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Uma constelação é mais que um ajuntamento eventual de estrelas. Fosse assim, a galáxia já se teria dissolvido. Essa observação vale para um equipe de futebol, também. É inegável a qualidade de alguns jogadores brasileiros, se os considerarmos individualmente. Integrados aos times pelos quais disputam, em diversos países do Mundo, fazem fortuna e alguns são capazes até de esquecer a língua-mãe. Pior que isso, perdem a noção mínima relacionada ao futebol - assotiation tem a ver com senso coletivo. É o que eles raramente têm. Embevecidos consigo mesmos, arrastam atrás de si propagadores cuja remuneração nunca preocupou os que se dizem aficionados do futebol. Constroem-se assim os mitos, com a agravante de que se agregam ao cortejo dos bajuladores remunerados multidões apaixonadas, beirando o fanatismo. A derrota do Brasil, diante da Noruega, confirma o que está escrito acima. Perder um pênalti não é coisa trivial. O é, no caso brasileiro, achar que um só atleta será capaz de desempenhar uma tarefa que é de todos. Fora do torneio, os integrantes da seleção brasileira ganham a oportunidade, do técnico ao mais obscuro membro da comitiva que foi à Copa, de refletir. Não mais como se mexer em campo ou tocar na bola. É dentro da cabeça de cada um deles que se há de processar a análise de seu comportamento e dos resultados por eles alcançados. Que todos façam da derrota uma lição.

 
 
 

Se há algo globalizado, o futebol estaria na lista. A Copa disputada com maior número de seleções nacionais não esgota as razões de tal consideração. Pode até ser indicativa do interesse crescente dos desportistas e aficionados, em todos os continentes Essa é, porém, uma - e não a mais importante - das constatações. Quem acompanha o atual campeonato mundial terá percebido a ultrapassagem de uma época em que só uns poucos países praticavam um futebol vistoso, rápido e agradável aos olhos. Umas poucas nações europeias e latino-americanas eram postas num pedestal que muitos imaginavam inalcançável por equipes de outras nações. Tem-se visto, no entanto, que na África, no Oriente Médio e na Ásia a modalidade que tem levado dezenas de milhares de pessoas aos estádios do México, do Canadá e dos Estados Unidos da América do Norte, apresenta qualidade de nível muito próximo à das nações mais festejadas. França, Espanha, Alemanha, Inglaterra, Brasil, Argentina, Holanda e Portugal entraram na disputa prestigiadas pelos media, como se apenas desde grupo poderia sair o campeão. Os jogos já realizados, agora na fase do mata-mata, ampliaram essa lista de favoritos, em nada e a ninguém, a hipótese de uma nação africana ou asiática participar da partida final. Quem diria que a poderosa Alemanha ficaria de fora das oitavas? Quem, antes dos jogos, apostaria no futebol de Cabo Verde, do Marrocos e do Senegal e da Costa do Marfim, mesmo se estas duas seleções foram eliminadas na segunda fase da Copa? Também deve ser levada em conta a transformação do futebol em uma um mero negócio. Os ganhos dos que não calçam chuteiras, nem precisam suar correndo atrás de uma bola, são algumas vezes maiores que a compensação dada aos atletas, os verdadeiros atores do belíssimo espetáculo.

 
 
 

A Copa do Mundo de Futebol

distrai a atenção dos cidadãos de todos os continentes, na razão direta dos interesses econômicos nela envolvidos. Imagino que, como no Brasil, as necessidades das respectivas populações, os escândalos em investigação e as atividades destinadas à solução de problemas recorrentes foram deixadas de lado. Nada mais, nada menos que uma das mais graves e lamentáveis consequências de o antes chamado esporte bretão ter-se tornado simples e mero negócio. Antes, não faltou, dentre os que ainda veem o futebol como um esporte, às vezes muito próximo da arte, os que atribuíram a escolha do sub-continente norte-americano à sabujice do Presidente da FIFA. Muitos, agora, encontram desorganização e carências nas condições em que a Copa está sendo disputada. Para outros, o torneio seria apenas um passo do processo de canonização de Trump, o guerreiro que ambiciona receber o Prêmio da Paz. Não importa o número de mortos que ele e seus aliados produzem, mundo afora. Nem que ele presida o único estado que usou a bomba atômica com o fim único e exclusivo de matar gente. Enquanto nos estádios do Canadá, México e Estados Unidos as equipes formadas por atletas multinacionais, empenham-se em vencer os jogos, todos os continentes continuam sujeitos aos constrangimentos e humilhações impostos pelos donos Mundo.

 
 
 
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