Nossos aiatolás
- Professor Seráfico

- 11 de jun.
- 2 min de leitura
Demorará pouco, até que o Brasil decida por revogar em definitivo o caráter laico de nossa república. Se essa vem sendo reivindicação percebida de vários segmentos avessos aos avanços científicos e aos valores humanos mais nobres, agora a mobilização dos setores que a defendem mostra-se cada dia mais vigorosa. No rastro do direitismo que nega a Ciência e estabelece discriminações de toda ordem, tornando a mentira uma outra forma de capital, caminha-se para impor valores religiosos impossíveis de serem cultuados e cultivados por toda a humanidade. Por muitos que têm apenas a aparência humana, sem que suas mentes e corações revelem qualquer compromisso com a superioridade que se diz própria do animal inteligente. Ainda bem que a decisão, ao fim, caberá a cada um de nós e a todos. Para isso servem as eleições. A manifestação mais recente dessa tendência vem de Niterói. Se posta em prática, a proposta autorizará os pais a impedir que seus filhos frequentem aulas, sempre que a abordagem científica dos temas divergir ou contrariar as confissões religiosas a que se filiam. No ESPAÇO ABERTO, está postado texto veiculado pelo Instagram, denunciando mais essa tentativa de tornar a Terra plana e direcionar as próximas gerações a uma teocracia, em absoluta e total agressão à Ciência e à Verdade. Não caberia aqui discorrer sobre as diversas formas de conhecimento, de que o de tipo religioso é exemplar. Interessa, sim, colocar tudo dentro de seu devido lugar, pelo menos para os que creem no livre arbítrio e não se deixam engabelar por propostas e fórmulas agressivas a tudo quanto o esforço dos cientistas e pensadores têm produzido. Talvez aqui esteja o mote mais importante e sugestivo, quando formos escolher os candidatos em quem votar: o uso e a contribuição do conhecimento no equacionamento e resolução de problemas humanos. Ninguém precisará abdicar e sua fé, nem agredir os construtores de um futuro melhor, se agir assim.

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