A chapa esquenta
- Professor Seráfico

- 25 de fev.
- 2 min de leitura
Começa a esquentar a chapa onde se fritam as candidaturas. Antigos aliados deixam mais transparentes os propósitos que os animam, mesmo que já tenham alguns conseguido multiplicar seus ganhos, a ponto de as transformar em fortunas. Outros tratam de afastar-se de antigos aliados, eis que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Lei da física, sempre há os que tentam, sem êxito, produzir esse efeito milagroso. O resultado sempre levou à formação de grupos solidários no saque aos cofres públicos e na condenação da população à fome, à miséria, à morte por doenças preveníveis, à renúncia ao que o ser humano teria de mais meritório - a dignidade. Há, ainda, os que, inspirados em poema de Augusto dos Anjos, lançam seu cuspe apostemado sobre as mãos que lhes afagaram e o empurraram para cima da pirâmide social. A disputa já está nas ruas, sendo certa a repetição de episódios por demais conhecidos e reconhecidos, parte da trágica trajetória de que contumazes e recorrentes protagonistas são os que a produziram. Pode-se testemunhar, desde cedo, quanto chumbo grosso está abarrotando os paióis dos grupos envolvidos na disputa. Por enquanto, a indiscrição dos interessados nos votos é contida, menos pelo respeito à dignidade dos eleitores ou convicção democrática. É preciso reunir forças para enfrentar o atual (aqui, a expressão é exata, porque no futuro - que pode ser o dia seguinte - tudo estará mudado) adversário, mesmo à custa da disseminação de mentiras e falsidades, às vezes sugestivas apenas de que onde há fumaça, há fogo. Mais uma vez, a sabedoria popular fazendo válida e legitimando sua sentença: o povo aumenta, mas não inventa. Nunca será demais lembrar que Al Capone foi derrotado sem que qualquer tiro fosse disparado. Levou-o pro vinagre o Imposto de Renda. Aqui, os domadores de leões parecem ter êxito que seus colegas abrigados sob a lona dos circos não encontram. Não raro - ou quase nunca - o crítico de tudo e de todos é avesso ao pagamento dos tributos. Que os paguem os outros cidadãos, onerados antes mesmo de lhes chegar á conta bancária o primeiro dos centavos ganhos com o próprio suor, às vezes até o sangue. Os eleitores, desmemoriados por doença, má fé ou cumplicidade, acabam se deixando envolver no script da tragédia. Ou desta vez será diferente? Esperemos, para conferir.

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