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Desnecessário ir além da audiência da conversa do senador fluminense com o aventureiro que passou por banqueiro, para avaliar sua conduta. É certo que ainda não se terá chegado ao máximo da falta de pudor do zero-dois-à-esquerda, embora já esteja marcado ponto importante na trajetória abjeta e ominosa da personagem. O ex-futuro candidato à Presidência, em menos de uma semana reforçou algumas das mais graves acusações que contra ele - e seus familiares, por sangue ou convívio - têm sido feitas. Milicianos, pistoleiros e outros praticantes contumazes de ações antissociais de toda ordem constituem os ambientes no qual ele sempre viveu. Como a sabedoria popular diz, não seria a asquerosa figura quem desmentiria o dito popular. Isso explica ele trazer à praça os hábitos de casa. Sem faltar, inclusive, a confissão que desmentiu a mais recente fake-news de que se valera. Hoje, todos sabemos que o pedido de dinheiro levado a Daniel Vorcaro teve outros atos preparatórios, inicialmente e grosseiramente desmentidos pelo esmoler. Não se mede a condição de humilhado pedinte pelo traje, mas pela miséria moral de que ele é portador. Quase às lágrimas, o mendigo moral tentou arrancar parte do que o presidiário lhe daria, sem ser aquela a última parcela da esmola prometida. Como a miséria física pode ocupar mente e corpo de uma pessoa digna, a miséria moral convive com a riqueza material, não raro deixando-a imaginar-se rico, com todos os vícios que compõem a índole desses indivíduos. Se fosse um pobre material, o ex-futuro candidato usaria em seu proveito a sentença popular: de esmola grande, o pobre desconfia.

 
 
 

O ex-Ministro do STF Joaquim Barbosa é anunciado pré-candidato dos democratas cristãos à Presidência. Antes dele, o ex-Ministro da Defesa Aldo Arantes anunciara a intenção de disputar o mesmo posto, representando a sigla, PDC. Nada que constitua, em si mesmo, uma novidade na atual fase do processo político brasileiro. Disputas internas nos partidos são muito conhecidas, valendo lembrar que o Partido dos Trabalhadores, algumas vezes considerado de esquerda, notabilizou-se por manter multiplicidade de correntes internas. Por isso, sempre houve quem, da direção do PT, tomasse o fato como exemplo do ambiente democrático que reinaria em seus arraiais. Muito por conta da salada ideológica que abriga sob a bandeira vermelha estrelada, o PT não conseguiu erguer outra liderança a não ser Luís Inácio Lula da Silva. Este, sagaz e perspicaz, caminha para a conquista de seu quarto mandato presidencial, enquanto as correntes internas continuam sua trajetória, segundo as conveniências e promessas que cada qual antevê, aqui e acolá. O Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul, por exemplo, tem muitíssimo pouco a ver com seu irmão do Amazonas. No entanto, Lula serve de solda ao mosaico nem sempre bem rejuntado que os leva juntos às campanhas eleitorais. Aí, talvez esteja a explicação para a impossibilidade de encontrar um sucessor do ex-metalúrgico, na disputa eleitoral. Há, porém, algo que, mesmo sem ser absolutamente novo, marca a disputa entre Joaquim Barbosa e Aldo Rebelo. Não, não me refiro à fúria acusatória do ex-magistrado, que poderia torná-lo rejeitado pelos que frequentam os ambientes políticos. O cenho sempre cerrado, durante as sessões públicas do STF, e o ímpeto que punha nas palavras não são como a catapora que costuma infectar as crianças. Se esta fica no organismo humano, a cabeça dos homens e seus interesses sempre estão abertos à mudança. O que traz algo de suposta novidade, menos por ineditismo, mas pela história de vida, vem com Aldo Rebelo. Uma das lideranças mais conhecidas do Partido Comunista do Brasil, o PC do B, hoje o ex-Ministro da Defesa tenta representar os cristãos que se dizem democratas. A dúvida sobre as razões que levaram Aldo a essa mudança extravagante repousa em saber se ele, como outros já o fizeram, já esteve em alguma igreja, depois de queimar toda a literatura inspirada por Karl Marx ou seu exemplar do Manifesto Comunista, para ser aceito no partido que um dia foi personificado por Franco Montoro. Água e vinho propiciaram a Jesus Cristo – em nome de quem falam tantos adversários do cristianismo, mesmo os espalhados em várias seitas – o primeiro dos seus milagres. Quais as águas que concorreram para a extraordinária conversão do jornalista?

 
 
 

Qualquer iniciativa de pessoa ou grupo sempre sob suspeita, gera expectativas e previsões desanimadoras. Nada que possa ser chamado preconceito, porque é da experiência que resulta a formulação e a consolidação do conceito. Quando a sabedoria popular disse que o cesteiro que faz um, pode fazer mil cestos, estava apenas dizendo toscamente do papel da experiência, base da qual emergem até as leis cientificas. Propostas do centrão e a conduta de seus integrantes, brasileiro nenhum põe em dúvida. Sempre, olhando como negativo tudo quanto parte dele - por um só dos integrantes, por pequeno grupo deles ou, mesmo, pelo total dos que o integram. Sabe-se, ao primeiro anúncio, quais os interesses a que servem. A esses herdeiros ideológicos e intelectuais do coronel de barranco, importa sempre sugerir benefícios para eles mesmos ou para seus aliados. Não raro, supridores de recursos para a obtenção do mandato parlamentar. Ainda agora, 176 desses inacreditáveis políticos acharam de propor, na contramão da História e em vergonhosa afronta à inteligência humana, a ampliação da jornada de trabalho. Quando a sociedade se mobiliza para ver derrubada a fórmula 6 x 1, os membros do centrão estendem para 52 horas semanais de trabalho. Passam, claramente a constituir a câmara de repercussão dos interesses de certa parcela - quem sabe a maioria - do patronato brasileiro, tradicionalmente hostil a tudo quanto possa estancar a desumana exploração a que são submetidos os responsáveis por seu enriquecimento. Essa, porém, é conduta rotineira. A mesma que tentou evitar a criação da CLT, do salário mínimo, do FGTS, do 13° salário.

 
 
 
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