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Cristianização

Atualizado: 7 de dez. de 2025

Embora toda repetição histórica seja nada mais que uma farsa, as circunstâncias, sempre novas, é que fazem a diferença. O noticiário desperta em mim a sensação de um déja vu atualizado. Neste caso, a memória ajuda-me a apreciar os fatos de hoje, comparando-os com o passado. Em 1950 (o comentarista tinha apenas 8 anos de idade), preparavam-se as eleições que poriam no Catete o substituto do general Eurico Gaspar Dutra. O militar matogrossense, que fora ministro de Getúlio, desejava ver-se sucedido pelo político mineiro Cristiano Machado. Um e outro eram filiados ao Partido Social Democrático, o PSD imaginado pelo próprio Vargas e dirigido por Amaral Peixoto. Este, nada menos que genro do líder gaúcho, casado com a - tem-se dito - eminência parda do chefe do governo que Dutra sucedeu. Cristiano contava atrair os eleitores de Vargas, à altura em que o caudilho dos Pampas já entrava na disputa. E se preparava para limpar a imagem ditatorial cultivada pela direita de então. A rigor, não era o autoritarismo de Getúlio que incomodava seus adversários. As concessões, conquistas algumas, aos trabalhadores e aos pobres do País, como hoje, não podiam conviver com a intolerância e a exploração do trabalho alheio. O resultado da eleição, com a debandada dos eleitores pessedistas para o lado do líder trabalhista, devolveu a este sua sala no Palácio do Catete. Eduardo Gomes e seu vice Odilon Braga ficaram em segundo. Ao experimentado político mineiro nascido em Sabará restou a terceira posição. E a ocupação do posto de embaixador brasileiro, no Vaticano. Nenhum lugar seria mais adequado, depois da cristianização do candidato. Lá, onde tem sede a Igreja de Cristo, o representante brasileiro morreu, em 1953.


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