Como boca-de-urna
Para muitos dos que assistiram às entrevistas de Lula e Flávio, na Globo, o resultado da eleição ficou definido ontem à noite. As respostas que um e outro deram à jornalista Renata Loprete teriam sido suficientes, por comparação, para antecipar o resultado. A grande maioria pensava que somente no debate da próxima sexta-feira seria dado o veredito. Uma espécie de boca-de-urna, quase uma semana antes da ida dos eleitores às seções eleitorais, portanto. Se Lula pode manter a serenidade - coisa pouco frequente em seus últimos pronunciamentos - e apresentar suas propostas, ao seu opositor ocorreu de confirmar o vazio programático que cerca e caracteriza sua candidatura. Muitas foram as vezes em que a jornalista entrevistadora foi forçada a interferir, para evitar o desvio do entrevistado, em relação à pergunta. Em quase todas as oportunidades que lhe foram dadas, o candidato a ditador enviezou seus comentários, preferindo extravasar o ódio que o anima. Sem proposta capaz de oferecer ao julgamento do eleitorado, o senador reiterou mentiras já desmoralizadas e insistiu em, ao contrário de tentar, pelo menos, mostrar alguma promessa razoável, acusar seu oponente. Quase sempre, esquecendo o grau de informação e conhecimento de Loprete, acerca dos assuntos sobre os quais era indagado. Por isso, a entrevistadora se viu forçada a lembrar que todas as perguntas relacionavam-se a fatos apurados e comprovados - pelas autoridades policiais ou profissionais da emissora. Há, porém, os que deixarão para a noite de sexta-feira a formulação de qualquer prognóstico. Até a eventualidade de pantomimas assemelhadas à facada sem sangue de Juiz de Fora tem sido cogitada. A escassa inteligência de Flávio e a contumácia com que ele falta à verdade, ademais, não superam a expectativa de vê-lo tremer e ficar à beira de uma crise nervosa, no confronto pessoal e em presença com seu adversário. Há quem sugira um bom estoque de calças ou fraldas impermeáveis, no camarim do filho do capitão. Quase-ex, como caberá ao STM sentenciar.


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