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Os de Estocolmo

15 de ago.
2 min de leitura

As relações humanas nem sempre correspondem àquilo que se poderia esperar de animais ditos superiores. Se ainda não constituem maioria os que renunciam às qualidades e atributos que os tornam diferentes dos outros animais, a impressão que se tem é a de que não estamos muito distantes disso. Uns atribuirão ao ódio que orienta boa parte da sociedade, o abandono das mais comezinhas características dos seres realmente humanos. Não faltam, porém, os que consideraram o que têm chamado de polarização, como se essa fosse circunstância descabida. Não houvessem interesses contraditórios, sequer a democracia seria necessária. Assim, os que a veem como um mal deixam clara a vocação e a orientação autoritárias, em qualquer hipótese avessa à convivência pacífica que a democracia exige e sem a qual abrem-se espaços de atuação propícios às ditaduras. Quando, ademais, essa aversão aos padrões democráticos ajunta-se ao desamor devotado aos pobres e, pior ainda, liga-se à ausência de amor próprio, até o sentimento de solidariedade é posto em terreno cediço. No extremo, ações e decisões contrárias aos interesses da coletividade de que fazem parte até mesmo os traidores, jamais se pode esperar resultado senão oprobioso. Quando a vítima de um sequestro apaixona-se pelo sequestrador, diz-se dela portadora da síndrome de Estocolmo. A situação de uma nação ameaçada pode levar a manifestações semelhantes. Se a maioria opta por enfrentar o agressor, não se pense impossível encontrar quem prefira a submissão. É o que vemos, em relação à resposta firme do governo brasileiro, ao aplicar a reciprocidade contra o governo dos Estados Unidos da América do Norte. Não há novidade na postura do candidato à Presidência da República (ou pau mandado de Trump). Afinal, o DNA tem seu peso, mesmo na política. A dúvida está em se

considerar a manifestação dele como a síndrome de Estocolmo ou, simplesmente, a revelação em carne e osso do complexo de vira-lata

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