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Foco errado

Parecem-me absurdos os termos e os rumos da discussão sobre as taxas de juros. São tantas e tão flagrantes as consequências dos juros altos, sobre a economia e a vida dos brasileiros, que qualquer abordagem que omita esses fatos não resolverá uma sequer das questões levantadas. Muitas destas, relacionadas apenas aos números expressos nas taxas de juros. O problema principal é de ordem eminentemente política, qual seja a posição e o papel do Banco Central na vida da República. Qual a razão de eleger-se um Presidente, ao mesmo tempo em que se condicionam suas legítimas decisões e ações a uma instituição destinada à fixação dos juros oficiais e a outras funções, dentre as quais a geração de empregos? O Presidente, ao candidatar-se, apresenta aos cidadãos sua proposta de gestão, traduzida em compromissos e promessas, nenhum deles ou delas - falaciosas ou não - avessos aos anseios da sociedade, pelo menos parte dela. O vencedor nas urnas tem razões para ver sua vitória eleitoral como a escolha livre dos eleitores pelo conjunto de propostas discutidas na campanha eleitoral. O outro, Presidente do Banco Central, é indicado pelo presidente, escolha a que se acrescentam os votos de, no limite máximo de 81 senadores. Ou seja, no momento atual, as vontades e desejos de menos de 100 cidadãos prevalecendo sobre as necessidades, sonhos e aspirações de 60 milhões. Qual de nós lembrou de mencionar a geração de empregos como um dos objetivos do Banco Central? Há, portanto, evidente subversão da ordem democrática, que seria até dispensável mostrar os danos sociais causados pela extorsão que destina mais de 50% do orçamento nacional ao pagamento da dívida. Construída esta exatamente pelas taxas de juros escandalosas ao ponto de até alguns rentistas já os virem criticando. Moeda X gente - este o dilema a resolver. O resto é resto, mesmo.

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