Corda e enforcado
- Professor Seráfico

- há 25 minutos
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A oficialização de candidaturas à Presidência da República, ocorrida ontem, proporcionou episódios que, sem surpresa, têm a aparência das peças teatrais de Samuel Beckett. Puro teatro do absurdo. Sem fugir, porém, da absurda e obscura trajetória de um dos candidatos. A reiteração do enredo, portanto, responde pela absoluta falta de surpresa. Sem retirar do lamentável espetáculo o teor de absurdo por ele ostentado. Desde a presença, como avalista da candidatura lançada na cidade de São Paulo, do Presidente Milei da República Argentina, cujo povo vem empobrecendo no país infelicitado. Também não surpreendem a apresentação da imagem do exterminador do povo palestino, ratificador dos compromissos e laços que aproximam o candidato de Benjamin Netanyahu. Mais grave ainda, a aparição do criador do candidato, de quem este é porta-voz declarado e confesso. O que é mais grave, ainda, sem fugir à regra, essa aparição do condenado após o devido processo legal, também o tem como credor da promessa do candidato de mais uma vez ofender a Constituição e as leis eleitorais e penais. Não faltou, sequer, a atribuição ao seu concorrente mais temido, da prática de crimes, esquecido do que as autoridades policiais e judiciárias têm atribuído ao zero-três-à- esquerda, na ocasião lançado candidato. Daí, seu extremo absurdo, consistente em falar de corda em casa de enforcado. Como se milicianos e envolvidos em rachadinhas não fossem delinquentes, à moda de tantos outros que abarrotam as penitenciárias. E não há razões humanitárias que os ponha no recôndito do lar.

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