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28 de jun.
2 min de leitura


A alma não campeia solitária na arte de poemar e o corpo se tornou fonte de inspiração para as mais profundas divagações do espírito poético.


As prisões que submetem o corpo à útil docilidade encontraram na poesia uma forma de fuga e resistência . Vigiar e punir para dominar não inspirou o poeta. Foi na beleza do ser que ele galgou montanhas e passeou entre jardins para expressar os movimentos que encantam.


"Teu corpo claro e perfeito,

– Teu corpo de maravilha,

Quero possuí-lo no leito

Estreito da redondilha...


Teu corpo é tudo o que cheira...

Rosa... flor de laranjeira..."


Nos presenteou Manuel Bandeira.


Mas o poeta também encontrou no corpo as palavras para sua fina ironia.


Quintana ironizou, brincou, filosofou...


"O milagre não é dar vida ao corpo extinto,

Ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo...

Nem mudar água pura em vinho tinto...

Milagre é acreditarem nisso tudo!"


O corpo está presente na história, nas imolações cruéis da opressão religiosa, nas modelagens das fábricas de montagem, no jugo misógino, mas a poesia foi sua redentora.


Drummond foi profundo e entrelaçou o corpo a alma.


"A metafísica do corpo se entremostra

nas imagens. A alma do corpo

modula em cada fragmento sua música

de esferas e de essências

além da simples carne e simples unhas.

Em cada silêncio do corpo identifica-se

a linha do sentido universal

que à forma breve e transitiva imprime

a solene marca dos deuses

e do sonho."


Cabelos, mãos, bocas, olhos, movimentos, o andar, a respiração, os mais sensíveis gestos de amor, o poeta observou e fez do corpo uma constelação inspiradora.


Escreveu Fernando Pessoa


"As tuas mãos terminam em segredo.

Os teus olhos são negros e macios

Cristo na cruz os teus seios (?) engulos

E o teu perfil princesa no degredo..."


E foi Arnaldo Antunes que perambulou pela breve anatomia do corpo.


"O corpo existe e pode ser pego.

É suficientemente opaco para que se possa vê-lo.

Se ficar olhando anos você pode ver crescer o cabelo.

O corpo existe porque foi feito.

Por isso tem um buraco no meio.

O corpo existe, dado que exala cheiro.

E em cada extremidade existe um dedo.

O corpo se cortado espirra um líquido vermelho.

O corpo tem alguém como recheio."


E o corpo feminino deixou de ser objeto e a poesia o descobriu na sua plenitude, sem o desejo que vulgariza, apenas como valor de quem ama e pode ser amada.


Neruda:


"Corpo de mulher, brancas colinas, brancas coxas,

pareces-te ao mundo em tua atitude de entrega.

O meu corpo de camponês selvagem te escava

e faz com que do fundo salte o filho da terra."


O poeta libertou o corpo ao lhe dar alma, espírito e vida, sem a docilização amarga que pune e oprime.


O corpo se fez liberdade na poesia.


Lúcio Carril

Sociólogo.

 
 
 
27 de jun.
2 min de leitura

Alfredo Lopes

25/06/2026


Em mais um ensaio sobre Democracia, publicado em A Crítica deste 25.06.2026, José Seráfico faz um alerta sobre a erosão silenciosa da democracia brasileira. Para ele, o processo eleitoral vem sendo progressivamente contaminado pelo abuso do poder econômico, pela compra de apoios, pela desinformação e pela substituição do debate de ideias por estratégias de manipulação. Essa degradação enfraquece a confiança nas instituições, empobrece a escolha do eleitor e cria um ambiente favorável ao avanço de práticas autoritárias. Diante desse cenário, o autor conclama a sociedade a exercer um voto consciente, baseado no histórico, nas propostas e na conduta dos candidatos, como forma de preservar a legitimidade da democracia.

Por Alfredo Lopes – BrasilAmazoniaAgora 

Uma democracia saudável não elimina conflitos, mas transforma interesses divergentes em diálogo institucional. Quando essa mediação desaparece, a disputa tende a migrar para a lógica da força, do dinheiro, da mentira ou da polarização permanente.

O alerta de José Seráfico – Facas e punhaladas – é menos sobre uma eleição específica e mais sobre um processo silencioso de erosão institucional. A democracia não costuma morrer apenas em golpes de Estado. Muitas vezes ela vai perdendo qualidade eleição após eleição, quando o cidadão deixa de escolher entre projetos e passa apenas a reagir a campanhas cuidadosamente desenhadas para capturar sua atenção, seus medos e suas emoções. 

É essa degradação cotidiana que torna o ambiente fértil para soluções autoritárias, ainda que elas se apresentem sob o discurso da renovação ou da eficiência.

A democracia também depende de um ecossistema informacional saudável. Por essa razão, o fortalecimento do jornalismo profissional, da imprensa independente e das iniciativas de verificação de fatos constitui elemento essencial para assegurar que o debate público se desenvolva sobre bases objetivas e verificáveis.

Por tudo isso, é desejável estimular processos eleitorais orientados por programas de governo comparáveis, acompanhados de metas, indicadores e compromissos verificáveis, permitindo que o eleitor avalie candidatos a partir da consistência de seus projetos e da capacidade de implementação das políticas propostas.

Além de todas essas medidas permanece um desafio maior: recuperar a política como espaço de construção coletiva, onde ideias possam ser confrontadas com argumentos, evidências e respeito institucional. A democracia alcança sua melhor expressão quando o voto resulta de reflexão consciente e informação qualificada, e não da força do dinheiro, da manipulação emocional ou da circulação si

Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

 
 
 
27 de jun.
1 min de leitura

A Espanha não precisou jogar bem, para excluir o Uruguai da Copa. A celeste perdeu a fibra e o jogo.

 
 
 
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