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Em exílio imposto pelo medo de ser apanhado pela polícia brasileira, o zero-três-à-esquerda não fugiu ao hábito: chorou e atribuiu a (por enquanto) doce prisão de seu pai a um "psicopata de merda". Essa a expressão por ele mesmo usada, referindo-se ao magistrado que conduziu o devido processo legal relacionado à tentativa de golpe de estado, desbaratado em 08.01.2023. Foi mais longe, ainda, ao levar à praça os maus usos, práticas, palavras e valores aprendidos em casa. Chegou, em sua repetitiva choraminga, a investir contra correligionários e cúmplices, desta vez escolhendo o ex-colega, deputado Kim Kataguiri. Dessa figura lamentável, disse o parlamentar cassado sorrir e zombar, enquanto filhos têm sido afastados de seus pais, levados à prisão ou ao refúgio. Memória fraca, também, a do verme que vende o Brasil à ganância de sua própria família, e à cobiça de seus hospedeiros. Se ele esqueceu as gargalhadas, piadas e, não raro, desaforos proferidos por seu sentenciado pai, quando mais morriam brasileiros durante a pandemia, os familiares, parentes e amigos das 700.000 vítimas da covid-19 jamais o esquecerão. Nem deixarão passar por menos o sentimento de nojo e repulsa a ele e sua família, quando a Interpol o devolver ao Brasil. Aqui, o que se espera é a Justiça ser feita, tanto e cada dia mais numeroso o rol de crimes cometidos (e descobertos) pela comunidade que traz seu impublicável sobrenome, a que não faltam cúmplices.

 
 
 

A cada seis horas uma mulher é morta apenas por ser mulher e a cada sete segundos uma mulher sofre agressão física no Brasil.

Há um genocídio da juventude negra e pobre no país.

A população carcerária soma mais de 800 mil pessoas, na sua grande maioria negras e pobres.

O Brasil é o país onde mais se mata pessoas trans e travestis no mundo.

São números estarrecedores e indicam um nível alto de violência extrema e, fundamentalmente, de atraso civilizacional, protagonizado pela falta de respeito humanitário.

Em dois meses teremos eleições gerais. Não se trata apenas de um marco comum da democracia brasileira. O que está em jogo são projetos de sociedade, contrapondo barbárie e cultura.

A direita e a extrema direita não escondem suas ideias e suas propostas para aprofundar a violência real e simbólica contra as mulheres. Podem até tentar enganar, com discursos de bons moços, mas a história não conseguem apagar.

Esse segmento político (direita e extrema direita) tem na sua origem a defesa de tudo aquilo que envergonha, ou deveria envergonhar, a humanidade. Foram eles, como representantes políticos da elite econômica, os responsáveis pela escravidão, pela concentração de terras e pela imensa desigualdade social no Brasil.

Foram eles, como força detentora do Estado, que criaram massas de analfabetos, favelizaram trabalhadores e trabalhadoras e por séculos mandaram sua polícia matá-los. Foram eles que mataram Rubens Paiva, Wladimir Herzog, Carlos Marighella, Thomaz Meireles, torturaram crianças, homens e mulheres nos porões sórdidos da ditadura.

Os números alarmantes da violência contra gays, mulheres, jovens, negros e negras não foram criados agora. Eles são crias dos bisavós e tataravós políticos dos Bolsonaro, Caiado, Zema e toda turba de malfeitores.

Eleger um agente político da direita e extrema direita é votar na barbárie e em toda forma de violência contra os direitos que a humanidade conquistou com muita luta, sangue e suor.

O que está em jogo na eleição vindoura não é somente o projeto democrático, mas a própria continuidade do processo civilizatório. A direita quer voltar às trevas. Quer o sangue de gays, jovens, mulheres, negras e negros, quer o sangue da criança morta pela bala da polícia, que atira sem dó no povo dos morros e favelas.

A reeleição do presidente Lula é uma exigência histórica do processo de construção de uma outra sociedade, fundada no respeito, na tolerância e na solidariedade, que foi iniciado no seu primeiro governo e barbaramente interrompido no golpe contra a presidenta Dilma e na eleição do facínora Bolsonaro.

O povo brasileiro saberá manter esse processo vivo, para que o Brasil não se envergonhe mais de ter a violência como troféu. O caminho a ser trilhado deverá ser o do orgulho de ter um país sem fome, sem analfabeto, sem racismo, sem transfobia, sem feminicídio e sem políticos que vivem alimentados pelo sangue e pelo suor do povo trabalhador.

Outubro será o momento de votar contra o deputado, o senador e o governador que não presta. Eles estão aí, pedindo seu voto, na maior cara de pau, mas memória não se apaga. Você sabe o que eles fizeram no verão passado.

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Lúcio Carril

Sociólogo

 
 
 


Em: 03 de Agosto de 2026


Geraldo Lopes de Souza Júnior

"Salve o lindo pendão da esperança, salve o símbolo augusto da paz."

(Trecho do Hino à Bandeira)

Caboco, uma bandeira nunca foi apenas um pedaço de pano colorido tremulando ao vento. Desde que o homem resolveu organizar exércitos, fundar cidades e criar nações, ela passou a cumprir uma missão muito simples: dizer quem somos. No campo de batalha, evitava que um soldado morresse defendendo o lado errado. Na paz, tornou-se a síntese de um povo. É por isso que as bandeiras são hasteadas em escolas, repartições públicas, competições esportivas e funerais de Estado. Elas carregam uma história inteira sem precisar pronunciar uma única palavra.

Nenhum povo escolhe sua bandeira por acaso. A França eternizou nela os ideais da Revolução; o Japão colocou o sol no centro de sua identidade; o Canadá escolheu a folha de bordo; a África do Sul redesenhou a sua para simbolizar o fim do apartheid e o nascimento de uma nova nação. As bandeiras sobrevivem aos governantes porque representam algo muito maior do que governos: representam a memória coletiva. É justamente por isso que toda bandeira merece ser levada a sério. Suas cores, suas formas, seus símbolos e até seus silêncios contam alguma coisa sobre aqueles que representa. Não existe traço inocente numa bandeira. Cada detalhe deveria responder à pergunta mais importante de todas: quem somos nós?

A bandeira do Amazonas responde dizendo que o branco simboliza a paz, o azul traduz a grandeza do nosso céu e dos nossos rios e o vermelho representa a coragem de um povo disposto a defender sua terra. Ou será o sangue derramado dos povos originários que aqui habitavam e foram dizimados pelo colonizador? As estrelas, por sua vez, representam os municípios amazonenses — primeiro foram vinte e cinco, agora serão sessenta e duas, acompanhando a configuração administrativa do Estado.

Tudo muito bonito. Só existe um pequeno detalhe: ela parece uma prima distante da bandeira dos Estados Unidos, a tal ponto que uma bandeira do Amazonas diante de uma escola indígena levou à divulgação de panfleto apócrifo, denunciando em 2024, que “os índios hasteiam bandeiras americanas, falam inglês e se aliaram aos gringos para retalhar a Amazônia”. Mais recentemente, o general Heleno, antes de ser condenado a 21 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e tentativa de golpe, repetiu a mesma bobagem.

Má cópia?

É claro que os historiadores explicarão, com toda razão, que isso aconteceu porque, em 1897, a jovem República brasileira olhava para o modelo norte-americano como um exemplo de federação. Não foi propriamente uma cópia; foi uma inspiração. Mas inspiração demais às vezes produz um resultado curioso. É como aquele sujeito que diz que apenas se inspirou no corte de cabelo do vizinho e acaba saindo do barbeiro parecendo irmão gêmeo dele.


 
 
 
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