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Nem imprevisível, nem hesitante

Donald Trump não é tão imprevisível, nem tão hesitante quanto a maioria dos que o observam afirma. É verdade que ele prometeu acabar a guerra na Ucrânia nas primeiras 24 horas depois de empossado para seu segundo mandato presidencial. Isso não aconteceu. Nem é assunto ou objetivo que lhe interesse. Ele sempre tenta encontrar forma de ganhar dinheiro, quando a recompensa esperada demora. Depois, dizendo-se candidato ao Prêmio Nobel da Paz, ele tratou de ajudar o governo de Israel a praticar o holocausto do povo palestino. Neste caso, chegou ao limite, sem que conseguisse ocupar a faixa de Gaza e lá instalar o balneário, com cassinos e bordéis que seus antecessores instalaram e mantiveram, em quase todos os continentes. Inclui-se nessa linha de raciocínio o tarifaço com que presenteou quase todas as nações com quem seu país tem relações comerciais. Raros, hoje, os países ainda onerados pelas novas taxas, sendo raros, também, os produtos ainda mantidos sob o regime tarifário por ele imposto. Mais um recuo, como os que ele está acostumado a fazer, o bastante para se saber que sua hesitação é apenas aparente, tanto quanto a previsibilidade do seu comportamento consiste exatamente nisso: mentir e ameaçar; chantagear e recuar são, portanto, parte do seu modus operandi. Constituem rotina e se desfazem, como as nuvens indicadas pelo político mineiro Magalhães Pinto. O que assusta é a probabilidade de ele apertar o botão que detona a bomba atômica. Quando o recuo de nada valerá. Os que sabem de Nagasaki e Hiroshima não se podem enganar. Ao contrário, devem levar em conta uma exclusividade que deve orgulhar o falastrão: só os Estados Unidos da América do Norte lançaram uma bomba tão poderosa sobre populações indefesas.

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