Voo baixo
- Professor Seráfico

- há 9 minutos
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Desde cedo, tive minha atenção despertada para as formas e o conteúdo da expressão humana. Ao longo da extensa trajetória que me ofereceu a oportunidade de atuar em vários meios de comunicação, acabei por apreciar os que fazem da linguagem um dos mais evidentes e significativos característicos da condição humana. Da atuação em periódico estudantil de quatro páginas e manuscrito, à apresentação de programa de entrevistas na televisão, não me faltou a oportunidade de fazer uso da linguagem em outros meios de comunicação. Boletins internos, jornais impressos, revistas, emissoras de rádio contaram, nas últimas sete décadas, com minha participação. Já nem conto o período em que atuei no magistério superior, mais de 3 décadas. Pude, então, acumular conhecimentos que facilitam a observação do uso das muitas formas de linguagem, e do conteúdo que lhes corresponde. Daí, meu interesse pela audiência e a leitura da expressão produzida, especialmente por dois segmentos da sociedade - os profissionais da comunicação e os políticos. Destes, ocupo-me agora do candidato à Presidência da República, Romeu Zema, entrevistado ontem na GloboNews. Como a grande maioria dos seus correligionários, nada de novo foi trazido pelo ex-governador mineiro. A não ser o traje, normalmente restrito a uma camisa de manga comprida, Zema repetiu a imagem projetada desde que mereceu a atenção dos meios de comunicação. Sua percepção do Universo parece restrita ao Estado de Minas Gerais, mesmo se lá ele deixa dívida pública superior à que recebeu. É transparente sua ignorância a respeito do Brasil. Esse aspecto, todavia, parece não vir preocupando Zema e seu entorno. Conhecer o Brasil, no caso, seria reservar tempo para conhecer as peculiaridades de cada região, com viagens interestaduais e com a leitura da extraordinária e abundante literatura existente. Neste capítulo, ninguém seria capaz de apostar que Zema vá além do Diário, do Caixa e do Razão. Pode até mostrar-se surpreendente o fato de tal figura ter chegado ao Palácio da Liberdade. Lá está o limite do seu voo.

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