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É quase unânime a percepção de influentes jornalistas, quanto à degradação da política no Estado do Rio de Janeiro. São mencionados, geralmente, o número de governadores presos e as causas que os levaram à cadeia. Uns mais, outros menos, quase todos se envolveram em crimes genericamente chamados de corrupção. A exceção fica por conta de Moreira Franco, absolvido pela Justiça. Comparados a antigos governadores, os mais recentes dão o grau a que chegou a desvalorização da atividade política fluminense, tanto quanto o perfil moral dos personagens. Para ficar no mais notório dos antigos, Chagas Freitas, o jornalista Otávio Guedes (Globo News) mencionou que seu modo populista de governar não chegava aos extremos da corrupção hoje atingida. A Chagas é atribuído o expediente de governar sob a inspiração de bicas d'água. Ou seja, colocar à disposição de deus aliados um ponto instalado nas favelas, a serviço da população e do interessado que, eleito com votos regados à água da bica, aumentava seu curral eleitoral. Cláudio Castro, tornado inelegível, aumentou o número de bicas, mas a elas juntou outras iniciativas de que se ocupam as leis penais. Dizia-se, não faz muito tempo, que o eleitorado paulista era dos mais desdenhosos, em relação aos requisitos da democracia. Em passado já quase esquecido, tornou-se célebre um governador que registrou na história a frase rouba, mas faz. Chamava-se Ademar de Barros, um dos três mais influentes governadores estaduais que colaboraram para a derrubada de João Goulart. Outra figura emblemática é o ex-governador Paulo Maluf, tão influente na ditadura quanto símbolo daqueles tempos, sobretudo porque fez criar neologismo ao mesmo tempo preciso e vergonhoso. Malufar surgiu como palavra para substituir roubar. De Pita, o que se sabe segue roteiro semelhante. Tiririca e o rinoceronte também foram eleitos pelos paulistas, mas são cafés pequenos, diante dos mais notórios aqui citados. Atualmente, a rivalidade entre Rio e São Paulo torna-se mais acirrada. Com a peculiaridade de que o Estado em que nasceu Maluf passou a recrutar seus quadros na antiga capital federal.

 
 
 

Donald Trump não é tão imprevisível, nem tão hesitante quanto a maioria dos que o observam afirma. É verdade que ele prometeu acabar a guerra na Ucrânia nas primeiras 24 horas depois de empossado para seu segundo mandato presidencial. Isso não aconteceu. Nem é assunto ou objetivo que lhe interesse. Ele sempre tenta encontrar forma de ganhar dinheiro, quando a recompensa esperada demora. Depois, dizendo-se candidato ao Prêmio Nobel da Paz, ele tratou de ajudar o governo de Israel a praticar o holocausto do povo palestino. Neste caso, chegou ao limite, sem que conseguisse ocupar a faixa de Gaza e lá instalar o balneário, com cassinos e bordéis que seus antecessores instalaram e mantiveram, em quase todos os continentes. Inclui-se nessa linha de raciocínio o tarifaço com que presenteou quase todas as nações com quem seu país tem relações comerciais. Raros, hoje, os países ainda onerados pelas novas taxas, sendo raros, também, os produtos ainda mantidos sob o regime tarifário por ele imposto. Mais um recuo, como os que ele está acostumado a fazer, o bastante para se saber que sua hesitação é apenas aparente, tanto quanto a previsibilidade do seu comportamento consiste exatamente nisso: mentir e ameaçar; chantagear e recuar são, portanto, parte do seu modus operandi. Constituem rotina e se desfazem, como as nuvens indicadas pelo político mineiro Magalhães Pinto. O que assusta é a probabilidade de ele apertar o botão que detona a bomba atômica. Quando o recuo de nada valerá. Os que sabem de Nagasaki e Hiroshima não se podem enganar. Ao contrário, devem levar em conta uma exclusividade que deve orgulhar o falastrão: só os Estados Unidos da América do Norte lançaram uma bomba tão poderosa sobre populações indefesas.

 
 
 

O comunicador Eduardo Moreira, criador do Instituto Conhecimento Liberta - ICL denuncia em recente vídeo o que pode significar uma recidiva na trajetória das organizações Globo. Registra a história a enorme influência e o ostensivo e profundo apoio das empresas dos Marinho, no golpe empresarial-militar de 1964. Quanto mais se vai sabendo dos atos praticados pelos ditadores e seus respectivos cúmplices, mais se sabe sobre a conduta dos Marinho, agora objeto das preocupações e comentários do ex-profissional dos negócios. Eduardo Moreira, que conhece muito bem o outro lado do balcão, pelo menos parece vir prestando serviço útil à população, sobretudo quando não lembra Sílvio Santos, o camelô. Seu ICL promove, aqui e acolá, algum evento ou projeto que beneficia segmentos geralmente deslembrados pelas autoridades públicas. Que ele é um eficiente vendedor, não seria o editor deste blogue que duvidaria. Mas, diferente de muitos outros que cresceram como pessoa e superaram os preconceitos e o desprezo pelos iguais para menos, Eduardo parece ter optado por um caminho sem volta - o abraço às causas da maioria da população e a defesa intransigente da democracia. Nesse sentido, tem feito o que pode, em especial promovendo a investigação de ilícitos que grande parte da população legitima, quando não aplaude, talvez na espera de se ver beneficiada. Às vezes, a ansiedade de Eduardo é tamanha, que ele chega perto de ir além do comentário sereno e eficaz. Já a Globo, aparentando arrependimento pela adesão à ditadura, desde as articulações que antecederam o trágico 1 de abril de 1964, vez por outra comete o que os psicólogos chamam ato falho. É de um desses atos falhos que Eduardo Moreira trata, ao ver em um powerpoint apresentado em programa jornalístico omissão, a critério dele - e de quantos desejam saber a verdade dos fatos - do nome do ex-Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nesse posto, o neto do economista Bob Fields (como a esquerda chamava o professor Roberto Campos) poderia estancar a volúpia por ganhar dinheiro e poder ostentada por Daniel Vorcaro. Está praticamente confirmado que até avisos de que o arrivista de ascensão meteórica (como o chama Thomas Traumann, colunista d'O Globo) cometeria os crimes que cometeu, Campos Neto recebeu. Como se sabe, o BC por ele presidido assistiu impassível e mudo a ação nefasta do aventureiro. Essa assistência, dita como está aqui, dispensa a crase no artigo, pois os dois sentidos do termo são aplicáveis ao casos. Os fatos até agora apurados, pela condição de que se reveste hoje o ex-Presidente do Banco Central (Presidente do Nu Bank) dizem muito. Basta saber que esse estabelecimento financeiro é uma das empresas do grupo dos Marinho. Mais uma vez a república corre risco e não falta quem pretenda recuar, para favorecer novo golpe.

 
 
 
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