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Países baixos e gente(?) mais ainda

Vergonhoso, mais que tudo, é constatarmos a desfaçatez - para não dizer poisa pior - com que as elites brasileiras encaram o trabalho humano. Enquanto aqui parte dela, majoritária no Congresso, tenta impedir a qualquer que seja o custo, a redução da jornada semanal do trabalho, número divulgado pela Eurostar faz conhecer quanto trabalham os europeus. Nem por isso as sociedades de cerca de 30 países discriminados no mapa aqui postado (ontem, na aba NAONDA) foi à bancarrota. Apenas um desses países, a Turquia, mantém a jornada de 44 horas/semana. Em nove dos países mapeados, vige o regime de 38 horas semanais, havendo mesmo o registro de 32 horas, nos Países Baixos. A grande maioria deles, cerca de 85% adota jornada inferior a 40 horas. Dentre eles, os de maior expressão política, social e econômica. Nada que possa surpreender o observador informado, eis que ainda hoje a prática do trabalho escravo não chega a constituir exceção. Ao contrário, mesmo denunciado pela maioria dos cidadãos que ganham o pão que se mantêm com dignidade e mantêm sua família, ainda se assiste à tentativa de evitar qualquer avanço. Mas a defesa do retorno à escravidão não esgota a perversidade com que atuam as elites, com ou sem mandato popular. O simples fato de se sentirem encorajados a apresentar propostas tão malignas indica a absoluta causa mobilizadora de grande parte do Congresso: o enriquecimento pessoal ou familiar, a que se vinculam as práticas mais nocivas, como as emendas parlamentares, as decisões encomendadas por setores influentes da economia, se não quisermos lembrar das rachadinhas, características de certo tipo de traidores. O caso Vorcaro, portanto, diz muito mais do que se apurou até agora. Longe de esgotar o conhecimento da trajetória dos que a ele estão direta e intimamente ligados, o trabalho criterioso das autoridades policiais já pode revelar, ao menos como síntese, a capacidade do aventureiro dono do banco Master. Rapacidade mais que capacidade, tantas as fórmulas criminosas de que se valeu, para chegar aos merecidos constrangimentos por que agora passa. Não faltam, no rol das peripécias de Vorcaro, projeto de lei elaborado no escritório do principal interessado; superfaturamento de serviços; lavagem de dinheiro - tudo isso, festejado em bacanais e regado ao melhor uísque. No Brasil e no exterior. Como convém a uma elite despudorada e à qual é quase temerário de atribuir a condição humana. Fazê-lo equivaleria a nivelar por baixo toda uma espécie animal. A que se diz superior.

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