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Alis grave nil.

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Neste 5 de setembro, Dia da Amazônia, o professor José Alcimar de Oliveira propõe um ensaio raro: um diálogo entre três pensadores separados por séculos e geografias — Francisco de Assis, Spinoza e Gaston Bachelard — para pensar a floresta, seus rios e seus povos originários não como paisagem a ser explorada, mas como matéria viva onde natureza e espírito se confundem. Ao completar 800 anos da morte do santo que deu nome ao rio São Francisco, o autor tece uma reflexão filosófica e poética que também é, no fundo, uma denúncia: a de que o mesmo capital que finge chorar diante da destruição amazônica é o que segue produzindo, com mãos ensanguentadas, o desmatamento, o garimpo predatório e o agronegócio envenenante que ferem de morte a floresta e seus povos. Leis mais.

*O autor é filósofo e professor da UFAM.

 
 
 

Alis grave nil

José Alcimar de Oliveira*


Em "O Dia da(o) Florista e as Pragas da Antevéspera da Primavera", José Alcimar de Oliveira parte da comemoração de setembro — mês da primavera e do Dia da(o) Florista, e também o mês do seu próprio aniversário — para refletir sobre o clima político brasileiro às vésperas das eleições presidenciais de 2026: uma quebra de sigilo no STF que hegemoniza o noticiário, o silêncio de instituições que deveriam resistir ao avanço golpista, e a aposta arriscada de uma extrema direita que só tem o antipetismo a seu favor. Encerrando com uma meditação sobre o silêncio e o inferno em Thomas Merton, o autor — professor de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas — costura crítica política e reflexão teológico-filosófica num texto pessoal e alarmado sobre os riscos institucionais do momento.

 
 
 
7 de set.
2 min de leitura

O golpe desmontado em 08 de janeiro de 2023 sequer foi interrompido. Ao contrário, as articulações e ações ligadas à ruptura democrática ali tentada seguem seu curso, desta vez registrando a troca de papéis. O Supremo Tribunal Federal, um dos locais invadidos pelos terroristas que o predaram, vê-se agora embolvido, não mais como vítima. É de seus gabinetes um dos mais ativos atores da nova fase golpista, escolhido para compor a bancada terrorista, e não apenas de um terrorismo justificado por uma farsa religiosa. A condução do processo posto em mãos do Ministro André Mendonça tem objetivo tornado explícito na última semana. Anular a condenação dos terroristas e predadores de bens públicos é o objetivo maior da parcialidade do magistrado terrivelmente evangélico. Não foi algum adversário do político que o STF concluiu ser o líder de uma organização criminosa quem qualificou Mendonça. O ex-presidente da República, condenado após o devido processo legal foi quem o disse, ao indicar o liderado. O que não foi dito, e precisa ser posto à luz do sol e submetido às providências policiais, refere-se a fatos tão ilícitos quanto os que são imputados ao Ministro Alexandre Moraes. É hora, portanto de juntar à pretensão de repetir Sérgio Moro, manifesta na conduta de Mendonça, a questão ética e ilegal relacionada ao ITER, um instituto criado em 2024 pelo Ministro Mendonça, que faturou umas pichulecas, sem licitação. Nem precisa lembrar que, logo ao assumir, o fundador tivesse prometido abandonar a cria. Semana passada, ele voltou a prometer fazê-lo. Ou seja, deixou passar da promessa à mentira seu desejo de afastar-se de sua galinha de ovos de ouro. Se comprovado tudo quanto o terrível evangélico diz de seu desafeto, isso servirá apenas a uma conclusão: farinhas do mesmo saco, um ainda apresenta certa dose de pudor republicano e democrático. O outro, ao contrário, permanece atado ao de devolver o País ao período mas trágico e vergonhoso da República.

 
 
 
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