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Recidiva?

O comunicador Eduardo Moreira, criador do Instituto Conhecimento Liberta - ICL denuncia em recente vídeo o que pode significar uma recidiva na trajetória das organizações Globo. Registra a história a enorme influência e o ostensivo e profundo apoio das empresas dos Marinho, no golpe empresarial-militar de 1964. Quanto mais se vai sabendo dos atos praticados pelos ditadores e seus respectivos cúmplices, mais se sabe sobre a conduta dos Marinho, agora objeto das preocupações e comentários do ex-profissional dos negócios. Eduardo Moreira, que conhece muito bem o outro lado do balcão, pelo menos parece vir prestando serviço útil à população, sobretudo quando não lembra Sílvio Santos, o camelô. Seu ICL promove, aqui e acolá, algum evento ou projeto que beneficia segmentos geralmente deslembrados pelas autoridades públicas. Que ele é um eficiente vendedor, não seria o editor deste blogue que duvidaria. Mas, diferente de muitos outros que cresceram como pessoa e superaram os preconceitos e o desprezo pelos iguais para menos, Eduardo parece ter optado por um caminho sem volta - o abraço às causas da maioria da população e a defesa intransigente da democracia. Nesse sentido, tem feito o que pode, em especial promovendo a investigação de ilícitos que grande parte da população legitima, quando não aplaude, talvez na espera de se ver beneficiada. Às vezes, a ansiedade de Eduardo é tamanha, que ele chega perto de ir além do comentário sereno e eficaz. Já a Globo, aparentando arrependimento pela adesão à ditadura, desde as articulações que antecederam o trágico 1 de abril de 1964, vez por outra comete o que os psicólogos chamam ato falho. É de um desses atos falhos que Eduardo Moreira trata, ao ver em um powerpoint apresentado em programa jornalístico omissão, a critério dele - e de quantos desejam saber a verdade dos fatos - do nome do ex-Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Nesse posto, o neto do economista Bob Fields (como a esquerda chamava o professor Roberto Campos) poderia estancar a volúpia por ganhar dinheiro e poder ostentada por Daniel Vorcaro. Está praticamente confirmado que até avisos de que o arrivista de ascensão meteórica (como o chama Thomas Traumann, colunista d'O Globo) cometeria os crimes que cometeu, Campos Neto recebeu. Como se sabe, o BC por ele presidido assistiu impassível e mudo a ação nefasta do aventureiro. Essa assistência, dita como está aqui, dispensa a crase no artigo, pois os dois sentidos do termo são aplicáveis ao casos. Os fatos até agora apurados, pela condição de que se reveste hoje o ex-Presidente do Banco Central (Presidente do Nu Bank) dizem muito. Basta saber que esse estabelecimento financeiro é uma das empresas do grupo dos Marinho. Mais uma vez a república corre risco e não falta quem pretenda recuar, para favorecer novo golpe.

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