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Antropofagia eleitoral

16 de ago.
2 min de leitura

O tiroteio está em pleno curso, mas hã quem diga que a campanha eleitoral ainda não começou. Mais uma evidência da prática que estudiosos da Administração chamavam formalismo. Não o estabelecimento de regras e normas aplicáveis a numerosas situações, mas a convivência entre a norma escrita e o comportamento que a ignora. Talvez generosos, quem sabe ingênuos, os observadores do passado (refiro-me aos anos 1960) bem poderiam destacar a marginalidade de tal conduta. Não o fazendo, a prática só tem prosperado. Daí, os candidatos entregam-se à coleta de informações sobre os malfeitos do concorrente, mesmo se para isso se vejam forçados a mentir ou avançar nos costumes ilícitos. Com diferença fundamental, passado mais de meio século. As chamada redes sociais, neste sentido, são a grande novidade. Sendo que alguns não experimentam o menor constrangimento. Mentir e divulgar tanto quanto possível sua mentira é de sua convicção e amoldada ao seu feitio. Às vezes, vocação. A seguir o rumo anunciado, a presença de Lula no segundo turno, se ele não for reeleito no primeiro turno, porá na cena um espetáculo diferente. Cálculos matemáticos e cheio de cifrões entreterão parte dos atores. Outros, qual urubus que sentem o cheiro da carniça, estarão dedicados a verdadeiro exercício de antropofagia eleitoral, se me permitem usar a imagem. Desprovidos de projetos e argumentos, não resistirão ao pescoço exposto pelos concorrentes, para investir como hienas contra o que deles resta em termos de potenciais eleitores. Por enquanto, a campanha está em marcha, a despeito de ainda não aberta oficialmente. Ética, como se sabe, é coisa que qualifica a Política. A política, todavia, não é compatível com pruridos éticos, ainda mais quando preceitos religiosos há muito já foram pelos ares.

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