INPA na praça
- Professor Seráfico

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Quando for escrita - porque isso cada dia mais se mostra necessário - a história do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA há de revelar com clareza os estágios por que passou a instituição, até alcançar o justo reconhecimento da sociedade. Uma resposta às ameaças cheias de cobiça pelas riquezas da Região, como o denunciou o professor Arthur César Ferreira Reis, ao INPA nem sempre foi reservado o lugar merecido por sua relevância na produção de conhecimento cientifico. Menos ainda, como instância capaz de fornecer aos governos e agências públicas e particulares fundados e consistentes subsídios às políticas públicas. Pelo menos, no que concerne, especialmente, às potencialidades que a natureza oferece, tanto nas terras firmes, quanto na intrincada rede fluvial que a caracteriza. Revelar esse potencial e colocar-se à disposição das autoridades, em qualquer de suas instâncias, têm sido o maior propósito do INPA. Nem sempre, é de justiça dizer-se, esse propósito tem considerado sobretudo os interesses dos amazônidas, menos pelo desempenho de seus pesquisadores, que pelos compromissos em nada convergentes com as necessidades da população local, que não poupou mesmo alguns dos dirigentes do órgão, ao longo das décadas passadas. Por isso, se não cabe jogar pedras naqueles que frustraram as justas expectativas dos fundadores do Instituto, é obrigatório nomear os que, atentos às advertências de Arthur Reis, conduziram à posição hoje desfrutada pelo órgão, em escala planetária. Corro o risco do esquecimento, desde logo me penitenciando por isso, ao mencionar dirigentes com quem tive a feliz oportunidade de dialogar, nos 19 anos em que dirigi a Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera - FDB, 1995-2014. Uns mais, outros menos, foram diretores devotados a cumprir o sublime compromisso com a população amazônica, fonte, em última análise, geradora do próprio Instituto. José Seixas Lourenço, por exemplo, tirou as vendas que impediam a própria comunidade científica de perceber e admitir qual o verdadeiro papel do INPA, em relação à sociedade da Amazônia. A criação do Bosque da Ciência, neste caso, dota-se de enorme simbolismo, traduzido no fato de, passados 31 anos, ter-se constituído num dos mais importantes locais de visitação de habitantes da cidade e do Estado e turistas, brasileiros e estrangeiros. Warwick Kerr, Adalberto Luiz Val, como havia feito antes Djalma Batista, elevaram o respeito do INPA, quer pelo estímulo dado à comunidade por eles dirigida, quer pela prioridade dada à formação de pesquisadores e cientistas e à ampliação do parque cientifico da instituição. Henrique Pereira, hoje o diretor, segue a mesma conduta. Por isso, neste domingo, a população de Manaus poderá perceber o mérito do INPA, na produção de conhecimento científico e na crescente aproximação com os habitantes da Amazônia; os que vivem às margens dos rios, nas terras mais elevadas, nas aldeias indígenas e nos locais mais escondidos da imensa planície. Para isso, intensa e extensa programação será executada no Largo de São Sebastião, centro histórico de Manaus.

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