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Minha suspeita é a de que à vida de qualquer pessoa corresponderia um romance. Há, porém, os que o tem escrito, e os outros, que não encontraram alguém disposto a fazê-lo. Não se trata apenas de peças autobiográficas, como se pode constatar à leitura de tantos dos mais renomados romances. Estes, os há os de capa-e-espada, como os há os romances que entretinham meninas-moças, lá se vão algumas décadas. M. Delly não me deixa mentir. Os Dumas, igualmente. Outros romancistas preferiram ou preferem enveredar por outros territórios, por isso que não têm faltado escritores como Saint-Éxupery, Ernst Hemingway, Stephen King, Machado de Assis, José Saramago, Victor Hugo, Dostoievsky, Dalcídio Jurandir, Benedito Monteiro, e Paulo Jacob e Álvaro Maia, para não esquecer os nossos. O romance policial, que permitiu aos leitores saber do talento de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, poderia avançar e multiplicar-se, caso nossos escritores atentassem para o farto material posto à disposição de seu talento. Com um ingrediente que, mesmo sem ser novo, alcançou proporções realmente romanescas. Refiro-me ás tramas que envolvem a política, o mundo das finanças e o poder. Nesses ambientes, encontra-se farto manancial de articulações, amizades e relações de todo teor, a desafiar os mais argutos e inspirados observadores da fauna humana. Com a vantagem de contarem, sem a menor dificuldade, com multidão de protagonistas, seja dos que praticam as ações que as autoridades policiais e judiciárias (em menor medida, as autoridades penitenciárias) investigam, seja na seara em que cenhos cerrados servem menos para a transparência de legítima indignação, que para esconder os vínculos que pouco a pouco vão sendo expostos à luz solar. Veja-se, por exemplo, o desenvolvimento de uma trama que ocupa a maioria dos meios de comunicação e frequenta gabinetes dos mais importantes da república. Há desde aventureiros que posam de honestos banqueiros (se isso for possível) e dirigentes de poderes supostamente republicanos, até mandatários populares e membros do Judiciário candidatos à vaga de protagonista nos interessantes romances que estão por ser escritos. Posso garantir que, se ninguém for preso, se não há romancista interessado, se tudo acabará como de costume, minha experiência pessoal indica maior a necessidade de ler algo que se refira ao tema. Talvez seja difícil encontrar heróis em qualquer das tramas narradas, mas abundarão vilões e bandidos, mais desejáveis atrás das grades ou nas páginas de romances policiais, de terror ou, mesmo, eróticos (ingrediente que não tem faltado nesse mundo obscuro), a encher páginas e páginas impressas. De minha parte, certa vez escrevi um relato quase-romanesco, a que dei o título A república dos anões. Trabalho que apareceu como folhetim em A Crítica, a abordagem do chamado anões do orçamento transformou-se em livro, editado em 1995, pela Editora Lorena, de Manaus. As cifras envolvidas naquele (apenas um, miserável desse ponto de vista)crime nem troco seriam das que se registram nas relações suspeitas de hoje.

 
 
 

Lúcio Carril critica o uso político da religião e afirma que correntes neopentecostais se afastaram dos ensinamentos de Jesus Cristo.

Lúcio Carril*

Com o desenvolvimento do capitalismo, uma outra doutrina religiosa passou a servir aos novos interesses políticos e econômicos. No início, o movimento foi chamado de protestantismo.

A agiotagem e a poupança de dinheiro deixaram de ser coisa do demo e passaram a ser abençoadas pelas orações de pastores. O evangelho foi revisto para atender a nova realidade econômica.

A religião é isso. É uma base ideológica do poder. E como o poder tem sua face nefasta e autoritária, a doutrina é vendida por falsos profetas aos novos fariseus, uma horda de hipócritas que passa longe dos ensinamentos cristãos.

Falo em estrutura de pensamento e em instituição hierarquizada, social e politicamente organizada. Ou seja, em doutrina e igreja.

Essa história, no entanto, não tem só um lado. Dentro da igreja, ou das igrejas, há resistência de homens e mulheres imbuídos do verdadeiro espírito cristão de solidariedade e fraternidade. O problema está na preponderância de falsos pastores, que aprofundaram a instrumentalização da religião como objeto de cobiça e poder.

É isso que está acontecendo no Brasil com o chamado neopentecostalismo.

Essa corrente doutrinária praticamente sepultou o cristianismo enquanto religião dos pobres e se abriu para o vil metal, adquirido através do poder dos exploradores do povo. São pastores fariseus guiando um rebanho de incautos em oposição ao ministério de Jesus Cristo.

Não há um só resquício dos princípios de fraternidade, justiça e solidariedade que orientam o cristianismo nessa corrente evangélica. Seus seguidores são manipulados como um rebanho bovino, levados ao extremo da indignidade quando são postos a serviço da mais hedionda política, aquela que engana e massacra o povo.

Me solidarizo com os bons cristãos, que lamentam tão abjeta blasfêmia contra seu Deus e clamo para que estejam sempre ao lado dos mais necessitados.

Jesus Cristo nunca esteve caminhando ao lado dos opressores e por isso foi vítima deles, mas não se deixou dominar ou enganar.

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*O autor é sociólogo.

 
 
 

O Espaço Valer-Teatro, localizado no centro histórico de Manaus, não ficou de fora da programação da Copa do Mundo. O restaurante Roseiral, parte do complexo cultural da importante editora/livraria, atrairá frequentadores, a cada jogo de que a seleção do Brasil participe. Vale a pena consultar o sítio da Valer e suas redes sociais, para conhecer os combos que serão oferecidos aos torcedores, Hoje, a partir das 10:00, os aficionados das letras e do futebol encontrarão abertas as portas do Roseiral

 
 
 
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