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Dizer que nada tem sido feito na Amazônia, com o patrocínio, facilitação e proteção das autoridades não corresponde à verdade. Não é de hoje, nem se tem alterado o quadro, a não ser para pior, pelo menos para os povos originários, os ribeirinhos e os segmentos mais pobres da população. Se apontássemos o tratamento dispensado aos indígenas, acrescentássemos a construção de hidrelétricas e a atuação de mineradores e desmatadores na região, teríamos dado - paupérrimo embora - um resumo da situação. Pois agora o Intercept divulga ocorrências que têm palco no Município de Portel, situado no Norte do Estado do Pará. Lá, os interesses dos 60 mil habitantes sequer foram tangenciados pelos benefício das atividades do empresário norte-americano Michael Edward Greene. Com terras públicas correspondentes a 38% do território municipal de Portel, adquiridas não se sabe à custa de que expedientes, ele participa do REDD - projeto de Redução de Emissão e Desmatamento de Florestas. Dentre as empresas que asseguram fabulosos negócios e lucros, são mencionadas a Samsung, a Air France, Boeing, Toshiba, Amazon e o clube inglês Liverpool. Repórteres do Intercept investigam essa questão, sem que isso tenha alterado a situação, embora o Ministério Público do Estado do Pará já esteja atuando na questão. Entre nada ter feito e ter feito muito, em prejuízo das populações, há enorme diferença. Por isso, não é difícil compreender as razões da tragédia dos Yanomami. Que, a continuar assim, atingirá outros segmentos da sociedade amazônica. Antes de instalado o atual governo de Lula, Micheal Edward Greene já havia faturado milhões de dólares, a título de sequestro do carbono. Com ele, sequestraram-se os interesses de milhões de brasileiros.

 
 
 

A pantomima criada e desempenhada por notórios inimigos da Democracia, para justificar o frustrado golpe de 8 de janeiro, afinal chegou ao ápice. Bastou a série de ditos e contráditos, narrativas fabulosas e reiteradas mentiras, depoimentos oficiais e conversas de gabinetes e alcovas, para o xerimbabo Marcos do Val revelar a verdadeira intenção da ridícula peça do

anedotário político. Se não bastaram um cabo, um soldado e um jipe para fechar o STF; se uma horda hospedada em acampamentos protegidos por golpistas instalados nos quartéis viu frustrado o intento criminoso do terrorismo de 8 de janeiro; se boa parte dos terroristas desfruta de digna hospedagem nos estabelecimentos penitenciários por eles merecidos - que ao menos fosse estancada a investigação. Para poupar os bravos escondidos em lugares remotos, eis que os bois de piranha já bastariam para satisfazer a legítima e obrigatória pubição dos bandidos inspirados no talebã. Deram-se mal, Varcos do Mal, Daniel Silveira, Anderson Torres e aqueles para o qual operam. A esta altura, reduz-se celeremente a probabilidade de êxito para qualquer nova tentativa golpista. O que não elimina a probabilidade de novas farsas e pantomimas, cada dia mais ridículas. E sobre as quais os mandantes sempre jurarão ignorância. As praias de Miami nãp são os pátios da Papuda e da Colmeia. Mais um tiro pela culatra, a confissão do senador-xerimbabo foi ao ponto e desnudou a tosca e asquerosa trama.

 
 
 

Tornou-se quase regra a tolerância da população, sempre sob a tenaz influência dos formadores de opinião, seja lá o que isso queira dizer, a concessão de pouco mais de três meses desde a posse, de tolerância em relação aos governo recém-instalados. Exatos cem dias era quanto exigia essa espécie de trégua, mesmo nos tempos em que as fake-news não constituíam o grosso(!) das matérias divulgadas, nem os novos governantes eram forçados a um esforço de reconstrução de tudo quanto fora destruído. Não é que as formas de fazer política e os próprios interessados na disputa do poder fossem feitos de outro barro. Também não eram muitos os anjos encontrados, como exceção, nesse curioso microuniverso. Podia-se supor, às vezes por exagerada tolerância ou ingenuidade, que a busca do poder tinha alguma relação com o desejo de tornar melhor a sociedade. O sentimento de que não há sociedade melhor do que a qualidade de seus construtores ainda tinha algum significado. Até a aparente certeza de que homem nenhum é uma ilha (como a disse o pastor anglicano John Donne - 1572-1631) ajudava a situar o homem no universo, e dizer de suas responsabilidades como membro da sociedade. Nada disso motiva mais, pelo menos a maioria das populações. Parte delas contribuindo, pela ignorância cuidadosamente planejada em que é mantida, para a tragédia a que se assiste - no extermínio dos Yanomami, na devastação florestal, na poluição dos rios e cidades mundo a fora, no desmerecimento das condições que fazem do animal bípede um ser humano. Estabeleceu-se de tal forma o ódio como ingrediente essencial ao processo de acumulação e concentração da riqueza a que ele levou, que a Vida humana já não é levada em conta. Ou, se o é, concebida, proclamada, defendida e usada para manter a desigualdade, se não for possível ampliá-la. Esta ultima, porém, é hipótese excluída, porque ao ódio não cabe repudiar a desigualdade, nem admitir sua mínima redução. Pois é ódio dessa origem e desse tipo que reduziu a 24 horas a lua-de-mel do Tripresidente brasileiro com os grandes grupos financeiros, os que vivem à custa de ajoelhar-se ou prestar serviços a eles e os que, de alguma forma sempre recolhem os restos que caem da mesa do grande banquete. Essa a razão maior de, ainda não decorridos sequer 50 dias de mandato, Lula já despertar a ira dos que se sentem ameaçados. Não na eventual retaliação que, em passado louvado pelos mesmos adversários de hoje, traduziam-se na prática de tortura, nos assassinatos, no desaparecimento físico para todo o sempre, tudo acobertado pelo detentores do poder. Não se passou ainda metade do tempo antes concedido a todos os que chegavam ao poder, e já falta a tolerância antes habitual. Parece que o ódio se tem voltado, nestes tempos em que pequenos organismos naturais chamados vírus e os vermes humanos que a eles se acumpliciam, contra a Esperança. Mas, enquanto ela houver, haverá Vida. E a dignidade desta está posta em jogo. Com ela ficará quem lhe der importância. Chega de mortos-vivos!

 
 
 
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