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A boiada passa

Célebre e vergonhosa reunião, realizada no Palácio do Planalto, em 22 de abril de 2019, soou como clarim. Nem por isso despertou a resistência dos que defendem a natureza, e com ela a paz. Presidida pelo próprio chefe do Poder Executivo, a tragédia anunciada, nem por se ter interrompido a partir de 2024, cessou de todo. O proclamador da guerra contra territórios e povos logrou assento em outro Poder, desta vez encontrando ressonância para sua fúria assassina. Muitas das crises fabricadas pelo Poder Legislativo, em sua feroz cruzada contra os outros dois poderes republicanos, acabaram por anular o combate às mais nocivas políticas de terra arrasada promovidas pelo atual governo. Com celeridade maior e mais predatória, as decisões do Congresso parecem empenhadas em alcançar o extermínio das çopulações, ao mesmo tempo exaurir o potencial de recursos existentes nos rios, solo e subsolo do País. Com a agravante de que muitos dos territórios onde se concentram esses recursos já são controlados por organizações criminosas. Assim, os que têm concorrido para fortalecer a ação dos delinquentes organizados podem ser considerados seus cúmplices. O mais recente resultado desse conluio traduz-se na aprovação de projeto de lei que proíbe a destruição dos equipamentos que atuam na repressão das atividades ilegais. Se vetada pelo Presidente da República, é quase certo que os interessados rejeitem o veto. A experiência o tem revelado. Embora esse seja somente um dos muitos passos dados, aberta a porteira, é o tema que mais expressa a avidez do rebanho em atravessar o rito e o ritmo democráticos.

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