Desencontros previsíveis

Circulam sobretudo nas redes (anti)sociais versões contraditórias sobre o que deveria ser um debate sobre propostas dos dois candidatos à Presidência da República. As reações, como absolutamente esperado, dão como vitorioso no debate a que um dos debatedores fugiu, obviamente, aquele da preferência do observador. Os que apoiam o miliciano que se candidata ao posto que ele pensa alcançar - o de ditador -, no fanatismo que os caracteriza, sequer dão importância a uma particularidade que só o medo e o viés autoritário justificam. O medo vem do fato de que o rei das rachadinhas busca manter a imunidade parlamentar, que no caso dele já incorre na impunibilidade penal, tamanho o rol de delitos que ele tem praticado, vida afora. Não é se não objetivo adicional, para o opositor de Lula, subir a rampa do Planalto. Um habeas-corpus é o que ele busca, dada sua enorme e extensa dívida de que têm tratado as autoridades policiais e tratarão as judiciárias. Esse, portanto, o primeiro aspecto a observar. O outro consiste na conduta nada surpreendente do irmãozão de Daniel Vorcaro, passeando seu desprezo pelo respeito e a dignidade do cargo (ele, lamentavelmente, é senador), em postura debochada e digna apenas de seres com sua mesma e escassa estatura moral. Buscava ele, então, impedir que o Presidente que esta nação reelegerá dia 25 próximo, se desviasse da exposição de suas propostas, com a vantagem de apontar o extenso rol e iniciativas de seu governo, a maioria delas dirigida à redução da desigualdade social com a qual convivemos. E da qual o sócio do advogado Willer, discípulo do torturador Brilhante Ustra, patrocinador de Adriano Nóbrega, supervisor de Fabrício Queiroz e filho do presidiário por sentimentos humanitários mantido em prisão domiciliar é um dos produtores. Sem proposta a apresentar, extravasando ignorância a respeito dos problemas nacionais, mais simples eles sejam, o candidato tentou, com trejeitos próprios aos de sua laia, evitar o confronto com o adversário. Como sempre, agiu às costas de Lula, à moda do que fez, quando visitou governo de nação estrangeira, para pedir que interviesse na política nacional. Os festejos que ele e sua chusma promoveram, após o tarifaço imposto por Trump a produtos brasileiros, não nos deixam mentir. O desencontro de interpretações, portanto, apenas revela os riscos que o Brasil e seu povo correm, se tão extravagante e predatória figura chegar ao Planalto. A logomarca de seu governo, à semelhança do modelo por ele seguido, será a fotografia aérea de cemitério em Manaus, durante a pandemia. Podemos evitar que tantas famílias chorem seus mortos. O dia 25 está à porta. Ainda há tempo para repelir os vermes que nem esperam os mortos, para devora-los.


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