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🗓️ Com o objetivo de estimular a reflexão sobre política, ética e sociedade, a ADUA realiza, no dia 26 de setembro (sábado), um diálogo sobre “Filosofia, ciência e ética: pensar a vida e o Brasil para além do capital”.


☕ A atividade faz parte do projeto “Conversa Redonda com Macaxeira e Café” e será realizada das 8h30 às 11h30, no Auditório Professor Osvaldo Coelho, na sede da ADUA, localizado no Setor Sul do campus universitário da UFAM em Manaus.


📢 Esta edição do encontro contará com a presença da professora Verrah Chamma e dos professores Marcelo Seráfico e José Alcimar de Oliveira, do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS/UFAM). A programação inclui mesa de abertura, momento para merenda, exposições de ideias e espaço aberto para debate com o público.


🗣️ Segundo o professor José Alcimar, a iniciativa busca fortalecer a discussão política no ambiente acadêmico. “Conversa Redonda é um espaço para afirmar a natureza pública da razão, notadamente numa quadra histórica de retração das lutas coletivas e do avanço do individualismo, reforçado pelo discurso ideológico da meritocracia. Promover de forma dialética as relações entre Filosofia, Ciência e Ética significa mobilizar as armas da crítica para conter e superar a crítica das armas, sobretudo nesses tempos de obscurantismo cognitivo, de afronta à cultura, de ódio ao pensamento, de criminalização da política, de falsificação da história e de destruição da memória. Como escreve o velho Kant: promover o avanço do esclarecimento é afirmar uma determinação da natureza humana”, explica o docente.


📜 A atividade é aberta à comunidade acadêmica e ao público geral, com emissão de certificado de horas complementares para as e os participantes. 📲 Leia mais em adua.org.br

 
 
 

Alis grave nil

José Alcimar de Oliveira*


Em “Ao Mestre Zuenir, com carinho”, José Alcimar de Oliveira presta uma homenagem sensível e reverente a Zuenir Ventura, destacando não apenas sua trajetória como jornalista, escritor e professor, mas também a ética, a delicadeza e a inteligência que marcaram sua obra. O texto relembra um intelectual profundamente comprometido com o Brasil, capaz de narrar suas contradições sem perder a esperança na convivência, na liberdade e na força transformadora da palavra, deixando como legado uma forma de fazer jornalismo que alia rigor, humanidade e responsabilidade.

*Filósofo e professor da UFAM.

 
 
 
22 de set.
2 min de leitura

Por todos os títulos lamentável, a crise que envolve no Supremo Tribunal Federal põe em risco a democracia brasileira. Agora, podemos suspeitar de que nem todos os membros da mais alta corte de Justiça do País ostentam a conduta ilibada, não obstante ser esta uma condição essencial à tomada de assento naquela Casa. Não será isso, porém, que nos levará a admitir as restrições que alguns pretendem erguer como constrangimentos ao Poder Judiciário. A História tem revelado sempre estar no aparato de distribuição de Justiça, aqui e alhures, a esperança e o sonho de paz alimentados pelos povos, pelo menos pós-Revolução Francesa. Tanto quanto os que se sabem pecadores têm medo do inferno, têm ojeriza pelas varas e tribunais os que devem contas a eles. Há muito, defendo a reformulação do processo de investidura no STF, se é que a república e a democracia caracterizam o estado de Direito. Não porque veja postos em cada instância da função judicial santos ou anjos destituídos de sua condição humana. Aqui e acolá, hão de ser compreendidos, jamais tolerados ou ignorados, atos capazes de comprometer a boa distribuição da Justiça. Não é o caso, porém, de jogar fora o balde ou destruí-lo, se não pôr fora a água suja que ele contém. Num certo sentido, pareceu esse o anúncio do atual Presidente, Ministro Édson Fachin, quando anunciou um Código de Ética que conteria a ação malfazeja dos julgadores máximos. Os fatos mais recentes indicam cada dia mais distante a criação de barreiras de contenção aos que se desviam do caminho da Justiça. Não apenas porque falte a Fachin a firmeza necessária nos momentos de crise. Por isso, entendo que alteração mais profunda é necessária, para desfazer a sensação de que o Poder Judiciário não passa de um puxadinho dos demais poderes, possamos encontrar fórmula que, dispensando a assinatura do chefe do Poder Executivo no ato de nomeação e forçando o Senado à apreciação profunda, séria e isenta na concordância com a indicação - esta, também, sujeita a outras regras - pode levar ao STF profissionais detentores de saber jurídico comprovável e conduta ilibada. Dizer que todos os que hoje têm assento naquele coletivo os detêm, como sabemos, é pilhéria. Dizem-no os fatos, não os que os observam. Alguns, desatentos às especificidades das funções do Estado, poder a poder, falam em mandatos a prazo certo; outros, propõem a quebra do tripé sobre o qual se assenta o aparato judiciário: inamovibilidade, irredutibilidade dos vencimentos e vitaliciedade. Os ingredientes que devem ser mantidos, pelas suas virtudes, desde que a fonte e o processo de preenchimento das vagas do STF esteja imune à influência dos outros poderes. Ministros do STF por mais que o queiram alguns deles mesmos, não são representantes do povo, nem delegados dos Estados, muito menos bancadas em confronto ideológico. Quando pensar não era tão difícil, nem os robôs substituíam os seres humanos, seria mais fácil encontrar a solução. Mesmo assim, ainda há os que podem pensar sobre isso. Sozinho, ninguém encontrará o caminho.

 
 
 
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