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Começa a esquentar a chapa onde se fritam as candidaturas. Antigos aliados deixam mais transparentes os propósitos que os animam, mesmo que já tenham alguns conseguido multiplicar seus ganhos, a ponto de as transformar em fortunas. Outros tratam de afastar-se de antigos aliados, eis que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Lei da física, sempre há os que tentam, sem êxito, produzir esse efeito milagroso. O resultado sempre levou à formação de grupos solidários no saque aos cofres públicos e na condenação da população à fome, à miséria, à morte por doenças preveníveis, à renúncia ao que o ser humano teria de mais meritório - a dignidade. Há, ainda, os que, inspirados em poema de Augusto dos Anjos, lançam seu cuspe apostemado sobre as mãos que lhes afagaram e o empurraram para cima da pirâmide social. A disputa já está nas ruas, sendo certa a repetição de episódios por demais conhecidos e reconhecidos, parte da trágica trajetória de que contumazes e recorrentes protagonistas são os que a produziram. Pode-se testemunhar, desde cedo, quanto chumbo grosso está abarrotando os paióis dos grupos envolvidos na disputa. Por enquanto, a indiscrição dos interessados nos votos é contida, menos pelo respeito à dignidade dos eleitores ou convicção democrática. É preciso reunir forças para enfrentar o atual (aqui, a expressão é exata, porque no futuro - que pode ser o dia seguinte - tudo estará mudado) adversário, mesmo à custa da disseminação de mentiras e falsidades, às vezes sugestivas apenas de que onde há fumaça, há fogo. Mais uma vez, a sabedoria popular fazendo válida e legitimando sua sentença: o povo aumenta, mas não inventa. Nunca será demais lembrar que Al Capone foi derrotado sem que qualquer tiro fosse disparado. Levou-o pro vinagre o Imposto de Renda. Aqui, os domadores de leões parecem ter êxito que seus colegas abrigados sob a lona dos circos não encontram. Não raro - ou quase nunca - o crítico de tudo e de todos é avesso ao pagamento dos tributos. Que os paguem os outros cidadãos, onerados antes mesmo de lhes chegar á conta bancária o primeiro dos centavos ganhos com o próprio suor, às vezes até o sangue. Os eleitores, desmemoriados por doença, má fé ou cumplicidade, acabam se deixando envolver no script da tragédia. Ou desta vez será diferente? Esperemos, para conferir.

 
 
 

Quando o presidente George W. Bush preparava a invasão do Iraque, alardeava dispor-se a travar intensa guerra contra o terrorismo. Divulgava os preparativos para o que considerava uma guerra contra o país de Sadam Hussein, integrante, com a Coréia do Norte e o Irã, do chamado eixo do mal. A opinião pública norte-americana não demorou a emprestar apoio à política belicosa de seu presidente. O atentado contra as torres gêmeas, fato absolutamente previsível e previsto (por isso, evitável), foi o detonador de que precisava Bush para invadir e massacrar o Iraque. Além dos entusiasmados governantes de umas poucas nações estrangeiras (Inglaterra, Espanha e Austrália, em especial), somente os em geral desinformados cidadãos dos Estados Unidos da América do Norte aceitaram como guerra o massacre promovido contra o povo iraquiano. Destituído o despótico governo de Sadam Hussein, restava repartir o butim. Para a região logo se deslocaram os representantes das empresas norte-americanas interessadas no petróleo e em outras riquezas do país distante. Concluída a carnificina, era preciso, então, consolidar a ocupação. Após frustradas tentativas de prender ou matar Bin Laden, ao qual o governo Bush atribui poderes quase divinos, restou prender em condições humilhantes o ex-aliado Sadam Hussein. Antes, o confronto da população local com as tropas de ocupação dava sinais de que perduraria por muito tempo. Tornados claros os verdadeiros propósitos dos círculos econômico-financeiros dos Estados Unidos da América do Norte, a resistência só tem crescido. Agora é que se trava, de fato, a guerra que o governo norte-americano anunciou e substituiu por um dos espetáculos mais desprezíveis de matança sistemática e em série que a história registra. Quase diariamente, ações hostis aos soldados estrangeiros deixam vítimas, nas quais sempre se incluem militares da ocupação, além de civis, iraquianos alguns. Em desvantagem diante da maior potência bélica do Planeta, as forças da resistência acrescentam às práticas suicidas rotineiras outro tipo de atuação, desde que sirva para mostrar aos insolentes ocupantes seu desejo de liberdade. É como se David estivesse novamente enfrentando Golias, fundas e mísseis moderníssimos medindo forças, as primeiras manejadas pelos habitantes do lugar, nas mãos de invasores deslocados dos lugares mais remotos do Mundo as armas modernas. Trata-se de um dos enfrentamentos mais sujos e asquerosos conhecidos pela espécie humana. Talvez em nenhum outro lugar, em qualquer tempo, a voracidade dos interesses econômicos e financeiros se fez mais ostensiva e agressiva quanto nesse episódio a que todos assistimos, pela televisão. Assim, enganam-se os que vêem distinção apenas na forma e na velocidade com que a sociedade humana testemunha os acontecimentos. Há muito mais a ver, na luta sem quartel e sem trégua que os iraquianos impõem às forças invasoras. Do pretexto já não se fala, tão transparente ficaram as verdadeiras razões do massacre. A pressa com que representantes de Bush e de seu vice-presidente trataram de obter contratos para a operação ou exploração de importantes atividades no Iraque valem mais que todos os discursos canhestros e toscos do texano que preside os Estados Unidos da América do Norte. Também tem poucas chances de prosperar a tentativa de envolver cidadãos fardados de outros países, para colocarem suas vidas a serviço da mais flagrante rapinagem que a história contemporânea registra. Para os norte-americanos, a guerra pode estar apenas começando. Tanto eles sabem disso, que seu presidente-guerreiro corre o risco de perder as próximas eleições, se é que elas se resolverão realmente nas urnas. Se não, restará a eles receber a mediocridade do opositor de Bush. Enfim, tudo na mais fiel representação dos valores e virtudes daquela sociedade.

