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Se o candidato à suposta capitania hereditária, a ser entrevistado hoje por Renata Vasconcelos e César Tralli for provocado no início da entrevista com perguntas semelhantes às que foram formuladas a Lula, dificilmente alterará o juízo que se tem feito dele. Lula, percebeu-se, mostrou constrangimento ao responder às questões que envolvem seu filho e pessoas do seu entorno e estima. Talvez nem mesmo o   candidato à reeleição esperasse ter muito do tempo da entrevista dedicado ao tratamento de problemas policiais. Por isso, lhe terá faltado tempo para mostrar as perspectivas abertas por seu governo ao País, e só ele  Lula, tem condições de completar os avanços experimentados no seu terceiro mandato. Desde a defesa intransigente da soberania, até a abertura de novos mercados, como resposta à agressão econômica de Trump. Nem seria reservado tão pouco tempo para mencionar resultados nas áreas de educação e saúde, temas que certamente receberão tratamento leviano pelo candidato a ser entrevistado nesta sexta-feira. Tanto pelo fracasso diante da COVID -19, quanto pelo estrangulamento do ensino, o superior  sobretudo, no período que se dedicou a preparar o retorno à capitania hereditária. Lula apresentou menos do que tinha a dizer, talvez esquecido de que quem governou gera nos observadores mais críticas que os ex-governadores de uma unidade da Federação.

 
 
 

A rede Globo entrevistou, ontem, o terceiro dos candidatos à Presidência da República. Desta vez, foi o ex-aluno de Direito que abandonou o curso sem conclui-lo, Renan Santos. Seu partido, pelo nome, insinua sentimento religioso ou militar, mais que vocação minimamente civilizatória. Como tantos dos outros que se sentiram no passado e os que hoje ainda se sentem escolhidos pelas divindades, Renan apresenta-se portador de mensagem missionária, não proposta viável do governo de uma nação marcada pela diversidade e por vergonhosa desigualdade. Nem se dê muita importância a dois traços que o fazem aparentemente diferente dos que o antecedreram no encontro com os jornalistas Renata Vasconcelos e César Tralli - a voz assemelhada a de um dublê e a ostensiva ansiedade. Adepto das políticas de segurança desumanas de El Salvador, Renan diz ignorar as atrocidades que todo o Mundo já conhece, embora cite números do que ele considera sucesso do governo de Bukele. Para logo afirmar que prefere ver correr o sangue dos bandidos, não das vítimas. Desde que - isso ficou claro - seja ele quem classifica e diferencia homens de bem e batidos. O pior, porém, é que o candidato defende com fervor, ardor e entusiasmo, a produção de bomba atômica pelo Brasil. Enquanto seu concorrente - aliado, com maior frequência - Ronaldo Caiado dispensa o uso de câmeras pelos policiais, o missionário é partidário da matança em massa. Nascido depois de 1945, ele não parece ter lido nada sobre a Segunda Grande Guerra. Nunca viu e ninguém lhe explicou a tela Guernica, de Pablo Picasso. Depois que fomos governados por alguém como o pai de outro dos concorrentes de Renan e vimos Volodmir Zelensky lamber os pés de Trump, impossível surpreender-se com o ex-aluno das Arcadas. Um incendiário inconsequente, 1

 
 
 

A rede Globo apresentou, ontem, o segundo candidato à Presidência da República. Na véspera, os brasileiros puderam ver e ouvir o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Candidato do Novo, como a maioria de seus correligionários, Zema fortaleceu e consolidou a imagem que os brasileiros têm dele. Aos limites intelectuais já conhecidos, o entrevistado acrescentou a ignorância por ele ostentada, a respeito da realidade nacional. Nesse caso, o desconhecimento dele sobre o Brasil e seu povo é maior que a indiferença a ele revelada, pelos consultados nas sucessivas pesquisas de preferência de voto divulgadas. Seus limites, portanto, estendem-se ao espaço que lhe é destinado na vida política nacional. O segundo a ser entrevistado foi o fazendeiro e médico Ronaldo Caiado. Incapaz de transformar em números ou ideias claras o que ele mesmo chama de plano de governo, ao mesmo tempo ele se diz democrata. Mesmo sem encontrar resposta plausível para sua intenção de anistiar os golpistas condenados. Ademais, Caiado manifestou-se, repetidamente, como um candidato a ditador. Repetiu, assim, os militares que percorreram o País, pedindo votos dos seus subordinados instalados no Congresso, durante a ditadura. Nesse caso, como em tantos outros, Zema e Caiado são irmãos xifópagos. Em muitos outros, também. Assemelhando-se a capitães-do-mato ou a outras figuras características do coronelismo, a diferença, talvez única, está no fato de um ter - quem sabe ornamentado por bela moldura e pendurado na parede da sala - um diploma de médico. Nada mais.

 
 
 
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