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XENOFOBIA E NEOFASCISMO

25 de fev.
2 min de leitura

O assunto não é novo, mas me foi suscitado pelo discurso tacanho do prefeito de Manaus ao anunciar sua pré-candidatura ao governo do Amazonas.

Na fala, o prefeito rejeita os "forasteiros" que se tornaram governadores e prefeitos no estado, dizendo que agora quem terá que governar será um amazonense. Falou para enaltecer seu nome, num resgate pueril de velhas campanhas eleitorais, quando os comícios eram feitos à luz de lamparina.

Mas o discurso xenófobo não foi feito por acaso. Ele vem na esteira do neofascismo europeu, apesar do prefeito não ser dado à leitura nem mesmo do antigo almanaque capivarol.

O fascismo clássico surgiu após a Primeira Guerra Mundial, na crista das crises econômicas e no temor ao socialismo na Europa. Alcançou grandes massas com a bandeira do nacionalismo expansionista, combate à democracia, militarismo, racismo biológico, censura e supressão de direitos civis.

Após o mundo ter vivido os horrores do nazismo e do fascismo, a Guerra Fria ter acabado e as revoluções tecnológicas terem criado outros mecanismos de dominação de massa, o autoritarismo tomou outra forma, assumindo novas estratégias de aglutinação popular.

A ameaça agora é externa. São os imigrantes e as minorias étnicas. O nacionalismo não é mais cívico e sim étnico-cultural. Surgiu assim um neofascismo identitário.

O neofascismo tem na xenofobia uma base ideológica, fundada no conflito entre o interno e o externo, sendo este o inimigo a ser combatido. Esse discurso mobiliza muita gente, massas inteiras dos mais diferentes grupos sociais. Quem tira o emprego é o imigrante e não a crise econômica causada pela concentração de renda e desigualdade social. O imigrante é o causador da insegurança e de todos os males da sociedade e não governos incompetentes.

O político neofascista atribui ao imigrante o fracasso causado pelas contradições inerentes à história social de cada país. Ele ataca direitos sociais e o inimigo interno é o sindicato, a associação profissional e as profissões de fé diferente da sua. Não por acaso, a base doutrinária do neofascismo no Brasil é o neopentecostalismo.

Diferente dos nazistas e seus alto-falantes em cada esquina de rua da Alemanha dos nos 30 e 40 do século XX, o neofascista tem hoje as redes sociais e os algoritmos como armas de mobilização de massa. Mas continua fiel aos princípios clássicos do fascismo, espalhando medo, ressentimento e ódio. A violência é simbólica, daí os imigrantes, os homoafetivos, as minorias étnico-culturais e as religiões de outras matrizes que não seja a sua serem alvos de perseguição do seu governo.

Mas assim como o fascismo, o neofascismo tem uma barreira civilizatória: a democracia.

A xenofobia e todos os discursos e práticas de sustentação do neofascismo tendem ao isolamento político e social na proporção que a democracia se fortalece. O sentido de pertencimento deve ser nacional e humanístico, nunca de exclusão e de propagação do ódio. No planeta terra, somos todos seres humanos e o bem-comum é uma busca sem fronteira.


Lúcio Carril

Sociólogo

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