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Quase não há, dentre os mais de 215 milhões de brasileiros, os que ignoram uma das frases mais representativas ditas por um magistrado. Disse-a um então candidato a uma cadeira do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux. Quando ainda não se havia esgotado a fase de demonstração de subserviência e salamaleques dirigidos às autoridades de alguma forma envolvidas no viciado processo de indicação, audiência e nomeação, Fux afirmou, em tom quase solene, que mataria no peito. Referia-se o então candidato à toga da mais alta corte de Justiça da República à maneira como ele apreciaria os processos judiciais que lhe chegasse às mãos. Usou uma expressão que, no esporte que Charles Miller trouxe para cá, significa contemporizar, amortecer, ajustar a bola para depois dar o passe ao companheiro de equipe. Agora, os condenados pelos atos terroristas frustrados em 08 delica umdtonme janeiro de 2023 veem-se mais uma vez beneficiados pelo julgamento proferido por Fux, que já matara no peito a robusta peça produzida pela Procuradoria Geral da República. Seu voto foi o único a discordar do consenso de seus colegas, na primeira turma do STF. Com ele, o ministro amorteceu o impacto da bola, além de ter aberto a probabilidade de seu time chegar não à meta do adversário, mas fazer um gol contra. No caso, contra as provas coletadas e analisadas pela Polícia Federal e a PGR, e a democracia. Passado mais de um mês do julgamento e condenacao, o ministro Fux mostra mais uma vez suas habilidades futebolísticas. Pediu para corrigir o volumoso texto com que divergiu de todos os outros membros da turma, atrasando com isso a publicação do acórdão que levará à prisão os condenados. Um drible à altura dos que Garrincha aplicava nos adversários. Azar do ministro é que n todos os brasileiros são João.

 
 
 

O Presidente Lula chega hoje no sudeste asiático. Deve encontrar-se com os governantes de pelo menos dois paises daquele continente, a Malásia e a Indonésia. Importantes, sobretudo pelo potencial de bons negócios que a visita sugere, esse não será o ponto alto da presença do Presidente brasileiro. Lá poderá ocorrer o esperado encontro entre ele e o Presidente norte-americano Donald Trump. É chegada a hora, portanto, de serem postas as cartas na mesa, depois da instabilidade provocada pelo homem de negócios que governa os Estados Unidos da América do Norte. Este já sabe das diferenças entre Lula e outros presidentes servis aos interesses dos capitais de Tio Sam, os mesmos que o próprio Trump representa. Zelensky, Netanyahu e Orban guardam abissal distância de Lula, e Trump não ignora essa circunstância. O que não quer dizer que a conversa entre os dois presidentes se deixará envolver pela química que Trump mencionou. Em especial, o Presidente brasileiro não pode perder de vista uma vantagem que ele leva, como político e como governante do Brasil, comparativamente ao seu interlocutor. Este, é fácil constatar, lida com o desespero que um dia afligiu outros imperadores em declínio. Pessoalmente, sua influência sobre a comunidade internacional experimenta crescente descrédito. O outro, governando um país cujos recursos naturais reúnem boa parte dos materiais necessários à solução de graves problemas experimentados pela população mundial, também tem marcado sua presença no cenário internacional. No sentido exatamente contrário ao de Trump. Tanto, que um dos resultados da visita de Lula à Ásia poderá trazer benefícios adicionais aos que serão obtidos depois da conversa com o bravateiro ocupante da Casa Branca.

 
 
 

Aumentam as críticas a Lula, porque ele falou mal do Congresso. À guisa de censurar o Presidente da República, pela língua sempre solta dele, a despeito de suas dificuldades anteriores no uso desse importante órgão do corpo humano, o Estado de São Paulo refere-se a pronunciamentos recentes de Lula. O mais importante, que motiva o presente comentário, diz respeito à imagem que o Presidente tem do Congresso, de resto a reiteração do momento em que ele dizia existir no Congresso uma quantidade expressiva de picaretas. Agora, Lula lamenta a má qualidade da representação popular na Câmara dos Deputados. Essa, pelo menos me parece, é opinião compartilhada com grande parte dos eleitores e contribuintes brasileiros. Ainda recentemente, multidões ocuparam as ruas das principais cidades do País, para resistir à PEC da bandidagem, com que os parlamentares desejavam ampliar seus privilégios, desta vez, de forma mais abusiva que em ocasiões pretéritas. O próprio jornalão dos Mesquita aplaudiu a mobilização e a mais destacada das consequências dela: o recuo dos pretensos beneficiários de mais um frustrado golpe nas instituições democráticas. Não há, propriamente, incoerência na crítica feita a Lula, sobretudo considerando que é frequente o Presidente deixar-se levar pelo entusiasmo incontrolado, acabando por dizer o que não deveria ter dito. No caso ora comentado, primeiro, porque malhou em ferro frio; a maioria dos brasileiros tem a mesma imagem dos que os dizem representar. Em segundo, porque não se sentem, como eleitores, igualmente comprometidos com as ações e propostas dos que levaram ao Congresso. Haveremos todos de concordar, porém, que nas duas Casas do Congresso não há quem não tenha votos, mesmo se considerarmos frequentar as duas cuias um bom número de suplentes. Pergunte-se aos eleitores se tais companhias  (más, muitas vezes) são levadas em conta, quando escolhem seu preferido. O Estadão poderia conter seu comentário e sua censura a Lula à inoportunidade da afirmativa do Presidente, jamais ao conteúdo dela. A não ser que no seu balanço particular da conduta dos representantes eleitos estes pareçam ter mais qualidades que vícios. Este não me parece o caso.

 
 
 
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