ameaçar porque uma ordem assinada em um escritório de Washington vale mais do que o choro de um bebê a 90 milhas da sua costa. Onde está a comunidade internacional? Onde estão as organizações que tanto defendem a infância? Ou as crianças cubanas não merecem viver?

DENUNCIA POR FOME INTENCIONAL: Eu denuncio que o bloqueio é fome programada. Não é que falte comida só porque sim. É que eles nos impedem de comprá-la. É que navios com comida são perseguidos. As transações bancárias são bloqueadas. É que as empresas que nos vendem grãos, frango, leite são sancionadas. A fome em Cuba não é um acidente. É uma política de Estado do governo dos EUA, refinada por 60 anos, atualizada por cada administração, recrudescida por Donald Trump e executada com sanha por Marco Rubio. Eles chamam a isto "pressão económica". Eu chamo de terrorismo com fome.

DENÚNCIA PELOS MEUS MÉDICOS: Denuncio que nossos médicos, os mesmos que salvaram vidas na pandemia enquanto o mundo inteiro desmoronou, hoje não tem seringas, nem anestesia, nem equipamento de raio-X. Não porque não saibamos produzi-los. Não porque não tenhamos talento. Mas porque o bloqueio nos impede de aceder a insumos, peças, tecnologia. Nossos cientistas criaram cinco vacinas contra a COVID-19. Cinco. Sem ajuda de ninguém Contra vento e maré. Contra bloqueio e mentiras. E ainda assim, o império nos castiga por termos conseguido.

AO MUNDO EU DIGO: Cuba não lhes pede esmola. Cuba não lhes pede soldados. Cuba não lhes pede que nos amem. Cuba pede justiça. Nada mais. Nada menos. Peço que parem de normalizar o sofrimento do meu povo. Peço que chamem o bloqueio pelo nome: CRIME DE LESA HUMANIDADE. Peço-lhes que não se deixem enganar pelo conto do "diálogo" e da "democracia" enquanto nos apertam o pescoço. No queremos caridad. Queremos que nos DEJEN VIVIR.

Aos governos cúmplices que se calam: A história vai dar-lhes conta. Para a mídia que mente: A verdade sempre encontra fendas. Aos carrascos que assinam sanções: O povo cubano não esquece e não perdoa. Aos que ainda tem humanidade no peito: Olhem para Cuba. Vejam o que lhe estão a fazer. E pergunte a si mesmo: De que lado da história eu quero estar? Desta pequena ilha, com uma cidade gigante, Uma cubana a pé que se recusa a render.

SE ESTE TEXTO TE MOVIMENTOU POR DENTRO, COMPARTILHE. Não me importo se você tem 10 amigos ou 10 mil seguidores. Não me importo se o seu muro é público ou privado. Não me importo se você nunca compartilha nada. Mas isto é diferente. Isto não é uma foto de um pôr do sol. Isto não é uma notícia de espectáculo. Isto não é mais uma opinião. Isso é um GRITO. E os gritos não se guardam. OUVINDO. Eles se REPLICAM. TORNAM-SE MULTIDÃO Não estou pedindo um curtida hoje. Peço-te que uses os teus polegares para algo maior do que deslocar a tela. COMPARTE. Para que o mundo saiba que em Cuba não há crise. Há um CRIME. Para que as mães de outros países saibam que aqui tem bebês lutando em incubadoras apagadas pelo bloqueio. Para que os avós de outras terras saibam que aqui há idosos que morrem esperando medicamentos que Washington não deixa entrar. Para que os governos cúmplices sintam vergonha. Para que a mídia mentirosa não tenha como fugir. Para que os carrascos saibam que

NÃO NOS CALAMOS. Uma pessoa compartilhando isso não muda o mundo. Milhas, milones, SÍ. Não fique com este texto salvo. Não seja cúmplice do silêncio.

FAÇA ESSA DENÚNCIA VAI MAIS LONGE QUE O BLOQUEIO. COMPARTILHE. Agora.



 
 
 
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