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Parecem-me absurdos os termos e os rumos da discussão sobre as taxas de juros. São tantas e tão flagrantes as consequências dos juros altos, sobre a economia e a vida dos brasileiros, que qualquer abordagem que omita esses fatos não resolverá uma sequer das questões levantadas. Muitas destas, relacionadas apenas aos números expressos nas taxas de juros. O problema principal é de ordem eminentemente política, qual seja a posição e o papel do Banco Central na vida da República. Qual a razão de eleger-se um Presidente, ao mesmo tempo em que se condicionam suas legítimas decisões e ações a uma instituição destinada à fixação dos juros oficiais e a outras funções, dentre as quais a geração de empregos? O Presidente, ao candidatar-se, apresenta aos cidadãos sua proposta de gestão, traduzida em compromissos e promessas, nenhum deles ou delas - falaciosas ou não - avessos aos anseios da sociedade, pelo menos parte dela. O vencedor nas urnas tem razões para ver sua vitória eleitoral como a escolha livre dos eleitores pelo conjunto de propostas discutidas na campanha eleitoral. O outro, Presidente do Banco Central, é indicado pelo presidente, escolha a que se acrescentam os votos de, no limite máximo de 81 senadores. Ou seja, no momento atual, as vontades e desejos de menos de 100 cidadãos prevalecendo sobre as necessidades, sonhos e aspirações de 60 milhões. Qual de nós lembrou de mencionar a geração de empregos como um dos objetivos do Banco Central? Há, portanto, evidente subversão da ordem democrática, que seria até dispensável mostrar os danos sociais causados pela extorsão que destina mais de 50% do orçamento nacional ao pagamento da dívida. Construída esta exatamente pelas taxas de juros escandalosas ao ponto de até alguns rentistas já os virem criticando. Moeda X gente - este o dilema a resolver. O resto é resto, mesmo.

 
 
 

Começa a preocupar os comentaristas e jornalistas políticos o risco de muitos dos envolvidos na tentativa de golpe e nas ações terroristas de 8 de janeiro acabarem escapando das penas da Lei. O grande número de terroristas presos, a prisão de alguns bichos graúdos e a demora em gente(?) ainda mais graúda sofrer os justos e legítimos constrangimentos legais são o motivo da preocupação. Sentem-se em alguns desses comentaristas dúvidas a respeito de decisões e providências que lhes parecem inquietantes. Uma delas, a manutenção dos presos em penitenciárias distantes de seu local de residência física -, quando esta houver. No extremo, a probabilidade de não serem obedecidas todas as regras que asseguram o devido processo legal e garantem o respeito aos direitos humanos. Embora não se tenha ainda conhecimento de alguma ocorrência reveladora de desrespeito a essas garantias individuais, a preocupação com o guarda da esquina não é desprezível. Outro ponto que causa mal-estar tem a ver com a aparente falta de prioridade na apuração dos atos criminosos praticados pelos orientadores, estimuladores e aliciadores, nenhum deles presente fisicamente na depredação das sedes dos Poderes republicanos. Mas eles existem, nem todos a esta altura cobertos pelo céu do Brasil. Não haveria nada de mal, se os terroristas presos na Papuda e na Colmeia, no Distrito Federal, fossem devolvidos (às suas próprias expensas, ou de seus patrocinadores) a seus locais de origem. A alguns até - quem sabe? - poderia ser concedida a liberdade, sempre com as medidas cautelares de praxe. Uso de tornozeleira eletrônica, restrição de atividades sociais que lhes favorecesse nova prática antidemocrática,. obrigação de comparecimento periódico à autoridade policial ou judiciária, recolhimento de passaporte, e todas as medidas preventivas aplicáveis a cada delinquente. Aos que reivindicam piscina de água aquecida, chás das cinco e happies-hours, creio que nenhum contribuinte reclamaria se fossem fornecidas tornozeleiras douradas ou dotadas de mecanismos de som que denunciassem sua presença no ambiente, sempre que o portador se aproximasse, eles que gostam tanto de aparecer nas redes sociais. Aa selfies que os incriminaram dizem mais...

 
 
 

Posso estar enganado, mas sempre que ouço ou leio algo sobre a manutenção da ZFM, vejo o pauperismo do clima em que as discussões se processam. Nem levo mais em conta o esporte a que se dedicaram as lideranças locais, durante os últimos 55 anos. Tal esporte que entreteve cada dia maior número de praticantes consiste em simples e unicamente propor a reiterada prorrogação dos incentivos fiscais. Mesmo quando uma rara voz portadora de limitada ousadia tentava sugerir algo diferente, não o fazia de forma convincente. Tanto, que raramente conseguiu converter algum que fosse dos seus correligionários. No entanto, desde o início dos anos 1970 houve profissionais reivindicando atenção para a crise em que se envolveria a ZFM, quando o modelo se esgotasse. Num certo sentido, CBA e FUCAPI surgiram ambos com a promessa de gerir, estimular e defender a diversificaçào da produção industrial em Manaus. Era tamanha a importância atribuída a essas duas noiniciativas e o papel que elas desempenhariam na economia regional, que as lideranças empresariais tinham lugar importante nos órgãos dirigentes de ambas. Essa circunstâbcia, porém, parece nunca ter sido levada na devida conta. Não fosse assim, o CBA já teria avançado seu propósito original. A potencialidade do manancial de recursos naturais da Amazônia já se teria transformado em realidade. A FUCAPI, uma promessa muito mais ampla, não passa hoje de mais um dos muitos negócios educacionais, como tantos em funcionento na capital amazonense. Mais uma vez a sobrevivência da ZFM mobiliza as mesmas forças políticas e empresariais, em especial os que fizeram fortuna graças à renúncia fiscal, sem que isso reduzisse a pobreza no Estado. A despeito de a capital ser dos seis maiores dentre os PIBs municipais do Brasil. As discussões, todavia, repisam velhos slogans e insistem em ignorar quanto o Mundo difere daquele em que nasceu a ZFM. Não se lê nem ouve sobre a probabilidade de compensar eventual perda de arrecadação pela criação de um fundo federal ou a concessão de outras vantagens, especialmente voltadas a premiar os que concorressem para o aproveitamento de recursos florestais, pesqueiros etc. de que a região é exuberante manancial. Sem esquecer a absorção massiva de mão de obra, acompanhada de substancial alteração na distribuição da riqueza gerada na região. Nada disso está no radar das lideranças. Como se a pobreza a que está condenada a maioria da população devesse estar atrelada â pobreza do repertório dos salvadores da Pátria.

 
 
 
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