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As relações humanas nem sempre correspondem àquilo que se poderia esperar de animais ditos superiores. Se ainda não constituem maioria os que renunciam às qualidades e atributos que os tornam diferentes dos outros animais, a impressão que se tem é a de que não estamos muito distantes disso. Uns atribuirão ao ódio que orienta boa parte da sociedade, o abandono das mais comezinhas características dos seres realmente humanos. Não faltam, porém, os que consideraram o que têm chamado de polarização, como se essa fosse circunstância descabida. Não houvessem interesses contraditórios, sequer a democracia seria necessária. Assim, os que a veem como um mal deixam clara a vocação e a orientação autoritárias, em qualquer hipótese avessa à convivência pacífica que a democracia exige e sem a qual abrem-se espaços de atuação propícios às ditaduras. Quando, ademais, essa aversão aos padrões democráticos ajunta-se ao desamor devotado aos pobres e, pior ainda, liga-se à ausência de amor próprio, até o sentimento de solidariedade é posto em terreno cediço. No extremo, ações e decisões contrárias aos interesses da coletividade de que fazem parte até mesmo os traidores, jamais se pode esperar resultado senão oprobioso. Quando a vítima de um sequestro apaixona-se pelo sequestrador, diz-se dela portadora da síndrome de Estocolmo. A situação de uma nação ameaçada pode levar a manifestações semelhantes. Se a maioria opta por enfrentar o agressor, não se pense impossível encontrar quem prefira a submissão. É o que vemos, em relação à resposta firme do governo brasileiro, ao aplicar a reciprocidade contra o governo dos Estados Unidos da América do Norte. Não há novidade na postura do candidato à Presidência da República (ou pau mandado de Trump). Afinal, o DNA tem seu peso, mesmo na política. A dúvida está em se

considerar a manifestação dele como a síndrome de Estocolmo ou, simplesmente, a revelação em carne e osso do complexo de vira-lata

 
 
 

Vez ou outra encontro velhos amigos, mais velhos do que eu, mas que os conheço há muito tempo. Para minha surpresa, alguns deles não carregam o fardo da idade, como era de se esperar, porém andam com uma nuvem de amargura sobre suas cabeças.

Rabugentos, lamentam a vida que viveram e tudo não valeu a pena (e a alma se tornou pequena). Agora, os sonhos se fizeram pesadelos e negá-los virou um troféu de amargura e lamento.

São velhos amargos vivendo uma vida de negação da sua própria vida. É como se tudo que fizeram foi errado ou, pior, não reconhecem virtude alguma nos seus feitos. O tempo se fez um vendaval de insignificância.

Ao encontrar um desses amigos, ou amigas, ouço com respeito e atenção, mas como dói vê-lo(a) com tanta amargura e desesperança na alma. A vida podia ser bem melhor.Mas nem todos envelheceram assim e muitos vivem os versos de Chaplin: “o caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza”…

Na minha caminhada de vida, tenho a grata alegria de continuar compartilhando sonhos e utopias com velhos amigos. Eles carregam poesia no sorriso e se orgulham da vida vivida.

Outro dia uma amiga lembrou Martin Luther King: melhor tentar e falhar que preocupar-se e ver a vida passar. É melhor tentar, ainda que em vão, que sentar-se fazendo nada até o final.

Lembrou altiva, orgulhosa, como quem continua caminhando na mesma trilha da esperança e da construção.

Como é bom ter amigos e amigas que não desistiram da vida ainda vivos.

Aos que balbuciam o lamento do que fizeram, a tristeza de uma velhice sofrida, amargurada e sonolenta. A vida não pode ficar para trás. Aí já é a morte.

Como canto de esperança aos que ainda permanecem vivos e se consomem na inércia e na cegueira, peguem uma Cora Coralina:


Faz de tua vida mesquinha um poema.E viverás no coração dos jovens e na memória das gerações que hão de vir. Esta fonte é para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte”.

O autor, Lúcio Carril é sociólogo*.


🟥⬛ BNC Amazonas⬜🟥


 
 
 
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