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*Texto redigido em 21-05-2019, mas pleno de atualidade.

 
 
 

Desdenhados os antecedentes e destacadas as inevitáveis consequências da substituição da escala 6 X 1, as discussões sobre a nova jornada de trabalho estreitam os bons resultados previstos. Resumem-se estes à probabilidade de aumentar nos trabalhadores o desejo de bem cumprir suas tarefas e, assim, permanecerem mais tempo nos respectivos postos. Especialistas garantem que isso ocorreu em numerosos países, não havendo razão para se esperar diferente, nas terras da Santa Cruz. Previsões nem sempre são justas e aplicáveis, quando a História é deixada de lado. Menos pela suposta rigidez do material de que se nutre o cotidiano da sociedade, mas pelos interesses ocultos por propósito e cálculo. Quem se der o trabalho de olhar para trás e trazer dele a percepção da essência relacionada ao fenômeno visível, sabe que otimismo demasiado interessa pouco. As discussões sobre a abolição do regime escravocrata hão de ter ensinado boa parte dos brasileiros, como podem ter passado em branco a tantos outros. Alguns, por pura ignorância; outros, por verem contrariados seu egoísmo e a perversidade que o alimenta. Assim, o que aparentava seguir tranquilamente o trecho legislativo do Congresso, na apreciação e votação nas duas Casas, não pode ser dado como favas contadas. Vários são os expedientes postos à disposição dos congressistas, tudo ao sabor de suas conveniências pessoais, da orientação dos segmentos com os quais assumiram compromissos (alguns fazendo seus mandatos dependentes da obediência sempre cobrada), até da oportunidade.  Mais tarde, a fixação do salário-mínimo não se cercou de ambiente diverso. Grande parte das empresas fecharia, o mercado de trabalho ofereceria menos vagas, a miséria campearia, de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Seguiu-se a criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço- FGTS. O ônus imposto aos patrões pretextou intenso combate, em que não faltaram as chantagens habituais e as ameaças de praxe. O País vai à bancarrota, era o que se dizia. Nada disso aconteceu. O que se viu, ao contrário, foi movimento ascendente na produção, acumulação exponencial de lucros e concentração da riqueza maior que a vigente antes dessas medidas. É no terceiro desses indicadores que se resume uma das duas consequências prováveis da aprovação da nova escala. Nos últimos dias, isso se torna mais aparente, pois já começam a circular interpretações que apontam queda na produção, desemprego e outros efeitos sempre rejeitados pelos que retêm a riqueza nacional. A substituição da escala, se afinal aprovada, ou forçará o consumidor a pagar mais pelo produto, ou terá que ser mantida pela redução dos lucros fabulosos registrados. Ninguém olha para os números que traçam o retrato da desigualdade, situação em que quem ganha nada pode perder; quem perde, cada dia perderá mais. Os que ganharão mais tempo para outras atividades deixarão nos supermercados e no comércio em geral o que poderia levá-los a ter o tempo fora do trabalho a seu favor. Sem reduzir a desigualdade, nada melhorará para a maioria.

 

 

 
 
 
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