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O pacto maldito

Este blog trouxe, NO ESPAÇO ABERTO, dia 11 passado, interessante e esclarecedor texto de David Deccache. Mestre em economia e assessor da bancada federal do PSOL, o autor trata do pacto tácito das elites brasileiras. Intitulado O projeto oculto das elites, a matéria fez-me lembrar conversa que mantive com o então deputado federal Celso Brandt, no gabinete de Umberto Calderaro Filho, n'A Crítica. Candidato à Presidência da República, o combativo representante das Minas Gerais passou por Manaus, para os necessários contatos e articulações. Sempre que uma personalidade da política vinha à cidade, o gabinete do Caldera era ponto obrigatório da visitação do viajante. O mesmo faziam as autoridades locais. Dessa rotina participava a convocação que o proprietário do jornal fazia ao seu editorialista, eu, para conversar com o visitante. Informado das posições do professor Celso Brandt, aproveitei aquele encontro, para pedir ao colega da UFMG, um comentário sobre tema que meus alunos propunham, em nossas aulas na UFAM. Pediam-me eles para explicar por que o Brasil mantinha altos índices de analfabetismo, crescente desigualdade, fome endêmica, doenças preveníveis ainda registradas e altas taxas de desemprego. Mostravam-me os jovens matriculados nos cursos da Faculdade de Estudos Sociais, sua incompreensão, diante da contradição por eles identificada. Quase todos os políticos ou líderes empresariais se diziam indignados com a triste realidade, sem que ela se modificasse. Minha resposta, sobre a qual pedi o parecer do candidato, atribuía às elites brasileiras a manutenção de um pacto não escrito, nem explícito, entre todos os segmentos da elite. Se, em suas reuniões e propostas encaminhadas ao governo não havia recomendação expressa, as decisões tomadas nem precisariam disso. Os propósitos, os valores e a visão de mundo desses segmentos, pela identidade entre eles, dispensava qualquer explicação e justificativa. A realidade, portanto, resultava disso, não de qualquer desvio ou, como um dia se chamou, acidente de percurso. O professor Celso Brandt, depois que lhe informei como eu respondia aos alunos, aconselhou-me permanecer respondendo assim. É muito próximo do que eu dizia, faz mais de 40 anos, o que David Deccache diz, agora. Ler O projeto oculto das elites brasileiras, portanto, ajudará os leitores a entenderem as causas de sermos como somos.

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