NÃO SERÁ APENAS UMA ELEIÇÃO, MAS UM PROJETO DE SOCIEDADE EM DISPUTA
- Professor Seráfico

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A cada seis horas uma mulher é morta apenas por ser mulher e a cada sete segundos uma mulher sofre agressão física no Brasil.
Há um genocídio da juventude negra e pobre no país.
A população carcerária soma mais de 800 mil pessoas, na sua grande maioria negras e pobres.
O Brasil é o país onde mais se mata pessoas trans e travestis no mundo.
São números estarrecedores e indicam um nível alto de violência extrema e, fundamentalmente, de atraso civilizacional, protagonizado pela falta de respeito humanitário.
Em dois meses teremos eleições gerais. Não se trata apenas de um marco comum da democracia brasileira. O que está em jogo são projetos de sociedade, contrapondo barbárie e cultura.
A direita e a extrema direita não escondem suas ideias e suas propostas para aprofundar a violência real e simbólica contra as mulheres. Podem até tentar enganar, com discursos de bons moços, mas a história não conseguem apagar.
Esse segmento político (direita e extrema direita) tem na sua origem a defesa de tudo aquilo que envergonha, ou deveria envergonhar, a humanidade. Foram eles, como representantes políticos da elite econômica, os responsáveis pela escravidão, pela concentração de terras e pela imensa desigualdade social no Brasil.
Foram eles, como força detentora do Estado, que criaram massas de analfabetos, favelizaram trabalhadores e trabalhadoras e por séculos mandaram sua polícia matá-los. Foram eles que mataram Rubens Paiva, Wladimir Herzog, Carlos Marighella, Thomaz Meireles, torturaram crianças, homens e mulheres nos porões sórdidos da ditadura.
Os números alarmantes da violência contra gays, mulheres, jovens, negros e negras não foram criados agora. Eles são crias dos bisavós e tataravós políticos dos Bolsonaro, Caiado, Zema e toda turba de malfeitores.
Eleger um agente político da direita e extrema direita é votar na barbárie e em toda forma de violência contra os direitos que a humanidade conquistou com muita luta, sangue e suor.
O que está em jogo na eleição vindoura não é somente o projeto democrático, mas a própria continuidade do processo civilizatório. A direita quer voltar às trevas. Quer o sangue de gays, jovens, mulheres, negras e negros, quer o sangue da criança morta pela bala da polícia, que atira sem dó no povo dos morros e favelas.
A reeleição do presidente Lula é uma exigência histórica do processo de construção de uma outra sociedade, fundada no respeito, na tolerância e na solidariedade, que foi iniciado no seu primeiro governo e barbaramente interrompido no golpe contra a presidenta Dilma e na eleição do facínora Bolsonaro.
O povo brasileiro saberá manter esse processo vivo, para que o Brasil não se envergonhe mais de ter a violência como troféu. O caminho a ser trilhado deverá ser o do orgulho de ter um país sem fome, sem analfabeto, sem racismo, sem transfobia, sem feminicídio e sem políticos que vivem alimentados pelo sangue e pelo suor do povo trabalhador.
Outubro será o momento de votar contra o deputado, o senador e o governador que não presta. Eles estão aí, pedindo seu voto, na maior cara de pau, mas memória não se apaga. Você sabe o que eles fizeram no verão passado.
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Lúcio Carril
Sociólogo

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