top of page

Tardou mas não falhou

Atualizado: 29 de nov. de 2025

Desde a instauração da República, lá se vão 136 anos, os brasileiros de boa índole e valores realmente humanos esperavam chegarmos à democracia. Não aquela orientada e inspirada pela Pax romana, mas a que corresponderia a ideais mais próximos do lema empunhado pelos revolucionários de 1789 – liberdade, igualdade, fraternidade. A fase iniciada em 1930, golpista como o fora a própria queda do Império, desembocou no Estado Novo, versão tupiniquim do modelo implantado na Alemanha.  A derrota militar do nazifascismo, todavia, não foi completada no plano político. Ao contrário, as ideias e os ideais de que Adolpho Hitler se fez porta-voz permaneceram, com grau de latência variável, na maioria das nações ocidentais. Longo período de experiências golpistas varreu o mundo, em especial porque as lideranças militares fortalecidas pela vitória das armas foram atraídas pelo ideário que alegavam combater. Daí a sequência e o espraiamento de golpes de estado em quase toda a América, geralmente pressionada pela potência cujos sucessivos governantes viram chegada a hora de fazê-la a sede do novo império. Facilitou a consumação desse propósito, a proclamação de um dos pioneiros, que desejou ver a América para os americanos. A doutrina Monroe, como a História o registra, continua a orientar a política exterior dos Estados Unidos da América do Norte, pela impossibilidade de esquecer a aventura do Enola Gay. Esse o nome do avião que despejou as bombas atômicas norte-americanas sobre as populações indefesas de Nagasaki e Hiroshima. Não mais a espada de Dâmocles, porque a fissão do átomo opera melhor. As prédicas dos filósofos gregos, por mais que divulgadas e ouvidas, não repercutiram nos quartéis, tanto quanto os entusiásticos acenos das práticas dos césares conquistadores e senhores da guerra. Daí ser necessário destacar o atual momento, raro sobretudo pelo absoluto respeito ao que a ordem jurídica e o melhor Direito chamam devido processo legal. É certo que outras nações da América do Sul anteciparam-se ao Brasil, a maior delas, na cobrança e punição dos que entregam às armas o vil papel de extintor de conflitos sociais. O fogo, ao invés do argumento; a força, ao contrário da Política, só agora chegam às barras dos tribunais. Agrada pouco à maioria dos brasileiros ver membros de sua elite militar privados de sua liberdade. Desagrada ainda mais a eventual permanência dos que se rendem e entregam à defesa dos interesses que nada têm a ver com os mais justos, legítimos e humanos anseios dos brasileiros. Esse, porém, é crime que ainda está por apurar.

Posts recentes

Ver tudo
Enquanto é tempo

Seria exagero dizer que o governo Lula acabou. Ainda há muitas cartas a serem jogadas, até outubro. É visível, porém, o desgaste sofrido pelo governo, desta vez levando risco à imagem do Presidente. V

 
 
 
Maldade e estupidez

O pastor luterano Dietrich Bonhoeffer (1906-1945), antes apoiador de Adolph Hitler, foi preso e morto pelo nazismo. Mais de 80 anos de sua morte, circula pelas redes um depoimento oportuno e instigad

 
 
 
Patriotas e traidores

As eleições presidenciais deste ano, se na maioria dos aspectos, dão margem a cenas e pronunciamentos iguais aos que temos há décadas testemunhado, traz uma novidade. Refiro-me à perniciosa ousadia de

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page