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Vorcaro e Epstein

Nos tempos em que os autoproclamados apolíticos (ou apenas apocalípticos?) fazem tudo por dinheiro, sacrifica-se a Verdade por qualquer coisa. Por dinheiro e outros bens materiais, principalmente. Indivíduos semelhantes a seres humanos, graças à imagem física, revelam seus piores sentimentos e caracteres, frequentemente avessos à aparência. Esta passeia pelos gabinetes mais importantes da república, recebe as honras e homenagens de outros de igual imagem, desfruta daquilo que boa contra bancária costuma facilitar. Não faltam a esses indivíduos rapapés e outros serviços – nem sempre acolhidos pela boa ética, as leis penais e o bom juízo das pessoas de bem. São aqueles, todavia, os que se esforçam por proclamar virtudes das quais a todo instante se distanciam. Qual Don Juans dos tempos da pós-Verdade, mostram-se dotados de tal poder de sedução, esquecidos de que um dia seu castelo de cartas ruirá. As fortunas amealhadas não lhes custam uma só gota do próprio suor, não sendo raro produzirem lágrimas dos que por eles são explorados. Os seduzidos, bolsos e contas bancárias revigoradas, encontram o dia de pagar pela cumplicidade. Em especial a que resulta de sua participação em bacanais proporcionadas pelos afortunados rufiões, que não mais que isso acabam sendo. Ou, como qualquer Don Juan fora do tempo e dos palcos (de que O burlador de Sevilha ou O convidado de Pedra, 1630 são exemplares), desempenham papel que a gíria cabocla atribui ao pássaro caraxué. Pouco a pouco, acrescentam-se à vida libada deles relatos que têm como cenário ambientes em que os proxenetas e cafetões são os provedores principais.  Donos da fortuna, dividem ínfima porção delas à orgia desenfreada, a véspera de sua proclamação de santidade, comportamento austero, moral acima da dos demais cidadãos.  Aí, como disse certo presidente norte-americano, caem na real: fácil é enganar todos por pouco tempo; enganar poucos, por prolongado período. Quase impossível é enganar todos, o tempo todo.

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