Não gostaria de dizer eu bem que avisei...
Ignorância e estupidez, irmãs nascidas na mesma fonte, não são univitelinas nem xifópagas. Às vezes confundidas, cada qual anda pelos seus próprios pés. Ignorante é aquele indivíduo desprovido de conhecimento sobre o fato, enquanto o estúpido é o que, conhecedor do fato de que se trata, prefere negar-lhe a existência, ainda quando contraste com as evidências. Se a ignorância envolve a falta de acesso à informação, ou a recusa em ir às boas fontes e nelas colher o material informativo que servirá ao seu discernimento, a estupidez leva à conduta negativista. E faz do que a adota, presa do negativismo, do fanatismo e de tudo quanto pode devolvê-lo à caverna original. Estamos, no Brasil de hoje, submetidos a uma das mais criativas – mas também arriscadas – provas de nossa própria humanidade. A eleição em segundo turno, prevista para o dia 25, traz à baila, mais que o confronto de propostas, a oportunidade de a maioria optar entre a civilização e a barbárie. Primeiro, porque a trajetória dos dois candidatos registra roteiro impossível de confundir ou tornar minimamente semelhantes. Não se trata, mais, de comparar a superioridade da visão de mundo de um deles sobre o outro, mas o potencial de que são portadores, em termos de cumprir o que a sociedade democrática exige, num país da importância alcançada pelo Brasil, no concerto das nações. Mais curioso, o manancial de onde emana a podridão atribuível a um dos candidatos não é obra construída pelo seu adversário. Ele mesmo e a maioria dos que o cercam, tão afeitos à impunidade, alardeiam seu desprezo pelos compatrícios, em farto material de divulgação de sua exclusiva e maldosa produção. Por isso, dispensam o adversário de inventar coisas e fatos que possam comprometer o eventual bom juízo que seus contemporâneos deles possam fazer. Se um dos candidatos, Luís Inacio Lula da Silva, nasceu no pobre sertão pernambucano e de lá saiu em busca de trabalho e digna sobrevivência, seu opositor nasceu em berço privilegiado. Não obstante, bastaria olhar o entorno de um e do outro, pela vida afora, para encontrar cenários distintos. No chão de fábrica, Lula iniciou uma carreira que o transformou de operário no primeiro trabalhador a subir a rampa do Planalto. Não foi pouca sua luta, nem temerária. Derrotado mais de uma vez nas urnas, nem por isso abandonou a luta ou tentou sujar com as próprias mãos e a boca o processo eleitoral que vem marcando a democracia brasileira. E mais: preso em razão dos maus propósitos e da vocação criminosa de alguns agentes públicos, viu-se depois reconduzido à mesma posição que o fez respeitado no cenário internacional. Mais que isso, foi capaz de tirar o Brasil do conjunto das nações mais pobres, ainda que muitas dessas conquistas tenham sido objeto da perseguição e da desconstrução que o governo por ele derrotado promoveu. SUS, SAMU, Bolsa-Família, numerosas universidades e institutos tecnológicos, a irrigação do sertão nordestino, o programa de habitação popular, a farmácia popular, o sistema único de segurança pública, o aumento real e sucessivo do salário-mínimo, os investimentos em saúde pública, ciência, tecnologia, programas de meio ambiente e educação estão aí, para quem deles queira desfrutar. O que tem o outro lado a apresentar, além de 700.000 mil mortos, o fortalecimento das milícias e a associação com organizações criminosas? Tudo isso, com farto material de divulgação produzido por ele mesmo.


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