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Demorará pouco, até que o Brasil decida por revogar em definitivo o caráter laico de nossa república. Se essa vem sendo reivindicação percebida de vários segmentos avessos aos avanços científicos e aos valores humanos mais nobres, agora a mobilização dos setores que a defendem mostra-se cada dia mais vigorosa. No rastro do direitismo que nega a Ciência e estabelece discriminações de toda ordem, tornando a mentira uma outra forma de capital, caminha-se para impor valores religiosos impossíveis de serem cultuados e cultivados por toda a humanidade. Por muitos que têm apenas a aparência humana, sem que suas mentes e corações revelem qualquer compromisso com a superioridade que se diz própria do animal inteligente. Ainda bem que a decisão, ao fim, caberá a cada um de nós e a todos. Para isso servem as eleições. A manifestação mais recente dessa tendência vem de Niterói. Se posta em prática, a proposta autorizará os pais a impedir que seus filhos frequentem aulas, sempre que a abordagem científica dos temas divergir ou contrariar as confissões religiosas a que se filiam. No ESPAÇO ABERTO, está postado texto veiculado pelo Instagram, denunciando mais essa tentativa de tornar a Terra plana e direcionar as próximas gerações a uma teocracia, em absoluta e total agressão à Ciência e à Verdade. Não caberia aqui discorrer sobre as diversas formas de conhecimento, de que o de tipo religioso é exemplar. Interessa, sim, colocar tudo dentro de seu devido lugar, pelo menos para os que creem no livre arbítrio e não se deixam engabelar por propostas e fórmulas agressivas a tudo quanto o esforço dos cientistas e pensadores têm produzido. Talvez aqui esteja o mote mais importante e sugestivo, quando formos escolher os candidatos em quem votar: o uso e a contribuição do conhecimento no equacionamento e resolução de problemas humanos. Ninguém precisará abdicar e sua fé, nem agredir os construtores de um futuro melhor, se agir assim.

 
 
 

Pedro Paulo Zaluth Bastos*

Meu artigo de crítica à PEC 65, que trata da autonomia financeira do Banco Central, saiu na Folha de S.Paulo hoje. Amanhã (quarta, 10/6) a CCJ do Senado vota a PEC 65. Estão vendendo como proteção ao Pix — mas não é: a gratuidade do Pix pode ser votada em lei própria, sem o cavalo de Troia da PEC 65. O que está em jogo é tirar o BC do Orçamento da União para se autofinanciar com a senhoriagem que hoje é transferida ao Tesouro — em média, quase cinco vezes o que o BC gasta para se manter (sua despesa administrativa aprovada na LOA, cerca de R$ 5 bilhões por ano). A PEC 65 tem três efeitos graves:

1. engorda a dívida pública em cerca de R$ 1,9 trilhão (quase 15% do PIB) de uma vez, e mais 5,5 pontos do PIB em 20 anos;

2. cria conflito de interesse — quem executa a política monetária e cambial passaria a depender financeiramente do resultado dela;

3. abre caminho para substituir a estabilidade da carreira de Estado do servidor que fiscaliza e multa bancos por um vínculo demissível, tornando o BC mais vulnerável a pressões e mais facilmente capturado pelos bancos.

Se você concorda, ajude a barrar: encaminhe o artigo para seus grupos. É agora. https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/06/autonomia-financeira-do-b

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*Economista, o autor é Professor titular da UNICAMP.

 
 
 

O biólogo Adalberto Luis Val, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências para a Região Norte, foi anunciado como agraciado com a Le Cren Medal, distinção concedida pela Fisheries Society of the British Isles (FSBI) a pesquisadores e equipes com contribuição destacada para a biologia, a conservação e a compreensão pública dos peixes no mundo. Com quase cinco décadas de atuação na Amazônia, Val construiu uma trajetória dedicada ao estudo dos peixes amazônicos, sobretudo de suas adaptações fisiológicas a ambientes extremos. A cerimônia de premiação ocorre no dia 30 de julho, na Universidade de Southampton, na Inglaterra.

 
 
 
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