A guerra pós-massacre*
- Professor Seráfico

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Quando o presidente George W. Bush preparava a invasão do Iraque, alardeava dispor-se a travar intensa guerra contra o terrorismo. Divulgava os preparativos para o que considerava uma guerra contra o país de Sadam Hussein, integrante, com a Coréia do Norte e o Irã, do chamado eixo do mal. A opinião pública norte-americana não demorou a emprestar apoio à política belicosa de seu presidente. O atentado contra as torres gêmeas, fato absolutamente previsível e previsto (por isso, evitável), foi o detonador de que precisava Bush para invadir e massacrar o Iraque. Além dos entusiasmados governantes de umas poucas nações estrangeiras (Inglaterra, Espanha e Austrália, em especial), somente os em geral desinformados cidadãos dos Estados Unidos da América do Norte aceitaram como guerra o massacre promovido contra o povo iraquiano. Destituído o despótico governo de Sadam Hussein, restava repartir o butim. Para a região logo se deslocaram os representantes das empresas norte-americanas interessadas no petróleo e em outras riquezas do país distante. Concluída a carnificina, era preciso, então, consolidar a ocupação. Após frustradas tentativas de prender ou matar Bin Laden, ao qual o governo Bush atribui poderes quase divinos, restou prender em condições humilhantes o ex-aliado Sadam Hussein. Antes, o confronto da população local com as tropas de ocupação dava sinais de que perduraria por muito tempo. Tornados claros os verdadeiros propósitos dos círculos econômico-financeiros dos Estados Unidos da América do Norte, a resistência só tem crescido. Agora é que se trava, de fato, a guerra que o governo norte-americano anunciou e substituiu por um dos espetáculos mais desprezíveis de matança sistemática e em série que a história registra. Quase diariamente, ações hostis aos soldados estrangeiros deixam vítimas, nas quais sempre se incluem militares da ocupação, além de civis, iraquianos alguns. Em desvantagem diante da maior potência bélica do Planeta, as forças da resistência acrescentam às práticas suicidas rotineiras outro tipo de atuação, desde que sirva para mostrar aos insolentes ocupantes seu desejo de liberdade. É como se David estivesse novamente enfrentando Golias, fundas e mísseis moderníssimos medindo forças, as primeiras manejadas pelos habitantes do lugar, nas mãos de invasores deslocados dos lugares mais remotos do Mundo as armas modernas. Trata-se de um dos enfrentamentos mais sujos e asquerosos conhecidos pela espécie humana. Talvez em nenhum outro lugar, em qualquer tempo, a voracidade dos interesses econômicos e financeiros se fez mais ostensiva e agressiva quanto nesse episódio a que todos assistimos, pela televisão. Assim, enganam-se os que vêem distinção apenas na forma e na velocidade com que a sociedade humana testemunha os acontecimentos. Há muito mais a ver, na luta sem quartel e sem trégua que os iraquianos impõem às forças invasoras. Do pretexto já não se fala, tão transparente ficaram as verdadeiras razões do massacre. A pressa com que representantes de Bush e de seu vice-presidente trataram de obter contratos para a operação ou exploração de importantes atividades no Iraque valem mais que todos os discursos canhestros e toscos do texano que preside os Estados Unidos da América do Norte. Também tem poucas chances de prosperar a tentativa de envolver cidadãos fardados de outros países, para colocarem suas vidas a serviço da mais flagrante rapinagem que a história contemporânea registra. Para os norte-americanos, a guerra pode estar apenas começando. Tanto eles sabem disso, que seu presidente-guerreiro corre o risco de perder as próximas eleições, se é que elas se resolverão realmente nas urnas. Se não, restará a eles receber a mediocridade do opositor de Bush. Enfim, tudo na mais fiel representação dos valores e virtudes daquela sociedade.
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*Texto redigido em 21-05-2019, mas pleno de atualidade.

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