Democracia e soberania
A eleição em segundo turno, amanhã, tem tudo para ser a mais importante deste século, no Brasil. Desta vez, não se trata apenas da substituição ou permanência de um Presidente da República. O que se tem chamado polarizaçãa e alguns observadores desatentos consideram fenômeno extraordinário , só é possível na democracia. Para enfrentar as dificuldades resultantes das diferenças individuais e coletivas, os gregos criaram o governo do povo pelo povo e para o povo. Só a preocupação exclusiva com a ordem tem desembocado nas ditaduras, a vontade de uns poucos ou de só um prevalecendo sobre todos os demais. Tanto mais polarizada, mais a necessidade de perceber o fenômeno e oferecer as condições que a liberdade pública e individual favorece. Algo que coloca o regime democrático em vantagem em relação a qualquer outro. Há momentos, todavia, em que a polarização se faz à sombra do ódio, atribuindo a este virtudes que ele não tem, além de por sob risco avanços sociais benéficos à maioria dos cidadãos. Em horas como estas, é preciso eliminar divergência menores, fruto da intolerância ou do egoísmo, uma e outro pouco afeitos ao ambiente democrático. É forçoso reconhecer como a sociedade brasileira tem enfrentado dificuldades que sua posição no concerto internacional não pode admitir. Colocado dentre as 8 maiores economias do Planeta, não pode o Brasil jogar fora o prestígio de que desfruta, graças não só às reservas naturais contidas em seu território. Se a força e a alegria do povo brasileiro ainda não levaram a uma sociedade pacífica e próspera, injusto será atribuir à maioria dos que trabalham e aspiram por melhores dias esse descompasso. Setores exageradamente egoistas e inspirados não pelas virtudes e valores profundamente humanos têm interrompido ou atrasado a caminhada em direção a uma sociedade justa e pacífica. Fora da democracia, não só serão abaladas as conquistas duramente alcançadas, como será comprometido o futuro, devolvendo o Brasil à condição de colônia e condenando as gerações futuras à humilhação que a minoria deseja e luta por ver praticada. Por isso, a ninguém é dado ignorar que o pleito de smanhã coloca em confronto soberania/democracia, contra ditadura/submissão. Joaquim Silvério dos Reis , Calabar e cabo Anselmo não têm mais como sobreviver.



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