Cavando a própria sepultura
- Professor Seráfico

- há 49 minutos
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Imaginar que todos os agentes públicos sejam dotados de virtudes sobre humanas, enquanto privados da possibilidade de adquirir maus hábitos, será o pior dos juízos a que poderemos ser levados. Fôssemos todos membros de uma sociedade de justos e puros, para que serviriam as leis? Não ostentássemos peculiaridades inerentes à pretensa superioridade em relação às outras espécies animais, nada haveria além dos instintos para orientar nossa conduta. Justifica-se, portanto, a sentença dita, nem sempre em correspondência à conduta de muitos dos que cbnsideramos humanos. Dizer que o homem é o único animal que sabe que sabe, está muito longe da ignorância vigente. Há, assim, os que dão testemunho que valida a expressão, mas não falta razão para admitir em crescendo aqueles que limitam sua aplicabilidade. Não se dando conta de sua própria consciência, há os que não conseguem perceber que ciência e consciência nem sempre estão acordes. Em termos simples, mas nem por isso destituídos de fundamento, poderíamos lembrar que a educação e o culto à Ciência nem sempre convergem para a obra meritória que se deve esperar de todo ser realmente humano. Daí constituir-se mero slogan apostar todas as fichas na transformação do conhecimento em verdadeira panaceia. Só muito recentemente pessoas sem grau acadêmico formal chegaram ao poder, após prolongado período em que os tidos como doutos estabeleceram a sociedade desigual e cruel em que convivemos. Para que tem servido tanta Ciência? Alguns preferem passar ao largo dessa questão, não faltando dentre esses os que veem a desigualdade como determinação de um deus, chame-se ele Jesus, Alá ou Jeová. Dentro desse raciocínio, cabe a hipótese que alimenta todo tipo de preconceito e supremacismo. Também a recusa a enfrentar o conflito entre classes e, portanto, a renúncia à assunção da própria cidadania, com as exigências e consequências dela resultantes. A existência de pobres de direita não é, portanto, algo surgido do nada, nem mero acidente de percurso. A participação de muitos que se declaram lideres religiosos e usam a alegada fé como cultivo de currais eleitorais e obtenção de mandatos, têm muito a ver com isso. Também o tem o verdadeiro suicídio institucional em que parece mergulhar o Poder Judiciário. Aos cidadãos de bem interessaria ter magistratura isenta, em que os membros agiriam de modo diferente daqueles que levam os agentes de atos ilícitos ao devido processo legal. Não é isso o que testemunhamos hoje. Ao contrário, ao maléfico propósito de enfraquecer o Poder Judiciário, aliam-se membros desde mesmo poder, como se lhes interessasse cavar a sepultura do poder a que pertencem.

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