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DIA 16.06

Cine Guarany

18:30


Sinopse

1968. Ditadura militar. Censura e perseguição eram a tônica dominante. A Amazônia era considerada região de segurança nacional, uma "terra sem homens", para onde foram pensados projetos faraônicos que devastaram a floresta e exterminaram povos tradicionais. Nesse ano surge na cidade de Manaus o Teatro Experimental do Sesc, ou simplesmente TESC, nessa etapa conduzido pelo diretor Nielson Menão. Mesmo contra todas as expectativas o grupo faria história. Se transformou em grande espaço de resistência cultural num momento de repressão e angústia. Em sua fase inicial, de 1968 a 1972, os espetáculos do grupo investiram na radicalidade da expressão cênica e bateram de frente com as limitações impostas por uma ditadura criminosa e obscurantista. Em 1973 o escritor Márcio Souza assume a direção do TESC e ao lado do poeta Aldisio Filgueiras leva o grupo a novos rumos, buscando aprofundar o conhecimento da história do teatro, da dramaturgia e das técnicas teatrais. O grupo também queria entender o assalto predatório à Amazônia e desmistificar a euforia ilusória da Zona Franca de Manaus. Mas a maior das ambições foi abrir a cena para as culturas indígenas, para o universo das etnias amazônicas, com suas gestas, mitos e lendas, alicerces da identidade amazônica.

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*Documentário em longa-metragem produzido pela Rizoma Audiovisual.



 
 
 
14 de jun.
1 min de leitura

Nosso ESPAÇO ABERTO traz hoje o convite e a sinopse de documentário que será projetado na próxima terça-feira, no Cinema Guarany. Baseado em trabalho de Márcio Souza e Aldísio Filgueiras, o filme foi contemplado no Programa Cultura Criativa - 2020/ Lei Aldir Blanc - Prêmio Feliciano Lana, do Governo do Estado do Amazonas, com apoio do Governo Federal - Ministério do Turismo - Secretaria Especial da Cultura, Fundo Nacional de Cultura. A Rizoma Audiovisual responde pela produção.

 
 
 

Minha suspeita é a de que à vida de qualquer pessoa corresponderia um romance. Há, porém, os que o tem escrito, e os outros, que não encontraram alguém disposto a fazê-lo. Não se trata apenas de peças autobiográficas, como se pode constatar à leitura de tantos dos mais renomados romances. Estes, os há os de capa-e-espada, como os há os romances que entretinham meninas-moças, lá se vão algumas décadas. M. Delly não me deixa mentir. Os Dumas, igualmente. Outros romancistas preferiram ou preferem enveredar por outros territórios, por isso que não têm faltado escritores como Saint-Éxupery, Ernst Hemingway, Stephen King, Machado de Assis, José Saramago, Victor Hugo, Dostoievsky, Dalcídio Jurandir, Benedito Monteiro, e Paulo Jacob e Álvaro Maia, para não esquecer os nossos. O romance policial, que permitiu aos leitores saber do talento de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, poderia avançar e multiplicar-se, caso nossos escritores atentassem para o farto material posto à disposição de seu talento. Com um ingrediente que, mesmo sem ser novo, alcançou proporções realmente romanescas. Refiro-me ás tramas que envolvem a política, o mundo das finanças e o poder. Nesses ambientes, encontra-se farto manancial de articulações, amizades e relações de todo teor, a desafiar os mais argutos e inspirados observadores da fauna humana. Com a vantagem de contarem, sem a menor dificuldade, com multidão de protagonistas, seja dos que praticam as ações que as autoridades policiais e judiciárias (em menor medida, as autoridades penitenciárias) investigam, seja na seara em que cenhos cerrados servem menos para a transparência de legítima indignação, que para esconder os vínculos que pouco a pouco vão sendo expostos à luz solar. Veja-se, por exemplo, o desenvolvimento de uma trama que ocupa a maioria dos meios de comunicação e frequenta gabinetes dos mais importantes da república. Há desde aventureiros que posam de honestos banqueiros (se isso for possível) e dirigentes de poderes supostamente republicanos, até mandatários populares e membros do Judiciário candidatos à vaga de protagonista nos interessantes romances que estão por ser escritos. Posso garantir que, se ninguém for preso, se não há romancista interessado, se tudo acabará como de costume, minha experiência pessoal indica maior a necessidade de ler algo que se refira ao tema. Talvez seja difícil encontrar heróis em qualquer das tramas narradas, mas abundarão vilões e bandidos, mais desejáveis atrás das grades ou nas páginas de romances policiais, de terror ou, mesmo, eróticos (ingrediente que não tem faltado nesse mundo obscuro), a encher páginas e páginas impressas. De minha parte, certa vez escrevi um relato quase-romanesco, a que dei o título A república dos anões. Trabalho que apareceu como folhetim em A Crítica, a abordagem do chamado anões do orçamento transformou-se em livro, editado em 1995, pela Editora Lorena, de Manaus. As cifras envolvidas naquele (apenas um, miserável desse ponto de vista)crime nem troco seriam das que se registram nas relações suspeitas de hoje.

 
 
 
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