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Ingênuos e mal-intencionados serão os únicos a negar o caráter autoritário do atual governo norte-americano. À moda dos mais ferozes e obtusos ditadores instalados ao longo da história no governo do que os norte-americanos mesmos chamam republiquetas, Donald Trump se ajusta ao modelo. Não bastassem todas as decisões e ações desafiadoras do mais elementares preceitos democráticos, o soba de olhos azuis implanta o medo e impõe sua vontade, sempre que apresenta a oportunidade de obter algum ganho pessoal. Nem mesmo a disputa de uma Copa do Mundo de futebol foge à vocação ditatorial de Donald Trump. É isso o que se comprova, com o pedido dele mesmo, Presidente de um dos países em que se disputa a taça, para anular a pena imposta por árbitro brasileiro, a um atleta da equipe norte-americana. Não obstante o ineditismo deste tipo de interferência, trata-se de uma prática comum a todos os autoritários de todas as épocas. A ojeriza desse tipo de político e governante por tudo quanto se pode aproximar da Justiça não se satisfaz com a agressão ao Poder Judiciário, do seu e de quantos outros países que possam ameaçar suas vaidades, insanidades e ambições. Neste caso, o ato lesivo à Justiça conta coma sabujice ea subserviência do Presidente da FIFA, Gianni Infantino. Mais uma vez se reafirma quanto os autoritários contam com a cumplicidade e a indignidade de terceiros, cuja covardia tem concorrido para o enfraquecimento da democracia.


 
 
 
7 de jul.
2 min de leitura

Ruy Castro*

Saibam os bolsonaristas que, a partir de agora, estou de olho no homem e não pretendo dar-lhe boa vida


Às vezes, pela maneira levemente brusca com que me refiro a Bolsonaro neste espaço, alguns de seus devotos me acusam de fazer vista grossa para as bandalheiras de Lula, por quem teria sido hipnotizado. Sem que isso tenha a menor importância, informo que almocei várias vezes com um ex-presidente (Juscelino), bebi com outro (Janio) e tenho dois outros como confrades na ABL (Sarney e FHC). De calças curtas e dedo no nariz, estive também a dois metros da cama, no Catete, onde Getulio se sentou para dar aquele tiro no peito. Foi poucos meses depois do dito tiro, assim que abriram o quarto ao público, e saí de lá assobiando. Devo ser difícil de hipnotizar.

Quanto a Lula, a única vez em que o vi de perto foi nos anos 1980, no antigo balcão do café no aeroporto Santos-Dumont. Ele não me conhecia e eu não tinha nada a lhe perguntar, com o que cada qual tomou seu café e em seguida o avião. Mas, se isto servir de conforto para os bolsonaristas, saibam que, a partir de agora, estou de olho em Lula. Ele que não me venha com falsetas.

Se Lula se atrever a tentar manipular as instituições, corromper o Exército e criar condições para um golpe, denunciá-lo-ei de pronto. Se, no caso de uma epidemia, recusar-se a fornecer ao povo medidas de proteção e deixar morrer 700 mil brasileiros, não o deixarei em paz. E se entregar ministérios essenciais como a Saúde, a Educação e o Meio Ambiente a rematados pilantras, nunca vou parar de atormentá-lo.

Se eu souber que Lula fez do MEC um quiosque para a venda de Bíblias, que abarrotou as Forças Armadas com próteses penianas e comprimidos de Viagra e que sua mulher recebe cheques de homens estranhos, aí é que ele não me escapa mais. Quanto a seus filhos, que experimentem condecorar milicianos e matadores e comprar mansões com dinheiro de rachadinhas lavado em lojas de chocolates.

Lula, portanto, que fique avisado.


 
 
 
7 de jul.
1 min de leitura

Edilson, penta-campeão brasileiro, repetiu Gerson, em afirmativa que Millie Lacombe já dissera. O participante da Copa de 2002 tachou de frouxos os jogadores brasileiros, que Gerson antes dissera serem brasileiros, mas não do Brasil. A jornalista da UOL mostrou a diferença entre o homem e o que ele é, pelo que faz. Em pelo menos duas oportunidades, vi Vinícius Jr. evitar a bola dividida. Cuidadoso com seus próprios pés, sabe que deles, mais que de seu cérebro e do coração depende sua fortuna. Como ele, boa parte dos jogadores tem razões - honrosas ou não - para igual avaliação. Nem precisa levar em conta serem alguns deles membros da grei que vê no cai-cai sua grande inspiração, para admitir que participar de jogos na equipe que representa o Brasil não é mais que atender a uma exigência burocrática. Com a vantagem de favorecer seus ganhos monetários, conforme exigência dos empresários e clubes que os assessoram e utilizam. Inevitável analisar quão grande é a situação de cidadãos estimulados por valores éticos e outros, cuja motivação está na conquista e acumulação de bens materiais, seja lá como for. Tudo seria mais fácil de entender, déssemo-nos a pensar e refletir sobre o que Basílio, da Antióquia, disse, faz 16 séculos: o dinheiro é o esterco da sociedade. Ter chegado a esta conclusão e aderido a ela tão cedo, marca-me com uma espécie de alegria triste.

 
 
 
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