top of page

Relações de todo tipo

14 de jun.
2 min de leitura

Minha suspeita é a de que à vida de qualquer pessoa corresponderia um romance. Há, porém, os que o tem escrito, e os outros, que não encontraram alguém disposto a fazê-lo. Não se trata apenas de peças autobiográficas, como se pode constatar à leitura de tantos dos mais renomados romances. Estes, os há os de capa-e-espada, como os há os romances que entretinham meninas-moças, lá se vão algumas décadas. M. Delly não me deixa mentir. Os Dumas, igualmente. Outros romancistas preferiram ou preferem enveredar por outros territórios, por isso que não têm faltado escritores como Saint-Éxupery, Ernst Hemingway, Stephen King, Machado de Assis, José Saramago, Victor Hugo, Dostoievsky, Dalcídio Jurandir, Benedito Monteiro, e Paulo Jacob e Álvaro Maia, para não esquecer os nossos. O romance policial, que permitiu aos leitores saber do talento de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, poderia avançar e multiplicar-se, caso nossos escritores atentassem para o farto material posto à disposição de seu talento. Com um ingrediente que, mesmo sem ser novo, alcançou proporções realmente romanescas. Refiro-me ás tramas que envolvem a política, o mundo das finanças e o poder. Nesses ambientes, encontra-se farto manancial de articulações, amizades e relações de todo teor, a desafiar os mais argutos e inspirados observadores da fauna humana. Com a vantagem de contarem, sem a menor dificuldade, com multidão de protagonistas, seja dos que praticam as ações que as autoridades policiais e judiciárias (em menor medida, as autoridades penitenciárias) investigam, seja na seara em que cenhos cerrados servem menos para a transparência de legítima indignação, que para esconder os vínculos que pouco a pouco vão sendo expostos à luz solar. Veja-se, por exemplo, o desenvolvimento de uma trama que ocupa a maioria dos meios de comunicação e frequenta gabinetes dos mais importantes da república. Há desde aventureiros que posam de honestos banqueiros (se isso for possível) e dirigentes de poderes supostamente republicanos, até mandatários populares e membros do Judiciário candidatos à vaga de protagonista nos interessantes romances que estão por ser escritos. Posso garantir que, se ninguém for preso, se não há romancista interessado, se tudo acabará como de costume, minha experiência pessoal indica maior a necessidade de ler algo que se refira ao tema. Talvez seja difícil encontrar heróis em qualquer das tramas narradas, mas abundarão vilões e bandidos, mais desejáveis atrás das grades ou nas páginas de romances policiais, de terror ou, mesmo, eróticos (ingrediente que não tem faltado nesse mundo obscuro), a encher páginas e páginas impressas. De minha parte, certa vez escrevi um relato quase-romanesco, a que dei o título A república dos anões. Trabalho que apareceu como folhetim em A Crítica, a abordagem do chamado anões do orçamento transformou-se em livro, editado em 1995, pela Editora Lorena, de Manaus. As cifras envolvidas naquele (apenas um, miserável desse ponto de vista)crime nem troco seriam das que se registram nas relações suspeitas de hoje.

Posts recentes

Ver tudo
Medidas diferentes para o mesmo peso

Democrata por convicção e experiência, interpreto a célebre frase de Jean-Marie Arouet (Voltaire) - em tradução livre divirjo de tudo quanto dizes, mas morreria pelo direito que tens de dizê-lo - como

 
 
 
Campi

Era terra somente, agredida despossuída de valores, degradada aqui e acolá, sem norte em indolente, incerta caminhada jalecos encardidos, mochilas vazias assemelhavam-se a rebanhos caminho de previsív

 
 
 
Amazônia sob grave risco

Pela importância e oportunidade da matéria, a entrevista de Thomaz Nogueira ocupa este espaço. O autor, especialista em Direito Tributário, auditor da SEFAZ-AM e ex-superintendente da SUFRAMA mostra o

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page