A novidade que não é tão nova
Poucos os observadores a mencionar um fenômeno que lembra acontecimento registrado no pós-golpe imediato de 1964. No fatídico dia 01 de abril daquele ano, partiu dos estudantes a reação mais expressiva ao golpe de estado que nos submeteu à ditadura que durou 21 anos. Desta vez, pouco se mencionou a União Nacional dos Estudantes, cuja resistência atraiu maior ódio contra os universitários e secundaristas da época. Nem foram divulgados, agora, os nomes das lideranças estudantis, sendo que boa parte das que resistiram ao golpe anterior e à longeva ditadura por ele imposta tornaram-se dada dia mais conhecidos, pela permanência na luta contra o autoritarismo. É certo que alguns dos líderes estudantis daquele momento acabaram por tornar-se coniventes, quando não cúmplices dos golpistas. Nada que os faça maioria, dentre a multidão de brasileiros dignos e corajosos. Muitos deles, ainda hoje permanecem fieis aos propósitos que os animam, seja na defesa intransigente da democracia, seja na frente das lutas pelos direitos humanos, seja ainda como partícipes da intimorata resistência à devolução dos brasileiros aos odiosos objetivos dos pretensos domo do mundo. Já não se chamam Anselmo, nem são cabos os traidores de agora. Alguns, inclusive, utilizam-se de mandato popular que só a democracia protege e favorece, para trair o País e promover a entrega de nossa soberania e das riquezas contidas em nosso territóhumanosrio, aos interesses e desígnios de governos estrangeiros. A União Nacional dos Estudantes, cuja sede foi incendiada logo no início da ditadura, sequer se sabe onde hoje está instalada. Não que se tenha apagado de vez a memória dos brasileiros, como a recente reação da comunidade estudantil o comprova. Um outro dado há de ser considerado, se não para explicar totalmente o regresso às ruas da juventude que sonha com uma sociedade menos desigual, mas para ajudar na interpretação dessa promissora mobilização. Outras cidades, mundo afora, também têm sido tomadas por expressivos grupos de estudantes, como se renascesse na sociedade mundial o que há de melhor nas cabeças e corações dos seres humanos. Se as gerações posteriores ao golpe empresarial-militar de 1964 se tivessem dado o trabalho de conhecer aquele crime contra a democracia, certamente seriam multiplicadas as edições das obras que tratam do assunto. Aqui na Amazônia, nosso Relatos Subversivos. 1964 - Os Estudantes e o Golpe Militar no Pará (2004, 1ª edição; 2014, Editorial Sumauma, 2ª edição) teria contribuído para prevenir novas aventuras golpistas, como a de janeiro de 2023.


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