top of page

Os negativistas de toda espécie, frustrados ou dificultado o alcance de seus objetivos, desviam o olhar das coisas mais aparentes. Pior, põem -se a propor e discutir temas à margem do núcleo central dos problemas ostensivos. Encurralados pela evidência dos crimes cometidos por Donald Trump contra a Venezuela e seu povo, tentam distrair a opinião pública mundial para o que será aquele país, quando estiver afinal sob o controle do governo norte-americano. Ou seja, partilham dos mesmos interesses de Trump, aplaudem sua conduta criminosa e - nada surpreendente, pela origem - reivindicam igual tratamento para seu próprio país. Pior, buscam passar por patriotas, ao mesmo tempo em que inventam virtudes de que os objetos de sua adoração e subserviência estão longe de ostentar. Movidos pelas piores intenções e desdenhosos do sofrimento imposto e projetado contra seus compatrícios, fingem ignorar sua próxima inclusão na lista de vítimas que a brutalidade costuma produzir. Quando - e oxalá não aconteça - o Brasil for submetido à mesma sina da Venezuela, responderão com o jargão dos covardes: nada poderia ser feito, eles são mais poderosos. Dirão isso, ao mesmo tempo em que os púlpitos e salões de arrecadação de dinheiro reúnem multidões, louvando a funda usada por Davi, contra o bruto Golias.

 
 
 

O comportamento humano é condicionado por fatores internos e externos. Num certo sentido, algo relacionado ao que Ortega y Gasset chamava circunstâncias. Como a realidade percebida por um, não é a mesma que outro percebe, são diversas também as reações do homem a estímulos aparentemente iguais. Tudo quanto cerca o observador e por ele é apreendido, ao ser interpretado incorpora o que chamaríamos visão de mundo. O contexto, portanto, reúne matéria exterior ao observador; dentro dele, porém, estão o amor e o ódio; a compaixão e o egoísmo; a solidariedade e a hostilidade... Jô Soares, em seu Planeta dos macacos, usava como bordão a frase-título deste comentário. Dizia-a o próprio humorista, transformado em um quase anão, dotado de exacerbado ego. Desejando-se respeitado e reverenciado, incomodavam à personagem o desdém e a hilaridade que ele despertava nos interlocutores. Embora visse seus semelhantes como ainda integrantes da comunidade de símios, que o nome do programa consagra, ele era o menor de todos. Na dimensão física, mas também em muitas outras dimensões. Um perdedor sempre, condição de que decorriam outras, como o sentimento de inferioridade, frequentemente produtor da inveja. Daí ao ódio aos seres realmente humanos e ao Mundo, menos que um passo basta. Saiba-se o leitor livre para fazer sua lista de indivíduos correspondentes à descrição. Quando pensávamos vencida a chamada idade das trevas.

 
 
 

Imagine-se a configuração do Mundo e a política que nele se instala, se um cuidado rotineiro nas empresas e no serviço público fosse levado em conta! Refiro-me ao currículo de vida (curriculum vitae) dos pretendentes ao posto disputado. Nas empresas, como nas outras organizações, da administração pública, inclusive. Certamente, seríamos poupados de testemunhar os asquerosos e inaceitáveis eventos patrocinados, estimulados, financiados e executados sob as ordens de Donald Trump. Seria mais fácil e exitoso desenvolver geopolítica menos lesiva à humanidade e menos ameaçadora, envolvendo todos os continentes. Do que se sabia até poucos meses atrás, já se teria evitado a intranquilidade característica destes primeiros dias pós-invasão da Venezuela e sequestro do Presidente daquela república (bolivariana, diga-se por oportuno) e sua mulher. Nem todos têm a memória tão fraca, a ponto de ignorar decisões anteriores do soba norte-americano, íntimas do desejo de mandar no Mundo, um novo Nero (quem sabe Herodes) disposto a satisfazer todas as suas necessidades, à custa da vida de tantos em países que sele seria incapaz sequer de localizar num mapa-mundi. Aos primeiros aquinhoados com olhos de ver e boa memória, ocorreria de lembrar outros episódios que envolvem o sócio de Benjamin Netanyahu no empreendimento chamado holocausto do povo palestino. A essa lista meramente exemplificativa (porque exauri-la seria dispor de tempo ilimitado) pode-se somar a conduta de Trump, em relação ao Presidente deposto do Panamá, Manuel Noriega e a Sadan Hussein, do Iraque. No caso do primeiro, a acusação de participar de organização criminosa de tráfico de drogas, levou o governo norte-americano, a invadir o país centro-americano e aprisionar o presidente deposto pelas forças norte-americanas. Estávamos em 1989. Mais recentemente (2003), o iraquiano foi enforcado, depois de responder a processo fundamentado em uma das mais abjetas mentiras produzidas pela "inteligência" ianque. Agora mesmo, quando Trump e seus sequazes espalhados pelo Mundo gargalham e festejam o crime cometido, é da boca (suja e infectada) do Presidente dos Estados Unidos da América do Norte que vem o desmentido do que antes ele proclamou como causa da invasão do território que Simón Bolívar conquistou para os lá nascidos: Nicolás Maduro não está envolvido nas organizações que traficam drogas ilícitas, preferidas pelo paladar dos compatrícios do invasor. Noriega, como sabe qualquer pessoa medianamente informada, fora aliado dos Estados Unidos da América do Norte e agente da CIA. Entre o ex-Presidente do Panamá e Nikolás Maduro, o traço de união não é apenas o fato de terem ambos sido presos pelo governo estadunidense, após uma invasão do território do Panamá e Venezuela, e o assassinato de alguns de seus compatrícios (500, na república da Centro-América; 40, ao que se informa, na república bolivariana). Conta na construção da linha do tempo, o dia em que aqueles países foram agredidos por forças norte-americanas - 3 de janeiro, de 1990 e 2025, respectivamente. Em outros países, pretensos enviados das divindades têm alimentado o mesmo apetite pelo poder. Alguns chegam a usar seitas e religiões que lhes asseguram apoio material e completa adesão aos desvalores e propósitos a que se entregam. Mesmo se em seus registros curriculares grande parte corresponda a ações delinquentes, merecedoras por isso das penas previstas na legislação de suas respectivas nações. À falta da análise curricular de indivíduos como Trump e os que a ele se assemelham, vê-se a sociedade humana levada ao risco de conviver com esses necrocratas, uma subespécie da espécie animal dita superior, que a presunção de culpa poderia afastar do convívio sadio entre iguais. Quem sabe não é chegada a hora de, em questões específicas do Direito Penal e Constitucional, ser criado um instituto correspondente, com sinal contrário, à presunção de inocência? Para isso serve o currículo de vida dos interessados.

 
 
 
bottom of page