top of page

Terror judiciário

As metásteses do câncer social (ou será moral?) vão aos poucos surgindo, em maré montante que pode deixar perplexos os incautos. De onde menos se espera, é de lá mesmo que vêm notícias que só não dizemos desesperadoras, porque a esperança um dia há de se confirmar. Os pilantras de toda espécie serão levados à penitenciárias, sem que seja preciso torturá-los, humilha-los, enxovalhar suas famílias ou dispensar o rito legalmente vigente - o devido processo legal. Como vem sendo feito nos últimos meses, ainda que eventualmente submisso a vícios decorrentes do mal maior, a desigualdade que estabeleceu cotas discriminatórias entre os cidadãos de primeira classe e os outros. Penduricalhos à parte, cada passo que se der no sentido de chegar aos padrões republicanos que todos lisonjeiam e traem, ou ao aperfeiçoamento da democracia, cuja permanência ou aprofundamento ainda parece depender da emissão de ordens à moda da prática das organizações criminosas, será bem-vindo. Detrás da grade estão os chefões do crime organizado, mas é de lá que vêm as decisões seguidas pelos que ainda não lhes foram fazer companhia. Quando à cúpula do Poder Judiciário chega um profissional cuja maior qualidade é a prática do terror religioso, pouco se pode esperar que dele advenha algum sinal de grandeza. Não fosse o terror um dos fantasmas aproveitados pelos amantes das ditaduras e dos métodos por ela utilizados. Quando todos apontam, com larga margem de razão, irregularidade na conduta de muitos dos magistrados, pega-se o terrível julgador incurso na mesma prática. Sua piedade e amor ao próximo, porém, o fazem prometer que todos os lucros advindos de seu exercício à margem da Justiça serão destinados a obras sociais do interesse de seu terrífico credo. Imaginar-se, ao menos, algum constrangimento na confissão parece despropositado, se os antecedentes e os fundamentos da investidura no posto forem levados em conta. Não é que se trate de pecado individual, pois as ramificações do mal não escolhem com tanto rigor. Elas apenas seguem o caminho traçado pelos que dele se beneficiam e ser honesto e probo parece indigno para o mercado. Vencer, vencer e vencer reduz-se, assim, ao tamanho da conta bancária e do patrimônio material do indivíduo. Falar de patrimônio moral ou social parece coisa de louco.

Posts recentes

Ver tudo
O pacto maldito

Este blog trouxe, NO ESPAÇO ABERTO, dia 11 passado, interessante e esclarecedor texto de David Deccache. Mestre em economia e assessor da bancada federal do PSOL, o autor trata do pacto tácito das eli

 
 
 
Generosa perversidade

O governo prepara-se para liberar, total ou parcialmente, saldos das contas do FGTS. Esse fundo, criado para socorrer aposentados ou trabalhadores ao perderem o emprego, tinha como propósito reduzir o

 
 
 
Riscos da democracia

A democracia, como se sabe, não é ideia nem sistema que entusiasme a totalidade dos cidadãos. Razão mesma de sua criação, a divergência de preferências e opiniões também faz crescerem os riscos a ela

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page