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Com grande comprometimento da mobilidade dos membros superiores, o editor é forçado a reduzir suas atividades. Escrever à mão ou digitar em teclados enchem-se de riscos. Por isso, o pedido de desculpas aos leitores habituais e visitantes eventuais. Ainda bem que posso fazer meus certos textos, como o que vai postado no ESPAÇO ABERTO. Nele, Reinaldo Azevedo mostra o verdadeiro sentido da eleição presidencial de outubro.

 
 
 

O tiroteio está em pleno curso, mas hã quem diga que a campanha eleitoral ainda não começou. Mais uma evidência da prática que estudiosos da Administração chamavam formalismo. Não o estabelecimento de regras e normas aplicáveis a numerosas situações, mas a convivência entre a norma escrita e o comportamento que a ignora. Talvez generosos, quem sabe ingênuos, os observadores do passado (refiro-me aos anos 1960) bem poderiam destacar a marginalidade de tal conduta. Não o fazendo, a prática só tem prosperado. Daí, os candidatos entregam-se à coleta de informações sobre os malfeitos do concorrente, mesmo se para isso se vejam forçados a mentir ou avançar nos costumes ilícitos. Com diferença fundamental, passado mais de meio século. As chamada redes sociais, neste sentido, são a grande novidade. Sendo que alguns não experimentam o menor constrangimento. Mentir e divulgar tanto quanto possível sua mentira é de sua convicção e amoldada ao seu feitio. Às vezes, vocação. A seguir o rumo anunciado, a presença de Lula no segundo turno, se ele não for reeleito no primeiro turno, porá na cena um espetáculo diferente. Cálculos matemáticos e cheio de cifrões entreterão parte dos atores. Outros, qual urubus que sentem o cheiro da carniça, estarão dedicados a verdadeiro exercício de antropofagia eleitoral, se me permitem usar a imagem. Desprovidos de projetos e argumentos, não resistirão ao pescoço exposto pelos concorrentes, para investir como hienas contra o que deles resta em termos de potenciais eleitores. Por enquanto, a campanha está em marcha, a despeito de ainda não aberta oficialmente. Ética, como se sabe, é coisa que qualifica a Política. A política, todavia, não é compatível com pruridos éticos, ainda mais quando preceitos religiosos há muito já foram pelos ares.

 
 
 

As relações humanas nem sempre correspondem àquilo que se poderia esperar de animais ditos superiores. Se ainda não constituem maioria os que renunciam às qualidades e atributos que os tornam diferentes dos outros animais, a impressão que se tem é a de que não estamos muito distantes disso. Uns atribuirão ao ódio que orienta boa parte da sociedade, o abandono das mais comezinhas características dos seres realmente humanos. Não faltam, porém, os que consideraram o que têm chamado de polarização, como se essa fosse circunstância descabida. Não houvessem interesses contraditórios, sequer a democracia seria necessária. Assim, os que a veem como um mal deixam clara a vocação e a orientação autoritárias, em qualquer hipótese avessa à convivência pacífica que a democracia exige e sem a qual abrem-se espaços de atuação propícios às ditaduras. Quando, ademais, essa aversão aos padrões democráticos ajunta-se ao desamor devotado aos pobres e, pior ainda, liga-se à ausência de amor próprio, até o sentimento de solidariedade é posto em terreno cediço. No extremo, ações e decisões contrárias aos interesses da coletividade de que fazem parte até mesmo os traidores, jamais se pode esperar resultado senão oprobioso. Quando a vítima de um sequestro apaixona-se pelo sequestrador, diz-se dela portadora da síndrome de Estocolmo. A situação de uma nação ameaçada pode levar a manifestações semelhantes. Se a maioria opta por enfrentar o agressor, não se pense impossível encontrar quem prefira a submissão. É o que vemos, em relação à resposta firme do governo brasileiro, ao aplicar a reciprocidade contra o governo dos Estados Unidos da América do Norte. Não há novidade na postura do candidato à Presidência da República (ou pau mandado de Trump). Afinal, o DNA tem seu peso, mesmo na política. A dúvida está em se

considerar a manifestação dele como a síndrome de Estocolmo ou, simplesmente, a revelação em carne e osso do complexo de vira-lata

 
 
 
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