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O hoje e o amanhã do eleitor

Depois de muitos escorregões evitáveis, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva coloca oposição em uma camisa de onze varas. O veto ao Projeto de Lei relativo ao teto salarial dos servidores públicos desnorteou as hostes que fazem oposição sistemática, frequentemente plena de incoerências. Dentre esses políticos reacionários, os que se pensam mais espertos que os outros tratam de atribuir toda a responsabilidade pelo desfecho do problema ao Presidente da Câmara dos Deputados. Quando já deixou de sair das manchetes e constar do noticiário em geral, a descoberta de R$ 430 mil em espécie, o deputado Sóstenes Cavalcante não deu cabal explicação para o fato, mas já nem parece incomodado pela repercussão de seu até aqui mais notável feito. Por isso, mais uma vez ele tenta ocupar as páginas, com desembaraço invulgar, como se nada mais natural que dispor de tanto dinheiro vivo, atribuir sua origem a operação no mínimo suspeita de inexistente (a alegada venda de um imóvel) e continuar a caminhada inglória a que condenou seu próprio mandato.  Interessado em manter os privilégios financeiros de ínfima parcela dos funcionários públicos, em especial os do Poder Judiciário, o líder da oposição pretender dar a impressão de que nada tem a ver com os penduricalhos a cujo combate se tem dedicado o Ministro Flávio Dino, no STF. Do outro lado, e vendo a batata quente posto sobre suas mãos, o Presidente Hugo Motta esclarece que o projeto vetado por Lula foi aprovado sob a – no mínimo – anuência das lideranças partidárias. Mesmo parlamentares filiados ao Partido dos Trabalhadores concederam seu apoio e voto ao projeto aprovado e agora vetado, que o Presidente da República utiliza para pôr nas cordas do ringue os santinhos de pau oco. Sem discriminação partidária, inclusive, o que basta para descrever a ilegitimidade de certos mandatos e desmoralizar os catões de algibeira. Perceba-se que a expressão nada tem a ver com as vantagens recebidas pelos que se beneficiam dos penduricalhos, nem pelos que toleram a quebra do teto salarial. Afinal, algibeiras não costumam juntar mais que alguns míseros trocados. No horizonte próximo, porém, já é urdida providência protetora dos mal chamados representantes populares – a hipótese de adiar para o próximo ano a apreciação do veto presidencial. Fazê-lo agora poderia aumentar a probabilidade de inédita renovação na Câmara dos Deputados, com o que ganhariam a população, a democracia e os bons costumes. Aos que dizem serem todos iguais, os que lá estão e os que poderão vir, enseja apenas observar que à escória conhecida sempre será melhor preferir a que ainda não se conhece. Se a escolha for feita de boa-fé, será mais outra lição a aprender.

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