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Rivalidade

27 de mar.
2 min de leitura

É quase unânime a percepção de influentes jornalistas, quanto à degradação da política no Estado do Rio de Janeiro. São mencionados, geralmente, o número de governadores presos e as causas que os levaram à cadeia. Uns mais, outros menos, quase todos se envolveram em crimes genericamente chamados de corrupção. A exceção fica por conta de Moreira Franco, absolvido pela Justiça. Comparados a antigos governadores, os mais recentes dão o grau a que chegou a desvalorização da atividade política fluminense, tanto quanto o perfil moral dos personagens. Para ficar no mais notório dos antigos, Chagas Freitas, o jornalista Otávio Guedes (Globo News) mencionou que seu modo populista de governar não chegava aos extremos da corrupção hoje atingida. A Chagas é atribuído o expediente de governar sob a inspiração de bicas d'água. Ou seja, colocar à disposição de deus aliados um ponto instalado nas favelas, a serviço da população e do interessado que, eleito com votos regados à água da bica, aumentava seu curral eleitoral. Cláudio Castro, tornado inelegível, aumentou o número de bicas, mas a elas juntou outras iniciativas de que se ocupam as leis penais. Dizia-se, não faz muito tempo, que o eleitorado paulista era dos mais desdenhosos, em relação aos requisitos da democracia. Em passado já quase esquecido, tornou-se célebre um governador que registrou na história a frase rouba, mas faz. Chamava-se Ademar de Barros, um dos três mais influentes governadores estaduais que colaboraram para a derrubada de João Goulart. Outra figura emblemática é o ex-governador Paulo Maluf, tão influente na ditadura quanto símbolo daqueles tempos, sobretudo porque fez criar neologismo ao mesmo tempo preciso e vergonhoso. Malufar surgiu como palavra para substituir roubar. De Pita, o que se sabe segue roteiro semelhante. Tiririca e o rinoceronte também foram eleitos pelos paulistas, mas são cafés pequenos, diante dos mais notórios aqui citados. Atualmente, a rivalidade entre Rio e São Paulo torna-se mais acirrada. Com a peculiaridade de que o Estado em que nasceu Maluf passou a recrutar seus quadros na antiga capital federal.

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