Pela importância e oportunidade da matéria, a entrevista de Thomaz Nogueira ocupa este espaço. O autor, especialista em Direito Tributário, auditor da SEFAZ-AM e ex-superintendente da SUFRAMA mostra os riscos para a economia amazonense e regional, se Lula perder a eleiçao.

Mais um anúncio, a que não faltam milhares de antecedentes, do que está por vir. Tudo depende da manifestação dos eleitores, dia 25 próximo. Ocorreu com o editor deste blogue, faz alguns minutos. Tratava de divulgar vídeo em que seu neto, advogado recém-formado, chamava a atenção dos internautas para o risco de a proposta de ditadura sobrepor-se nas urnas à manutenção da democracia. A fala de Lucas Seráfico, serena, objetiva, equilibrada talvez em demasia para seus 24 anos, em poucos minutos chegara aos computadores de milhares de cidadãos. Sem uma só palavra ofensiva, sem uma só acusação aos parceiros e beneficiários vinculados a Daniel Vorcaro ou às milícias. O pronunciamento do jovem advogado apenas pede a reflexão dos eleitores a respeito das propostas, por menos explícitas que sejam, também lembrando das responsabilidades de cada um. Se escolherem o candidato que rejeita os valores fundamentais da democracia, amanhã não poderão queixar-se. Não houvesse alternativa, escolher o candidato ao posto de ditador ainda assim poderia se rejeitado. Bastaria os votos nulos e em branco serem maiores que os que o beneficiariam. Não é o caso, porém. Quais sejam as restrições que se levantem contra Lula, o significado do segundo turno tem como dilema principal a ditadura versus a democracia. Com esta, o desrespeito aos direitos da minoria, a hostilidade à educação e à ciência, a prevalência do interesse dos mais ricos contra a preocupação e o interesse dos mais pobres. E - quem sabe, de novo! - a exaltação da tortura, da morte e do desaparecimento de pessoas como regra a pretextar odiosas politicas de estado. Nada mais que isso, em linguagem adequada, semblante sereno, palavras sensatas, Lucas Seráfico pôs na sua fala. Enviadas as primeiras centenas de mensagem, por este mesmo computador à frente do qual está agora o editor do blogue, interrompeu-se a tarefa do avô orgulhoso. Mensagem vinda automaticamente informava estarem suspensos os serviços, pela plataforma que o acolhe e pelo qual o editor paga. Como um passo a mais, no processo que pode levar o Brasil à repetição do período mais trágico de sua História - 1964-1983. É disso que o 2º turno trata: democracia ou ditadura.
Em nenhum outro momento de sua trajetória, o povo brasileiro esteve diante de dilema de tal gravidade. Coloca-o, a circunstância de voltarmos às urnas, no turno terminal da eleição presidencial. Aristóteles, que vê no homem um ser essencialmente político, forneceu a chave que estabelece a diferença entre o dito animal superior e os outros animais. Ao instinto de que também dispõe, o homem acrescenta o livre arbítrio, que faz emergir como condição superlativa, a vontade. Daí justificar-se plenamente a Política como arena e espaço onde a vontade se expressa, individual ou coletivamente. Assim, é ao homem atribuída a mais importante das funções políticas – a construção da sociedade, em um devir permanente. A democracia possibilita o exercício da vontade humana, segundo os valores que a maioria entende superiores. Se Voltaire for lembrado, interessam pouco as convicções que negam o direito de terceiros, diante do direito de todos os demais. Só a democracia pode cuidar do equilíbrio entre vozes discordantes, à altura da dignidade e da humanidade dos protagonistas, de um e todos nós. Aí é que se estabelece o dilema que 25 de outubro resolverá: participar dignamente da ida às urnas, depositando nelas a força da soberania e do amor próprio e aos outros, ou renunciar a esse direito, fazendo-nos colônia dos que se consideram donos do Mundo. E de todos os que o habitam. Nada além disso.
