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Marginalidade e seus conceitos

Marginal, genericamente, é vocábulo empregado para tudo quanto esteja à margem. De um rio, do oceano e de outros fenômenos da natureza. Da Lei, também. Manaus, por exemplo, está à margem esquerda do Rio Negro. Belém ocupa a mesma posição, em relação à baía do Guajará. Há, em São Paulo, avenidas que correm às margens dos rios Tietê e Pinheiros. Em todas essas cidades, como em todos os outros estados e países, há os que vivem à margem da Lei. A maioria, que não pode sequer alegar que vive, vê-se forçada à marginalidade. A sobrevivência animal exigindo submeter-se aos caprichos, vontades e perversidades de outro tipo de marginal. O que, orientado pelo mais desumano egoísmo, condena os demais aos sofrimentos e dores que todo cidadão consciente e no uso dos mais elementares valores humanos consideraria inspiradores de sua conduta. Os primeiros, despossuidos de mais que sua própria miséria material, cada dia mais desprezados e alvos da maldade que os outros, miseráveis morais, acumulam ao longo de sua maldita vida. Pior, quando se os comparam, observa-se verem-nos de mãos dadas, como se fossem iguais, para além das aparências. Daí o comportamento de marginais simulando hostilidade a situações por eles mesmos criadas, em relação aos objetos de sua ganância, seu egoísmo e sua hedionda malignidade. O discurso anti-corrupção, por exemplo, é manifestação genuína, quando pronunciado pelos miseráveis materiais. Não é menos que descarado simulacro, se vem da boca dos produtores e beneficiários da desigualdade. Entre os que clamam contra a roubalheira do dinheiro público, encontramos gente que a pratica, hoje já não mais preocupada com o encobrimento dos fatos. Exemplo mais rasteiro, também frequente, é ocupar lugar em filas destinadas aos segmentos tidos por prioritários, na forma que a Lei estabelece. Sem se darem conta da marginalidade de seu ato. Aquele que faz do beneficiário nada menos que um marginal.

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